Crítica | A Teoria de Tudo

Crítica | A Teoria de Tudo

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Título Original: The Theory of Everything

Direção: James Marsh

Roteiro: Anthony McCarten

Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Harry Lloyd, David Thewlis,

Produção: Tim Bevan, Lisa Bruce, Eric Fellner, Anthony McCarten

Estreia Mundial: 26 de Novembro de 2014

Estreia no Brasil: 29 de Janeiro de 2015

Gênero: Drama/Biografia

Duração: 123 minutos

Classificação Indicativa: 12 anos

x900m

Uma das minhas grandes frustrações assistindo a teoria de tudo foi perceber que se trata de um filme sobre Stephen Hawking, mas que não fala sobre Stephen Hawking. A visão dos acontecimentos fica limitada ao ponto de vista de Jane (Felicity Jones) e, por conseguinte, temos menos ciência e mais romance; menos ironia e mais drama (que não funciona, aliás), e, também, covardia para abordar certos temas ou tocar em feridas. Destarte, o resultado em tela é uma fita quadrada e um pouco enjoativa.

A direção de James Marsh (responsável por um dos meus documentários favoritos, O Equilibrista), contudo, funciona ao que se propõe, a despeito de ser bastante clichê e truncada em boa parte do tempo. Um dos elementos mais interessantes que o diretor nos apresenta são as rimas visuais envolvendo Círculos. No início da projeção vemos Hawking em sua cadeira de rodas andando em movimentos circulares, no meio do filme ele repete a lógica da cena só que de modo reverso, no momento em que Jane sobe as escadas da faculdade de Stephen, e lá no fim da projeção ele retoma a mesma ideia. Assim, podemos perceber que há uma vontade criativa em Marsh que acaba sendo podada provavelmente pelos produtores que preferem por investir na chatice que é o mundo na visão de Jane.

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O roteiro, por sua vez, é o grande e o crucial incômodo do filme. Não temos um grande momento, ou uma grande reviravolta, ou até um drama para nos apegarmos a história. É como se fôssemos passando por episódios da vida do casal sem que ocorra uma efetiva conexão entre os momentos vividos. A doença do co-protagonista que poderia ser o grande arco dramático, em nenhum momento ganha peso, a despeito de paulatinamente serem inseridos elementos que remetem aos problemas a serem enfrentados. Quem já estudou um pouco sobre o cientista, sabe que ele é muito bem humorado e isso não aparenta na produção. Ele solta uma piada ali e acolá, mas não é uma característica marcante. Além disso, a protagonista não é nada interessante e recebe bastante tempo de tela, fazendo com que algumas cenas se arrastem – em especial as que envolvem o seu amante/amigo da família.

Por outro lado, o ponto alto da película é Eddie Redmayne em uma performance, no minimo espetacular, não só pelo fato de incorporar muito bem Sthepen Hawking, mas também pela composição e pela transição que ele vai colocando durante o seguimento da narrativa. Em uma das primeiras vezes que o vemos em tela, já percebemos pela maneira como ele dobra os dedos que a doença está em um estágio inicial. Conforme o tempo passa, mais partes do corpo dele vão sendo afetadas até que chegue a sua voz. Eddie atua usando cada músculo possível e o resultado é uma atuação digna de Oscar (o que provavelmente vai acontecer).

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A Teoria de Tudo, porém, não é um longa sobre Stephen Hawking, aliás, nem protagonista ele é. O longa é sobre a sua ex-mulher, isso fica muito evidente principalmente na forma como a produção nos é apresentada, isto é, trilha sonora melodramática, fotografia bastante estilizada lembrando um mundo mais feminino, até os planos nos remetem a filmes teen. Isso, contudo, não tira o brilho de Hawking e de sua incrível trajetória pela ciência. A história é comovente e, mesmo que a fita não seja a sua altura, consegue-nos fazer refletir sobre as nossas dificuldades, e como elas são impostas por nós mesmos, na maioria das vezes.

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