Chegamos praticamente no meio do Festival. Já tivemos obras primas como As Duas Irenes e Como Nossos Pais e algumas decepções como a mostra de curtas gaúchos que, a despeito de um apuro técnico, poucos curtas foram capaz de trazer uma narrativa convincente.

Assim inicia o 4º dia de festival: na correria para terminar os textos e vídeos sobre a noite anterior. Em função disso, perdi a coletiva de “As Duas Irenes” e não sei se me perdoo por isso, mas vocês são prioridade, então, tive de escolher.
Durante a tarde, seguindo as homenagens dos 45 anos do Festival, ocorreu a estreia do documentário Paulo Autran – O Senhor dos Palcos, de Marco Abujamra. O longa tem como eixo central a paixão do ator pelo teatro, abordando temas como as companhias teatrais e a formação e dinâmica dessas “comunidades” muito particulares; a criação do TBC, Teatro Brasileiro de Comédia, e reflexões sobre a arte do ator.

Logo após, era hora da mostra gaúcha com a produção Todos, de Luiz Alberto Cassol e Marilaine Castro da Costa, documentário sobre acessibilidade e sua representatividade. O longa recebeu uma menção honrosa no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa em 2017. E, o encerramento da mostra gaúcha do dia, ficou a cargo de O Caso do Homem errado, de Camila de Moraes uma forte fita que expõe os absurdos que vêm ocorrendo com a juventude negra no país.

Um tempo para um intervalo, literalmente para recarregar as baterias, e já era hora para a noite de competição que estava mais latina do que nunca. Na pauta tínhamos dois curtas metragens brasileiros e dois longas estrangeiros. A iniciar pela animação Caminho de Gigantes, de Alois Di Leo, toda feita em 2D, desenhado quadro a quadro. O filme apresenta um trabalho técnico e artístico primoroso, ainda que o roteiro não esteja na melhor sintonia com o resto. Depois, houve a exibição do longa em competição Los Niños, de Maite Alberdi cujo tema central é a realidade de pessoas que possuem Síndrome de Down. É incrível a sensibilidade da diretora ao fazer algo tão leve com uma situação tão delicada, chega ser engraçado a falta de crítica e visão da vida de deficientes. A minha crítica completa do filme você encontra aqui

Após um intervalo, iniciou-se o segundo bloco com as já tradicionais homenagens relativas aos 45 anos do Festival. A primeira foi para Paulo Autran (in memoriam), que dispensa qualquer tipo de apresentação e a segunda foi para um casal de produtores muito importante para o cinema brasileiro, Lucy e Luiz Carlos Barreto.

Finalizadas as felicitações, era o momento de mais duas películas. Primeiro, o curta O Quebra Cabeça de Sara, de Allan Ribeiro, documentário sensorial sobre uma mulher, negra e diarista lidando com a descoberta de que sua filha é lésbica. Em seguida, mais um longa estrangeiro foi projetado no Palácio dos Festivais, X-500, de Juan Andrés Arango cujo objetivo principal era abordar os problemas e os preconceitos com imigrantes latinos em três diferentes países da América, porém a fita é uma total bagunça, não diz ao que veio e o resultado foi uma recepção negativa pelo público da sala que mal aplaudiu a produção.

Assim se encerra mais um mediano dia de Festival. Creio que o ápice foram os dois dias anteriores, mas ainda espero que Carlos Gerbase com BIO, que terá sua première na quinta-feira, ainda pode trazer mais surpresas para o Festival!

Até amanhã!

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