Dente de Leite (Babyteeth, 2019); Direção: Shannon Murphy; Roteiro: Rita Kalnejais; Elenco: Eliza Scanlen, Ben Mendelsohn, Essie Davis, Toby Wallace, Andrea Demetriades; Duração: 120 minutos; Gênero: Drama, Comédia; Produção: Alex White; País: Austrália; Distribuição: –; Estreia no Brasil: –;

Dente de Leite 02

Quando vamos assistir a um filme esperando uma coisa e recebemos exatamente o oposto? Foi exatamente essa sensação após o término da sessão do australiano “Dente de Leite“, da diretora Shannon Murphy. Aparenta ser um drama coming of age sobre o amadurecer, lidando com os dilemas do primeiro amor, dos conflitos com os pais controladores e encontrar seu lugar nesse mundo cada vez mais selvagem. Entretanto, esqueçam tudo que sabem sobre coming of age, pois este longa dá um refresco ao gênero, levando seu público ao, de fato, arrebatamento, num drama poderoso. Milla (Eliza Scanlen) é uma jovem promissora, filha de uma ex musicista (Essie Davis) e um psiquiatra (Ben Mendelsohn), possui câncer e acaba sendo super protegida por seus pais. Tudo muda quando ela conhece Moses (Toby Wallace), um jovem traficante completamente problemático. A partir daí, a vida desses indivíduos vão mudar drasticamente.

Murphy constrói uma narrativa sedutora, demonstrando a fragilidade de cada um dos personagens -as quais vai além das físicas, como a doença. É difícil escolher uma temática que seja o tema principal do longa, que flerta com o luto, o amor, a busca da juventude pela liberdade e por aí vai. Tantos significados e significâncias , o próprio dente de leite em si decai em várias interpretações: a inocência ainda retida na maturidade ou mesmo a dificuldade em amadurecer e deixar para trás, quem um dia de fato fomos, para sermos quem podemos e queremos ser. Enfim, é um longa de múltiplas camadas, reduzi-lo em apenas uma interpretação ou narrativa/plot é diminui-lo como obra audiovisual.

Em inúmeros momentos acreditamos saber os rumos pelos quais “Dente de Leite” traçará, porém, Murphy vai tralhando na quebra de expectativa, indo para caminhos opostos, inclusive nas várias ramificações pelas quais seus personagens passam. O pai, vivido pelo magistral Ben Mendelsohn (“O Destino de Uma Nação“, “Rogue One“), vive crises que vão além das conjugais: ele se sente velho, impotente diante do sofrimento de sua família. A mãe, interpretada por Essie Davis (muitos devem conhecê-la por “Babadook”), padece por ter abandonado seus sonhos musicais pela rotina de dona de casa. E ainda tem os protagonistas, de fato: Moses, que vive na marginalidade e a própria Milla, seu drama com o câncer, seu amor complexo e incompreendido por Moses, seus conflitos constantes com seus pais por isso… Enfim, “Dente de Leite” é um longa que muito depende de seu público, pelo qual significado deseja buscar. Exige de nós atenção e sobretudo empatia, talvez por isso não seja para todos. Contudo, aos que embarcarem, vão se deparar com uma obra extremamente instigante.

“Dente de Leite” – Trailer Oficial:

Acompanhe aqui nossa cobertura da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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