Título Original: Kóblic

Direção: Sebastián Borensztein

Roteiro: Sebastián Borensztein e Alejandro Ocon

Elenco: Ricardo Darín, Oscar Martínez, Inma Cuesta

Produção: Sebastián Borensztein, Agustin Bossi, Pablo Bossi, Juan Pablo Buscarini, José Ibáñez, Axel Kuschevatzky e Mikel Lejarza

Estreia no Brasil: 13 de Outubro de 2016

Gênero: Suspense/Thriller/Drama

Duração: 92 minutos

Classificação Indicativa: não recomendado para menores de catorze anos

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Ricardo Darín está para o cinema argentino, assim como Meryl Streep está para o norte-americano. Se qualquer um deles está encabeçando alguma produção, é quase uma garantia de que estamos diante de uma obra, no mínimo interessante. Ambos são reconhecidos por escolherem a dedo suas participações, mas, é claro que para toda regra sempre há uma exceção e, se Streep já atuou no irregular Caminhos da Floresta, agora, Darin nos apresenta o fraco Kóblic.

No enredo, o personagem-título se muda para uma cidadezinha de interior com interesse de tentar fugir do seu passado obscuro: ele pilotava aviões militares que jogavam rebeldes literalmente pelos ares, durante a ditadura argentina. Ainda que o período de exceção já tenha finalizado há um bom tempo, as fortes imagens não saíram da sua cabeça. Um velho amigo, então, lhe oferece um emprego como piloto de um monomotor regador e aplicador de agrotóxicos e, assim, ele vai se integrando ao dia-a-dia desse pequeno distrito. A partir do momento em que o protagonista se envolve com uma mulher presa em um infeliz casamento, alguns habitantes com bastante influência começam a, mais uma vez, desenterrar seu passado.

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Como eu já adiantei para vocês, Kóblic é uma exceção na carreira de Darín. Há poucos pontos positivos na película dirigida por Sebastián Borensztein, do excelente Um Conto Chinês. A despeito da sua condução ser segura, acertando em boa parte de suas escolhas tanto de enquadramentos quanto de atuação, o resto como roteiro e ambientação é tão, mas tão meia boca que chega a ofuscar a parte boa. O argumento, escrito em colaboração entre o diretor e Alejandro Ocon é deveras frágil: os personagens são muito caricatos, o desenrolar das tramas é bastante previsível e, principalmente, os desenvolvimentos beiram a inexistência. Um exemplo dessa ineficiência narrativa é justamente o fato de que Kóblic ainda não superou o que foi forçado a viver durante o período da ditadura, porém isso pouco ocupa espaço no filme, há menções, mas não há discussão um pouco mais crítica sobre o período. Seria como se Tropa de Elite 2 simplesmente focasse somente na ação e esquecesse toda a denúncia social da milícia e da corrupção do Rio de Janeiro.

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Por fim, é claro, que Darín sempre é Darín e sua atuação está impecável. Algo que, felizmente, já estamos acostumados a ver, mas que não é suficiente para salvar essa fita. Kóblic pode parecer um personagem forte, batalhador e, acima de tudo, respeitável. Contudo, a preguiça criativa dos realizadores acabou falando mais forte, assim como a construção caricatural de uma cidade interiorana. O resultado dessa mistura é um longa sem química, sem glúten e sem lactose. E esquecível.

TRAILER LEGENDADO

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