Crítica | Resident Evil: O Capítulo Final

Resident Evil: O Capítulo Final (Resident Evil: The Final Chapter, 2016); Direção: Paul W.S. Anderson; Roteiro: Paul W.S. Anderson; Elenco: Milla Jovovich, Ali Larter, Shawn Roberts, Ruby Rose, Eoin Macken, William Levy, Iain Glen; Duração: 106 minutos; Gênero: Ação, Ficção Científica, Terror; Produção: Paul W. S. Anderson, Jeremy Bolt, Robert Kulzer, Samuel Hadida; Distribuição: Sony Pictures; País de Origem: Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França; Estreia no Brasil: 26 de Janeiro de 2017;

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Resident Evil é uma franquia, ao menos no cinema, que se despede, se é que de fato encontramos aqui um último capítulo, como uma das mais irregulares em toda a história. Chega até a surpreender como Paul W.S. Anderson conseguiu arrasta-la por uma década e meia.

De todos os elementos que o diretor jamais se mostrou capaz de dominar, mesmo que não tenha dirigido todos os filmes da franquia, assinando quatro dos seis filmes, foi a ignorância na qual narrativa e personagens sempre parecem decair. A forma como afronta o público, mesmo que descaradamente, é irrisória. Vide um personagem neste filme, que se vê a beira da morte após ter sua perna presa por uma porta.

O que mais frustra em Resident Evil: O Capítulo Final é, portanto, a ausência de sequer uma tentativa de, se não consertar, ao menos construir algo que justificasse a longevidade da franquia. Esta que, francamente, se fez algo em relação às adaptações de vídeo games, foi um enorme desserviço.

O que é surpreendente, porque como repeti, para eu mesmo e colegas da crítica cinematográfica, talvez numa tentativa de me fazer acreditar, era que os dois filmes anteriores a este pelo menos apresentavam algumas das melhores experiências que o cinema 3D havia oferecido até então. Aqui, neste sexto filme, chega a ser dispensável o ingresso de valor mais elevado do formato.

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Então chegamos a um marasmo injustificável. É verdade que, a princípio, cenas de ação até funcionam bem, dentro dos limites que a técnica de Paul W.S. Anderson lhe permite. O ritmo da edição em tais cenas funciona como uma via de duas mãos. Empolga por seus cortes dinâmicos para várias tomadas diferentes, decepciona quando se percebe que é uma ferramenta para velar a simplicidade da coreografia nas cenas.

O pouco do quanto elas conseguem envolver acaba ao vermos surgir um melodrama quando são reinseridos personagens que, até então, não sabíamos o que se havia decorrido. Porque toda aquela tensão à qual o final do filme construía aqui parece sequer ter existido. Há uma explicação verbal para a ocorrência, mas não há como negar que, com isso, o filme traí até os mais fiéis de seu público. Porque priva-se de uma parte fundamental da trama.

É um alinhamento narrativo para postergar o andamento do Capítulo Final, que se passa a muita distância de onde estivemos da última vez. Se assimilando mesmo a uma tentativa de encaminhar a história para uma possível conclusão. Mas não vale deixar-se enganar, afinal, a tentativa de criar um círculo narrativo que se completa é tão falha como muito do que foi feito ao longo da franquia. Não há reviravoltas que salvem, e a certo ponto até mesmo estas acabam tornando-se banais.

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A principal causa disso é que a ambição de Paul W.S. Anderson é deveras superior ao que ele pode suprir em fundamentos. As novas motivações dadas aos vilões, mais especificamente ao personagem de Iain Glen (Game of Thrones), são uma amálgama de um novo estereótipo que vem se popularizando cada vez mais nos últimos.

O diretor parece acreditar piamente em seus argumentos, mesmo no pouco que os desenvolve como no tanto que cogita serem o suficiente para moverem sua narrativa em frente. Superficial, sua construção de uma grande reviravolta para as razões de tudo que levou a franquia até seu momento derradeiro é menos que surpreendente, chegando a soar vazio.

Porque, no fim das contas, enquanto tenta posar como um espetacular sci fi existencialista, o filme de Paul W.S. Anderson não consegue sequer entregar uma atuação convincente. Pior, 15 anos depois e ainda precisamos nos convencer a entrar na proposta de mais um novo filme da franquia, mesmo que seja tarde demais para qualquer coisa.

E essa estagnação, tanto nos ideais de Paul W.S. Anderson do que é cinema como no desenrolar da franquia, se faz pesar aqui. Porque a tentativa de gerar uma expectativa em relação a algo que, de forma alguma é empolgante, se mostra pífia. Quando chegamos ao fim do infame capítulo final, não parece haver nem sequer algum esforço que possa ser reconhecido.

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