Love

(Netflix, 2016)

Criador: Judd Apatow, Paul Rust e Lesley Arfin

Direção: Dean Holland, John Slattery, Maggie Carey, Joe Swanberg, Steve Buscemi, Michael Showalter

Roteiro: Judd Apatow, Lesley Arfin, Paul Rust, Brent Forrester, Alexandra Rushfield, Dave King, Ali Waller

Elenco: Gillian Jacobs, Paul Rust, Claudia O’Doherty, Iris Apatow, Briga Heelan, Brett Gelman, Tracie Thoms, Jordan Rock, Kyle Kinane, Bobby Lee, Milana Vayntrub, Chantal Claret, Charlyne Yi, Takato Yonemoto, Steve Bannos, Dave Allen, Andy Dick

Produção: Judd Apatow, Paul Rust, Lesley Arfin, Brent Forrester, Dean Holland, Dara Weintraub, Michael Lewen, Ali Waller

Número de Episódios: 10 episódios

Duração: 30 minutos

Data de Lançamento: 19 de Fevereiro de 2016

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Love é mais outra série original da Netflix que atraí grandes nomes do cinema para o mundo das séries. Basicamente um processo inverso do que se via alguns anos atrás. O nome da vez, ou o principal nome da vez, é Judd Apatow. Que, entre outras coisas, dirigiu O Virgem de 40 Anos (The 40 Year Old Virgin), Ligeiramente Grávidos (Knocked Up), Bem-Vindo aos 40 (This is 40) e Descompensada (Trainwreck). Esse seu último filme, um retrocesso na idade tema de seus filmes, parece influenciar no que se vê presente em Love, que Apatow concebeu em colaboração com Paul Rust e Leslie Arfin.

Situada em Los Angeles, Love acompanha Gus (Paul Rust) e Mickey (Gillian Jacobs). Ele é um nerd meio introvertido que acaba de sair de uma longa relação com quem ele pensava ser a mulher de sua vida. Ela não é nada convencional, nunca parou por muito tempo para manter uma relação séria com alguém. A vida de ambos parece precisar de uma epifania, enquanto um precisa experimentar novas coisas, outro precisa se acalmar por algum tempo, restabelecer-se com si próprio. É num encontro ao acaso que os dois se conhecem, dando ao outro uma oportunidade que antes não parecia possível.

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Adultos incompreendidos, vidas confusas, numa caótica ordem que faz sentido. É basicamente o leit motif de Judd Apatow em suas produções. Em Love, entretanto, isso parece atingir um ápice positivamente agradável. Pode não ser seu melhor trabalho, dificilmente está entre as melhores séries da atualidade, mas Love possuí uma certa maneira de conversar com o público que se mostra extremamente funcional. O que eu acredito que seja responsável por isso é a forma como a parte cômica de Love surge naturalmente, com piadas autênticas e inteligentes. É, aliás, nesse quesito que a série se sobressaí a muitas outras.

Muitas vezes se apela a um humor esdruxulo, que não é realmente engraçado. Mas Love não. Love opta por divertir através desse desencontro na vida adulta, que é tão mais comum do que fazem parecer. Essa sensação de que as coisas vão bem ou ficarão bem, caem por terra, porque precisamos lidar com problemas que realmente parecem não ter solução. Só que aqui, Love também funciona, porque não recaí em situações piegas, sequer tem drama o suficiente para torna-se uma “dramédia”, ao estilo dos tons de Transparent ou Togetherness. Porém, com um humor muito mais digerível do que o de Unbreakable Kimmy Schimdt, por exemplo.

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O que auxilia nessa fácil imersão são os bons personagens coadjuvantes. Independentemente do nível de participação deles na história da série. Afinal, sempre oferecem algo de interessante. Como a Aria de Iris Apatow ou a Heidi de Briga Heelan, que constroem personalidades que servem quase como uma metalinguagem. Mas é em Kevin (Jordan Rock), o assistente de catering do estúdio, que há o ápice dessa metalinguagem, ao mesmo tempo em que Love diz estar ciente das armadilhas nas quais pode cair. Numa das próprias cenas, “quando o amigo negro aparece para dar conselho”, temos a prova viva dessa consciência da série, que é segura de si.

Mas deveria ir além, porque na personagem de Charlyne Yi há a sensação de que alguns nomes poderiam se fazer mais presentes durante a série. Como é o caso, também, de Randy (Mike Mitchell), amigo de Gus que se envolve com Bertie (Claudia O’Doherty) posteriormente. E esta última é, provavelmente, uma das melhores personagens da série. É nela que o humor de Judd Apatow parece se sintetizar, pois, carregada sempre comicamente pela atriz e o contexto dos episódios, ela se torna não somente um bem-vindo alívio cômico, mas uma personagem tão complexa quanto os principais, com humor e drama balanceados na medida exata. Parecendo reivindicar justamente por mais tempo de tela, que seria merecido.

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Diferente do que acontece, por exemplo, com o Gus de Paul Rust. Na verdade, foi esta a personagem que mais me incomodou em Love. Com um humor forçado e um narcisismo velado, tanto a namorada de Gus no início, como Mickey no nono episódio, dizem a verdade quando afirmam, mesmo que com palavras diferentes, que Gus é um “amigo falso” (fake nice). Pior é nem o personagem ou a própria série perceberem isso. Tudo gira em torno de Gus, e isso acontece porque ele é Paul Rust um dos cocriadores e roteiristas de Love. Acontece o que, comumente, chamamos de inflar o ego.

Enquanto um é recompensado, o outro sofre. Assim Love demonstra que pode ser muito melhor quando der a devida atenção à Mickey de Gillian Jacobs. Essa falta de atenção se dá na inversão de papéis no final do episódio sobre assédio no local de trabalho, que não foi divertida, foi realmente ingênua. E quando a personagem assume ter problemas sérios, com vícios que precisam de cuidado, percebemos como Love se centrou tanto em Gus. Porque a sensação que fiquei é a de que a personagem de Gillian Jacobs precisa da personagem de Paul Rust, mas o inverso não é necessário. Assim, se há algo que a primeira temporada de Love ficou devendo, é igualdade entre ambos seus personagens principais.

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