Gênero: Drama, Biografia
Direção: Margarethe von Trotta
Roteiro: Margarethe Von Trotta, Pam Katz
Produtores: Bettina Brokemper, Michael André, Sascha Verhey
Elenco: Barbara Sukowa, Janet McTeer, Axel Milberg
País de Origem: Alemanha
Estréia no Brasil: 5 de Julho de 2013
Estréia Mundial: 13 de janeiro de 2013
Duração: 113 Minutos

 

Margarethe Von Trotta faz um instigante retrato sobre a filósofa Hannah Arendt e a “Banalidade do Mal”

Em 1961, um homem refugiava-se com sua família na Argentina, adotava uma identidade falsa e esquecia seu passado sangrento. Tratava-se de Adolf Eichmann, ex-comandante nazista, principal responsável pelo “destino final” dos judeus escravizados. Eichmann foi sequestrado pelo Serviço Secreto Israelense, sendo levado para Jerusalém com o objetivo de ser julgado.

Por ser um importante evento, a filósofa e professora alemã Hannah Arendt (Barbara Sukowa) se oferece para cobrir o evento pela revista “The New Yorker”, acreditando na importância deste julgamento, ao mesmo tempo questionando como este seria feito. Hannah também era judia e teve que fugir da Alemanha – sugerindo conflitos de identidade da figura principal- , chegando até a ser presa na França já dominada, até conseguir escapar para os Estados Unidos, onde conseguiu estruturar sua vida e conquistou prestígio acadêmico.

Passado o julgamento, Hannah publica cinco artigos – que mais tarde virariam o livro “Eichmann em Jerusalém: Um Relato sobre a Banalidade do Mal”- ousados e corajosos, provocando um escândalo imediato, devido a abordagem de pontos polêmicos, como a participação de alguns líderes judeus com o Holocausto, além da “humanização” de Eichmann. Em vez de um monstro nazista, um medíocre burocrata, sem senso crítico e extremamente subordinado ao sistema político e judiciário nazista, que apenas “seguiu ordens”, não sentindo qualquer remorso ou culpa por todas as vidas perdidas.

Um dos motivos pelo repúdio da tese da filósofa é explicada por seu marido, Heinrich Blücher (Axel Milberg): “estamos julgando a história e não um homem”, sendo uma justificativa muito bem fundamentada se levar em consideração a generalização do tema. Um soldado de baixa patente e um comandante nazista têm suas parcelas de culpa no Holocausto, mas em diferentes proporções. Ficou evidente que Eichmann foi julgado como se fosse o próprio Hitler e não apenas um expoente da sociedade alemã nazista da época.

A diretora Margarethe von Trotta, mesma de “Anos de Chumbo” e “Rosa Luxemburgo” faz um trabalho sutil e instigante sobre o retrato da filósofa Hannah Arendt e a “Banalidade do Mal”. Apesar dos erros, como repetição de cenas e excessos de flashbacks repentinos, os acertos conseguem se sobressair, demonstrando fidelidade e compromisso por parte da direção em mostrar toda essência da obra de Arendt, junto aos conflitos vividos por ela, devido as más interpretações de sua tese. A obra acaba se tornando um grande debate filosófico, ensinando algo ao espectador.

Barbara Sukowa, grande estrela alemã, tem uma performance fantástica, conseguindo transpor todos os conflitos vividos por Hannah Arendt, carregando o filme nas costas e só dando espaço apenas para a ótima Janet McTeer, que se iguala a Sukowa, como a escrita Mary McCarthy, amiga pessoal de Hannah.

Hannah Arendt consegue ir além de um filme biográfico, servindo como um grande estudo da humanidade, sociedade e do homem em si. Como a maldade é um componente que faz parte do ser humano, mostrando como qualquer indivíduo está propício a cometer atos hediondos, tornando a autocrítica um permanente e necessário exercício.

Citando a diretora Margarethe Von Trotta: “Se existe uma mensagem neste filme, é que você deve pensar por si mesmo, não seguir uma ideologia ou moda. Hannah chamava a isso ‘pensar sem corrimões’.” Fica claro que esta obra deve não só ser vista, mas também refletida, servindo de uma grande experiência para aqueles que arriscarem mergulhar.

Trailer Legendado
http://www.youtube.com/watch?v=bPTudnaaKNs

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