Título Original: Pride and Prejudice and Zombies

Direção: Burr Steers

Roteiro: Burr Steers

Elenco: Lily James, Sam Riley, Bella Heathcote, Douglas Booth, Jack Huston

Produção: Allison Shearmxur, Tyler Thompson, Annette Savitch, Natalie Portman, Brian Oliver, Sean McKittrick, Marc Butan

Estreia Mundial: 21 de Janeiro de 2016

Estreia Nacional: 25 de Fevereiro de 2016

Gênero: Ação/Terror/Romance

Duração: 107 Minutos

Classificação Indicativa: 14 Anos

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Sabe quando é difícil distinguir se o filme está se levando a sério ou não? Então, esse é o sentimento que se tem ao assistir Orgulho e Preconceito e Zumbis. Em certos momentos, parece um romance intenso e conflituoso e, em outros, beira o mau gosto e o absurdo – e não tem nada a ver com a existência de Zumbis, pois o gênero já deixou de ser galhofa há muito tempo, vide os filmes de Romero e até produções mais atuais como The Walking Dead. Aqui o problema está na indecisão dos produtores em traçar um objetivo para a película que, ao tentar flertar com diferentes gêneros, acaba ficando sem nada.

O enredo é aquele que todo mundo já conhece, mas com algumas alterações para inserir os Zumbis no meio. Assim, Sr. Darcy (muito bem interpretado por Sam Riley) é um caçador de Zumbis que viaja para a nova propriedade do Sr. Bingley (Douglas Booth). Lá eles acabam por ter contato com a família Bennet que, nesta adaptação, são lutadoras ninja treinadas na China (sim, calma que piora). De pronto, Bingley e Jane Bennet (Bella Heathcote) acabam se apaixonando, mas o Sr. Darcy, com medo da invasão Zumbi que pode acontecer, acaba mexendo os pauzinhos para separar os dois e, ainda, por cima “destruir o coração” de Elizabeth Bennet (Lily James). Nesse vai e vem amoroso, Elizabeth conhece o general Wickham (Jack Huston) que a leva para conhecer uma aldeia de Zumbis do Bem (ou Zumbis Crepúsculo ou como quiser chama-los) que não se alimentam de cérebros humanos, mas de cérebros suínos. No entanto, algo dá errado, e esse pessoal do bem, se alimenta de encéfalos humanos e os ataques começam.

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Bem, o que dizer dessa releitura que mal conheço e já desconsidero “pakas”. Assim como prédios são tombados pelo patrimônio histórico, certas obras deviam ir para o mesmo caminho. Existem tantas histórias para serem criadas, muitas ideias engavetadas e vão lá me mexer em Jane Austen para avacalhar com ela (lembrando que esse tipo de mashup não é novidade, é só lembrar do terrível Abraham Lincoln – Caçador de Vampiros). E eu não me importaria se pegassem o mesmo universo e colocassem os mortos-vivos, se fosse bom, ou melhor, se fosse trazer uma nova relevância ou até uma releitura para os dias atuais, mas não: tentam reproduzir um romance medieval e falham; tentam criar uma atmosfera assustadora para os zumbis e falham; tentam criar personagens femininas fortes e no final o cavalheiro salva a donzela em perigo. Enfim, é um festival de falhas.

Por outro lado, as atuações funcionam, talvez em função dos personagens da Austen ainda serem muito presentes no imaginário e, de certa forma, é interessante ver a família Bennet representada por várias mulheres treinadas como ninjas na China, aliás, as melhores passagens da fita são essas cenas, pena que isso não é usado no clímax. Também é importante ressaltar o cuidado técnico da fita: a fotografia se mostra adequada durante toda a projeção, sombria na medida certa; o figurino remete corretamente à época retratada, além de que as adaptações para inserir instrumentos de luta, principalmente, para as mulheres é sensacional e, aparentemente, muito funcional.

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Destarte, Orgulho e Preconceito e Zumbis, infelizmente peca por não definir aonde quer chegar. Inicia como um drama, depois vai para o terror, arranha na comédia e finaliza com uma tentativa de romance. O grande problema é que não é bom em nenhum destes. Um dos méritos, talvez, é que esse longa possa ser a porta de entrada para que uma nova geração conheça Jane Austin, espero. Fora isso, é um filme bastante esquecível.

TRAILER LEGENDADO