Gênero: Ficção
Direção: Guillermo Del Toro 
Roteiro: Guillermo Del Toro, Travis Beachman
Produtores: Callum Greene, Jon Jashni, Mary Parent e Thomas Tull
Elenco: Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day
País de Origem: Estados Unidos da América
Estreia no Brasil: 9 de Agosto de 2013
Estreia Mundial: 12 de Julho de 2013
Duração: 131 minutos

 

Guillermo Del Toro retorna com seu gigantismo visual, porém carece de argumentação

Guillermo del Toro consolidou sua marca pessoal: consegue fazer filmes visualmente impecáveis, procurando inovar no que se refere a efeitos. Com “O Labirinto do Fauno”, conquistou seu ápice, juntado deslumbre visual com um excelente roteiro.

Em Círculo de Fogo, o diretor busca homenagear a cultura nipônica, causando um grande sentimento nostálgico, principalmente para aqueles que cresceram vendo monstros e robôs se enfrentando, sem se preocupar com o ambiente envolta, em antigos seriados – como o famoso “Power Rangers” e o clássico “Jaspion”-. De fato é uma boa intenção, porém não deixa de ser isso, devido as diversas falhas da obra.

Monstros gigantes, batizados de “kaijus”, se transportam para nosso mundo através de uma fenda no meio do pacífico, atacam centros urbanos e causam o caos. A humanidade junta esforços e cria os “Jaegers”, robôs gigantes de enorme poder bélico para enfrentar a ameaça. O principal problema é que os seres estão se adaptando e destruindo nossos defensores e seus pilotos, levando o General (Idris Elba) do Corpo de Defesa Pan Pacífico reunir os pilotos e jaegers restantes e atacarem diretamente a fenda – o “círculo de fogo” do título nacional’-. O roteiro de tão simples é superficial, com diálogos deploráveis e extremamente clichês, situações previsíveis e decepcionantes, mostrando uma carência de argumentação, apesar do gigantismo visual.

O ponto forte do filme é, sem duvidas, os embates entre kaijus e jaegers, extraordinariamente minimalistas e perfeccionista, de deixar o espectador ofegante em meio ao conflito. Em contrapartida, os personagens não apresentam um desenvolvimento, nenhum ator consegue ter grande destaque, apesar do agradável alívio cômico que são os personagens de Charlie Day e Ron Perlman, respectivamente um cientista apaixonado por kaijus e um traficante de órgãos das criaturas.

Para aqueles que esperavam que Círculo de Fogo seria o “blockbuster” cabeça da temporada, infelizmente ficarão decepcionados, pois o único diferencial deste filme para os demais do gênero “aliens vs robôs” é justamente o gigantismo visual, que encanta, mas não rende nada além de diversão desprendida.

Guillermo Del Toro consegue repetir a mesma inovação visual já característica, porém carece de uma argumentação sólida. Apesar de divertido, Círculo de Fogo acaba por ser apenas “mais um” filme esquecível da temporada Hollywoodiana.

Temporada essa extremamente fraca e que vem mostrando desgaste por parte da industria do cinema -e do público, levando em consideração que os blockbusters tiveram uma queda de arrecadação-. Infelizmente a tendência é continuar decaindo, a não ser que a nova leva que está por vir venha mudar drasticamente. Esperemos então que a inovação seja acima da visual.


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