Marco Polo (2ª Temporada)

(Netflix, 2014-presente)

Direção: Daniel Minahan, David Petrarca, Jon Amiel, Alik Sakharov, James McTeigue

Roteiro: John Fusco, Patrick Macmanus, Elizabeth Sarnoff, Kate Barnow, Bruce Marshall Romans, Noelle Valdivia, Matthew White

Elenco: Lorenzo Richelmy, Olivia Cheng, Remy Hii, Zhu Zhu, Benedict Wong, Tom Wu, Michelle Yeoh, Gabriel Byrne, Joan Chen, Mahesh Jadu, Uli Latukefu, Claudia Kim, Rick Yune, Pierfrancesco Favino

Número de Episódios: 10 episódios

Data de Lançamento: 01 de Julho de 2016

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O texto contém spoilers.

Depois de assistir à primeira temporada de Marco Polo, fui aos poucos descobrindo o quanto realmente não havia gostado dela. Tanto que as expectativas para esse segundo ano da série eram praticamente nulas. O maior empecilho, acredito, é no fato da parceria entre Netflix e Weinstein Company se revelar uma decepção. É visível o empenho e o alto investimento na produção da série, por isso mesmo não surpreende o período de mais de um ano e meio entre uma temporada e outra, influenciado também pela baixa repercussão por parte do público, que nem o episódio especial dedicado a Hundred Eyes (Tom Wu) conseguiu atrar muita atenção, sendo que é essencial para a trama da segunda temporada.

Nessa temporada, enquanto Marco (Lorenzo Richelmy), acompanhado de Mei Lin (Olivia Cheng), navega em uma missão secreta, o casamento do príncipe Jingim (Remy Hii) com Kokachin (Zhu Zhu) está prestes a acontecer. A união preterida por Kublai Khan (Benedict Wong), entretanto, não é plenamente aceita em todas as partes e, se Marco descobre a preferência do povo de maneira trágica, Kublai recebe de sua própria família a notícia que desafia sua posição como Khan prometido. Como se essas ameaças já não fossem o suficiente, surge ainda outro poderoso inimigo, na figura do Papa Gregório X (Gabriel Byrne), representando os interesses da Igreja e fundamental na parte posterior da temporada.

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O maior problema de Marco Polo, porque condiz com o comprometimento de recontar uma história, é uma questão que requer conformação, ao invés de aceitação. Porque o fato da série ser falada em inglês empreende uma falta de credibilidade impressionante à Marco Polo. Lógico, é uma questão a ser superada por uma parcela mais exigente do público, que tem pavor de qualquer coisa dublada, exatamente onde me encaixo. Ainda assim, o fato da língua oficial da série ser esse diz muito sobre a obra de John Fusco, um dos principais responsáveis, ou principal, pelo insucesso de Marco Polo.

Porque, por mais que a produção invista milhões e milhões, é tanto a superficialidade da trama, como o pobre desenvolvimento da narrativa, o que fazem com que Marco Polo seja muito inferior àquilo que aspira. Personagens principais carecem de uma faceta mais afável, o grande número de personagens que dividem o tempo de tela parece desnecessário e, pior, a narrativa de Marco Polo é muito frágil, sem contar que seu personagem principal sequer parece exercer tal função, sendo mais um mero coadjuvante da própria história, do que o personagem que dá título à própria série.

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Duas coisas me impressionam bastante nessa temporada, uma delas já havia acontecido na anterior. A primeira é a atuação de Benedict Wong, que mesmo que não faça um trabalho digno de premiações ou de se alongar por longos períodos na memória, parece imergir-se por completo em seu Kublai Khan. Parado ali, sentado no trono fictício, ele parece uma réplica, expressando a grandeza que um líder, por mais questionável que fosse, batalhou para conseguir exibir. É encantadora a caracterização, onde um texto melhor sem dúvida faria Benedict Wong brilhar, não só em uma representação estética, mas também dramática.

O outro elemento é o melhor personagem da série: o Hundred Eyes de Tom Wu. Depois de seu episódio especial, nessa segunda temporada estamos completamente cientes da ambiguidade do personagem, um dos poucos que se salva em diversos quesitos. O que não acontece à toa, pois Hundred Eyes parece estar em uma série completamente diferente a qual é Marco Polo. Fica ainda mais evidente a divergência de abordagens quando há a introdução de Lotus, interpretada por Michelle Yeoh. Juntos, os dois rendem a mais bela cena dessa segunda temporada, mas Michelle Yeoh trabalha tanto na série que, provavelmente, esse foi o cachê de maior custo-benefício de sua carreira.

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Só que a introdução de Michelle Yeoh, e a forma como sua personagem é abordada, diz muito sobre John Fusco e sua relação com a série. No início deste ano a Netflix lançou a desnecessária continuação O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino (Crouching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny), filme que foi roteirizado pelo próprio John Fusco. Ao se assistir as duas obras é inevitável não gerar comparações, até porque, se não é falta de criatividade por parte dele, John Fusco parece apenas estar emulando o filme de Ang Lee em ambas as obras e, da mesma maneira, sem sucesso algum nas duas.

Os méritos maiores de Marco Polo recaem, sem dúvida alguma, sobre a equipe técnica nos bastidores. Os detalhes de Design de Produção e Figurinos, as alucinantes cenas de ação, as locações de tirar o fôlego. Um antigo mundo é reconstruído, trazido de volta à vida, muito bem conduzido pelos diretores de cada episódio. Entretanto, em meio a todo o deslumbramento com a reconstrução visual, nada sobra para o restante. John Fusco parece se reconhecer no personagem de Marco Polo, mas não aquele que escreve em sua série, pois assim como aquilo que retrata, John Fusco é apenas um estrangeiro em terras hostis, só que ele sequer tentar compreender a cultura alheia sem se impor em primeiro lugar.

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