O Terceiro Reich, um dos períodos mais nefastos da história da humanidade, ocasionando o holocausto de judeus, ciganos, negros, homossexuais e demais minorias ditas “impuras” pela sociedade nazista, é constantemente explorado pelo cinema, não só pelas incríveis vivências dos sobreviventes ou lembranças dos que tombaram, mas também pelo fato de ninguém conseguir propriamente explicar como a Europa permitiu que acontecesse. Por mais pesquisas e explorações, é praticamente impossível uma reconstituição integralmente verídica dos fatos, porém chegamos quase perto disso, sobretudo quando vamos desvendando casos peculiares, poucos conhecidos, como o de Maria Altmann, vindoura de uma nobre família polonesa judia, teve que fugir para os Estados Unidos para não ser vítima das atrocidades nazistas, acabou perdendo parte de seus bens milionários, dentre eles o quadro impávido de sua tia, chamado de “A Dama Dourada”, pintado por Klimt.

Maria Altmann (Helen Mirren na fase adulta, Tatiana Maslany na jovem) viveu nos EUA sempre com leve tristeza e vergonha do que seus conterrâneos permitiram fazer, abraçando os nazistas e expulsando os judeus, há notoriamente uma crise de identidade que se mistura entre o orgulho e o asco pela terra natal. O quadro de Klimt, pertencente à sua família, acabou nas mãos do governo polonês, sendo considerado a Monalisa do país, porém com base em cartas antigas e no testamento de seus familiares, Maria e um jovem idealista advogado (Ryan Reymonds) partem para o enfrentamento judicial para restituir as obras de artes furtadas pelo Estado nazista.  O grande problema é que o longa carece de uma carga dramática mais genuína e menos superficial, é tão previsível as vias nas quais ele chegará em seu desfecho, isso decepciona, sobretudo por ser um enredo fecundo, instigante, porém mal aproveitado, tornando-o quadradinho e metódico. Vi muitas pessoas comparando ao adorável “Philomena”, contudo não tem a mesma graciosidade que o filme de Judi Dench tinha,  direção tenta nos fazer pegar no tranco, abraçar a crise de identidade, porém não desenvolve ao ponto de nós a comprarmos.

A questão social sobre como o nazismo conquistou a Polônia deveria ser melhor desenvolvida, porém é trocado por questões judiciais pouco chamativas ao grande público, na realidade o próprio Reymonds desempenha um papel muito canastra, seu núcleo é totalmente desnecessário, tendo uma Helen Mirren tirando leite de pedra, mostrando o quão grandiosa é. A Dama Dourada não chega a ser um filme terrível, é interessante por mostrar um fato pouco conhecido, mas faltou uma garra maior comparável à de sua protagonista que chegou a suprema corte para enfrentar o governo polonês em busca de sua própria identidade. Faltou uma produção à altura de sua protagonista, nos deixando um filme mais do mesmo, fácil de esquecer, pesado de se ver. Uma pena.

TRAILER LEGENDADO

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