Direção: Travis Knight

Roteiro: Marc Haimes e Chris Butler

Elenco: Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes, Rooney Mara, George Takei, Brenda Vaccaro, Matthew McConaughey

Duração: 107 minutos

Gênero: Animação, Aventura, Drama, Fantasia, Família

Produção: Travis Knight, Arianne Sutner

Distribuição: Universal Pictures

País de Origem: EUA

Estreia no Brasil: 13 de Outubro de 2016

Censura: Livre

Kubo e As Cordas Mágicas (1)

Kubo e As Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings) tem como produtora uma das companhias mais prestigiadas não só em Hollywood, mas mundialmente. Responsável por Coraline, ParaNorman e Os Boxtrolls, a Laika, estúdio de animação em stop-motion, trouxe ao cinema com todas suas prévias produções um amor imenso pelo trabalho que faz, demonstrando que a arte não carece de limites. Apaixonados como são, nesta nova animação eles abordam uma das culturas mais ricas de nosso planeta, e o resultado é aquele que possivelmente é o melhor trabalho deles até hoje. Algo que a cada novo filme parece mais difícil de acontecer no caso da Laika.

Na animação, no Japão da antiguidade, Kubo é um jovem garoto que vive com sua combalida mãe, de quem ele cuida. Vivendo próximos a uma vila, todos os dias ele vai ao local onde, munido de habilidades mágicas, através de origamis ele conta a história de Henzo, um guerreiro samurai, em troca de dinheiro. No entanto, ele mesmo nunca soube como a história terminava, e por isso sempre a encerrava abruptamente, próximo do pôr-do-sol, horário em que deveria voltar à sua casa por ordem expressa da mãe. Certo dia, entretanto, revoltado com a ausência de seu falecido pai e a situação que enfrenta cotidianamente com sua mãe, a noite cai antes que Kubo chegue em casa, o lançando numa jornada por sua vida.

Kubo e As Cordas Mágicas (4)

A transição de elementos culturais ocidentais para orientais faz com que, sem medo, a Laika submeta Kubo e As Cordas Mágicas às mais típicas etapas da difundida jornada do herói. O que poderia muito bem enfraquecer a animação por conta de reviravoltas que, só por se assimilarem completamente a jornada, já se fazem previsíveis. No entanto, a história apresentada na animação é tão intrincada, e recheada de elementos independentes, que até o previsível a animação pode clamar de seu, tornando determinados elementos em agradáveis surpresas. Além de utilizar a jornada do herói de maneira tão funcional que se torna uma experiência renovadora.

Uma preocupação com a qual encarava Kubo e As Cordas Mágicas era uma possível infantilização da narrativa, com a intenção de torná-la acessível a todos os públicos. Algo que já havia atrapalhado, em certas medidas, a animação anterior da produtora. No caso desta nova produção há, ainda, essa adequação da narrativa, até mesmo por isso não surpreendem algumas lições de morais mais mastigadas em diálogos. No entanto, frente ao tom trágico da animação, até alívios cômicos são bem-vindos, gerando um equilíbrio emocional que é essencial para se acompanhar toda a jornada de Kubo.

Kubo e As Cordas Mágicas (2)

O próprio fato de tratar, em meio a toda aventura, do amadurecimento de seu protagonista, faz com que Kubo e As Cordas Mágicas tenha também como obrigação abordar determinados momentos cômicos, que tragam certa leveza à animação, afinal, se trata da história de um jovem garoto. Assim, quando as figuras da Macaca e do Besouro entram em cena, a comum divergência de opinião entre os dois aborda essa necessidade da apreensão, na vida, de ambos os extremos. Numa clara referência ao equilíbrio entre Yin e Yang, uma das figuras mais proeminentes em relação a cultura Oriental.

As próprias figuras da Macaca e do Besouro servem, durante a jornada, como substitutos daqueles que se fizeram ausentes na vida de Kubo. O que rende uma outra camada emocional à animação, e gera uma complexidade maior ainda quando retrata os três como uma família, explorando as próprias nuances pelas quais as famílias passam. O mais belo, no entanto, é que mesmo numa constituição mais comum, se fala em diversidade e se representa a diversidade, ao menos nos personagens, dando à Kubo e As Cordas Mágicas uma potência arrebatadora ao seu discurso.

Kubo e As Cordas Mágicas (3)

Esse discurso é tão fundamental à trama de Kubo e As Cordas Mágicas que chega a surpreender, quando nos são reveladas algumas das motivações por trás da jornada. O que culmina num dos momentos mais cruciais da trama da animação onde, numa história dentro da história, o que era inicialmente tido como algo para crianças, se torna uma catarse insuperável para qualquer adulto. É quando Kubo e As Cordas Mágicas revela quase toda a amplitude de sua história, onde o pedido de atenção, para que não se pisque em momento algum durante a história, se faz pleno.

Mais impactante que isso, somente a compreensão da razão do título. Surpreendentemente, Kubo e As Cordas Mágicas é uma animação que revigora as energias, que eleva o humor e que faz perceber verdades sobre jornadas que todos nós precisamos percorrer. Belo até nos seus mínimos detalhes, assim como o delicado trabalho dos artistas por trás da produção, Kubo e As Cordas Mágicas é, também, uma delicada e sensível aventura ao âmago do que nos torna aquilo que, de fato, somos, sem as distrações de quem encara o mundo com ingenuidade e ignorância. Piscando ou não, com a devida atenção, é inegável aceitar a realidade: Kubo e As Cordas Mágicas é uma obra-prima.

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