O Destino de Uma Nação (Darkest Hour, 2017); Direção: Joe Wright; Roteiro: Anthony McCarten; Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Ben Mendehlson, Ronald Pickup, Stephen Dillane; Duração: 125 minutos; Gênero: Biografia, Drama, Histórico; Produção: Tim Bevan, Lisa Bruce, Eric Fellner, Anthony McCarten, Douglas Urbanski; País: Reino Unido; Distribuição: Universal Pictures; Estreia no Brasil: 11 de Janeiro de 2018;

Confira a crítica em vídeo de Márcio Picoli, clicando no player acima! Aproveite e clique aqui para conhecer o nosso canal do YouTube.

A primeira imagem de Gary Oldman como Winston Churchill causou furor iminente. O ator estava irreconhecível por baixo de uma densa maquiagem e próteses, bastante parecido com o primeiro ministro que liderou o Reino Unido em um dos momentos mais difíceis para o mundo. É um projeto comum escolher um ator veterano para travestir de figura histórica, funcionou com Meryl Streep como Margaret Thatcher em “A Dama de Ferro (2011)”, Daniel Day-Lewis como “Lincoln (2012)” e agora, ao que tudo indica, parece estar funcionando com o popular ator britânico, laureado recentemente com o Globo de Ouro de melhor ator de drama e favorito ao Oscar.

O principal diferencial de “O Destino de uma Nação” se dá no trabalho do diretor Joe Wright, procurando fugir do caminho comum de exaltação de figuras históricas, por mais controversas (e odiadas) que elas fossem. Quase como complemento na narrativa da série da Netflix, The Crown, o trabalho de Wright procura desconstruir a figura de Churchill mostrando um lado meticuloso, manipulador e frágil ao se ver refém de adversários. Longe de ser uma demolição de imagem, porém também não constrói uma imagem de estatista ao qual muitos liberais o associam, inclusive até retrata certa mesquinhez ao lidar com tamanha indiferença com os soldados mortos em Dunquerque, em primeiro momento.

O Destino de Uma Nação 02

Wright não faz um filme de guerra, sim de gabinete. Sobre politicagem e articulações, onde a trama central se baseia em princípios de Maquiável; literalmente, o fim justifica os meios? O poder vale a guerra e a morte de milhões, ou a paz vale se render à tirania? São questões presentes na narrativa, muito embora respondidas por seus personagens, entretanto podem ser deixadas para uma apreciação póstuma para quem se instigar a refleti-las. O principal problema é no roteiro de Anthony McCarten (A Teoria de Tudo), convencional, quadrado, não permite qualquer ousadia, com resoluções fáceis. A personagem de Lily James (Em Ritmo de Fuga), uma datilógrafa pessoal do primeiro-ministro, é feita apenas como alicerce para conectar o personagem Churchill com o espectador, como se não houvesse forma dele ser mais humano sem interagir com ela, não sendo nem um pouco orgânica essa relação. É também bastante constrangedora a cena em que o primeiro-ministro, diante de uma decisão primordial, decide ir para o parlamento de metrô a fim de ouvir o povo para decidir. Ok, nós brasileiros não compreendemos essa reverência dos britânicos com a Monarquia e o Parlamento, contudo é forçado ao perceber um desconforto por parte do próprio empobrecimento das falas dos atores quanto das situações ali feitas. Um roteiro que não enxerga o próprio potencial, de conseguir dimensionar toda tensão por trás dos gabinetes de guerra, demonstrando os dois campos de combate. Outro ponto desapontante do roteiro é o desperdício na personagem da esposa do primeiro ministro, Clementine, vivida pela excelente Kristin Scott Thomas, cansada de viver sempre no fardo de esposa troféu, porém mais do que nunca não pode fraquejar perante o momento do marido e da nação.

A grande pergunta que decai: E o Gary Oldman? O ator se entrega completamente ao personagem, literalmente ele some na interpretação, nos deparamos com seu Churchill moribundo, mesquinho, trêmulo, que precisa lidar com o próprio ego. Se o Churchill de John Lithgow precisava encarar com sua impotência e senilidade, o de Gary Oldman ascende ao poder sendo subestimado por todos ao redor, tem um continente em plena guerra e precisa lidar com tudo isso sem fraquejar, mais do que nunca precisa mostrar sua vitalidade como líder, mesmo que para isso precise mentir e manipular. A performance do ator sobressai perante maquiagem e próteses, podemos não reconhece-lo, mas contemplamos uma grande atuação que brinda um personagem de muitas nuances, nunca aquilo que realmente parece em tela. Ben Mendelsohn vive  Rei George VI, com um sotaque meio fanho, porém numa relação paternal simpática entre o primeiro ministro e o Rei, o australiano se firma novamente como um ator promissor em tela, precisa apenas de oportunidades certas.

O Destino de Uma Nação 03

Eu costumo ser tolerante com esse tipo de filme, particularmente aprecio, principalmente quando têm tais curiosidades históricas, entretanto é inegável que O Destino de Uma Nação se trata de uma obra convencional e até frívola, onde pode até instigar curiosidade sobre a temática, mas não gera a menor emoção. No final das contas vale mais pela oratória assombrosa de Oldman como Churchill, que deve ecoar como uma das melhores interpretações a ser laureadas com o Oscar de melhor ator dessa década recente. A Conferir.

O Destino de Uma Nação – Trailer Legendado:

Crítica | O Destino de uma Nação

O Destino de Uma Nação (Darkest Hour, 2017); Direção: Joe Wright; Roteiro: Anthony McCarten; Elenco: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James,

Direção
Roteiro
Elenco
Trilha Sonora
Fotografia
Summary
70 %
User Rating : 0 (0 votes)