À Beira Mar (By the Sea, 2015); Direção: Angelina Jolie Pitt; Roteiro: Angelina Jolie Pitt; Elenco: Angelina Jolie Pitt, Mélanie Laurent, Melvil Poupaud, Niels Arestrup, Richard Bohringer; Duração: 122 minutos; Gênero: Drama, Romance; Produção: Angelina Jolie Pitt, Brad Pitt; País: Estados Unidos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia no Brasil: 03 de Dezembro de 2015;

A relação do casal Angelina Jolie (Na Terra de Amor e Ódio, Invencível) e Brad Pitt (Corações de Ferro, 12 Anos de Escravidão) vem sendo acompanhada com afinco há pouco mais de 10 anos, desde que os primeiros boatos sobre o fim do relacionamento entre Pitt e Jennifer Aniston, sua então namorada, começaram a pipocar em incontáveis publicações de fofoca que apontavam Jolie como o pivô da separação. Dali em diante, não houve etapa na vida do casal (nascimento de filhos, casamento, tratamento de câncer e etc.) que não fora escoltada com muito confeito nas capas e editorias dos tabloides de notícia. Brangelina, como mais tarde ficaria sendo conhecido o casal, se tornou uma espécie de vitrine de um star-system que passa por cima de tudo de modo cada vez mais voraz.

Digo isso porque é no mínimo intrigante a maneira plástica como Angelina, que assina esse seu terceiro filme com o sobrenome Jolie-Pitt, pensa uma ideia de misenscéne em À Beira Mar. Tal qual o ensaio icônico concebido por Steven Klein para a W Magazine em 2005, onde Jolie e Pitt interpretavam uma típica família americana em crise na década de 50, existe aqui uma noção muito clara de editorial de moda que carrega um peso bem maior quando Angelina se escala junto do próprio marido para desconstruir essa ideia de casal modelo que esses mesmos ensaios fotográficos insistem em perpetuar – ainda que seja mais fácil acreditar que a atriz não tenha tal ~consciência cinematográfica~ pra isso. Mas que infelizmente perde sua força perante a uma direção que não sabe pra onde conduzir o filme.

À Beira Mar 02

Interpretando um casal americano em crise, o filme se passa numa idílica paisagem no litoral francês em meados da década de 70. Ele faz o tipo escritor de meia-idade que há tempos não produz nada relevante, ela a esposa que passa os dias dopada de antidepressivos, cujo ciclo autodepreciativo é interrompido com a chegada de dois jovens franceses recém casados, interpretados pelos excelentes (e subaproveitados) Mélanie Laurent e Melvil Poupaud, cuja torrente de paixão se torna janela e espécie de purgatório dos conflitos do casal mais velho.

Existe na obra uma intenção clara em emular uma ideia pobre, clichê e americanizada de cinema europeu, com longos planos de paisagens e pouco movimento de câmera, que faz com que cada uma de suas imagens tão milimetricamente compostas já nasçam propositalmente mortas de alguma maneira. E À Beira Mar teria muito mais a apresentar se a direção tivesse pleno domínio desse artifício de linguagem. Jolie imprime bem uma ideia de esterilidade da sua própria história, mas existe no filme uma ausência de progressão narrativa que compromete gravemente o material como um todo.

À Beira Mar 03

A falta do que tatear depois do ato inicial, com um trabalho de montagem que alimenta de modo negativo o ciclo de repetição de ideias e imagens, torna o filme mais maçante e menos significativo do que realmente é. Até porque acredito que exista nas entrelinhas desse À Beira Mar uma verdade muito triste que não se quer ver em todos esses editorias de modas e revistas de fofoca.

À Beira Mar – Trailer Legendado:

2 Comments

  1. Pingback: Margot Robbie negocia para estrelar novo filme de Tarantino - Cine Eterno

  2. Pingback: Crítica | Tomb Raider - A Origem (Tomb Raider, 2018) - Cine Eterno

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.