Crítica | Stranger Things | 2ª Temporada

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Stranger Things2ª Temporada (Netflix, 2016-); Criada por: Matt Duffer, Ross Duffer; Direção: Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy, Andrew Stanton, Rebecca Thomas; Roteiro: Matt Duffer, Ross Duffer, Justin Doble, Paul Dichter, Jessie Nickson-Lopez, Kate Trefry; Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Cara Buono, Matthew Modine, Noah Schnapp, Sadie Sink, Joe Keery, Dacre Montgomery, Sean Astin, Paul Reiser; Número de Episódios: 9 episódios; Data de Lançamento: 27 de Outubro de 2017;

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Uma duvida que pairava sobre Stranger Things era se a série tinha capacidade de sustentar-se sem as referências. Existia algo ali para além do apelo ao nostálgico? Na primeira temporada se podia confundir facilmente as coisas, mas é verdade que havia capacidade, sim, de se encontrar diversão. A segunda temporada parece mais galgada em sua própria mitologia, e confirma que pode, sim, também sustentar a si própria. Por vezes pode-se perceber, também, que tentar sustentar-se em referências é algo que nem sempre cai bem, como com Sean Astin, onde personagem e ator são referências ambulantes, mas que no fim das contas pouca função de fato oferecem.

Mas ainda estão ali todas as referências e toda a nostalgia que a série traz consigo, e que se fazem tão fundamentais para seu funcionamento. Mas Stranger Things parece amadurecer e se fazer cada vez menos dependente disso, talvez refletindo o crescimento de seus próprios protagonistas, que passam por um processo de transição conforme adentram a adolescência. O que culmina exatamente na sequência final dessa segunda temporada, e o que encontramos ali, com um quê de pesar, a princípio, mas que acaba por se tornar alentador, é um misto que sintetiza a experiência dessa fase pela qual passam.

É de extrema importância porque quando pensamos em Stranger Things, e a assistimos, o que se sobressaí é, de fato, a química do grupo de amigos. Não à toa “It: A Coisa”, co-estrelado pelo próprio Finn Wolfhard, emprestou um pouco disso, um ciclo de reciprocidade praticamente, visto o tanto que os irmãos Duffer tiram proveito do que a essência das obras de Stephen King (“A Torre Negra”) tem a oferecer, e com muito mais competência do que a grande maioria de adaptações feitas das obras do aclamado autor.

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O emocional é figura chave nesse segundo ano, muito pela experiência que se provou a temporada de estreia de Stranger Things. O que acontece é que se faz necessária essa conexão, diretamente causando o funcionamento catártico do postergado reencontro entre Eleven (Millie Bobby Brown) e o grupo de amigos em Hawkins, especialmente com o Mike de Finn Wolfhard. O jovem garoto, apesar de aparentar ficar de lado nesta temporada, tem justamente uma atuação mais sutil, onde mascara a dor que seu personagem sofre com o distanciamento de Eleven, que se desfaz em momentos de leveza, como quando na quadra com Maxine (Sadie Sink).

O que culmina, também, num falso triângulo amoroso que só o fato de ser compreensível de existir é preocupante, e equivocado de se tentar forçar por parte dos realizadores. Algo que podia muito bem ser evitado ou trabalhado e, ao invés de simplesmente colocar as duas personagens femininas contra si, criar algo muito mais grandioso. Creio que é algo a ser corrigido na vindoura terceira temporada, mas que não ameniza a decepção aqui. Ainda mais porque a Maxine de Sadie Sink é a melhor adição desta temporada, sua Max já começa o segundo ano da série fazendo menção a uma das maiores e mais satisfatórias reviravoltas nos blockbusters hollywoodianos recentes, e “Madmax” aquece nossos corações ao longo dos episódios, frutos do bom trabalho da jovem atriz e de uma personagem com personalidade forte.

Voltando ao reencontro, é uma jogada inteligente, ainda que previsível, da série, que segura ao máximo a jornada de Eleven, ou então Jane, até os últimos momentos possíveis. O costume de maratona difundido pela própria Netflix, porém, deixa um mal-entendido. É comum ver se desdenhar do sétimo episódio dessa temporada, mas é justamente sua deslocação que se faz bem-vinda. Sua intenção é justamente de acrescer ao suspense do caos que toma conta de Hawkins, enquanto aumenta a ansiedade do público. O episódio não é ruim por deslocar a trama, porém, é ruim por si próprio. ”The Lost Sister“ fica devendo tecnicamente, mas decepciona muito mais pelas atuações, que encontramos muito aquém até dos níveis mais contestáveis no núcleo principal de Stranger Things.

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É de se imaginar que parte da trama daquele episódio será desenvolvida em outras temporadas, porém é um desafio do qual os irmãos Duffer precisam se mostrar capazes de enfrentar. Isso tendo em mente que realmente soa deslocada a trama envolvendo a busca por justiça à vida de Barb (Shannon Purser), onde Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan (Charlie Heaton) acabam de certa maneira soterrados pelo restante -inclusive ofuscados frente ao desenvolvimento que recebe o personagem de Joe Keery-, seguindo por um caminho no qual Stranger Things não tem plena certeza de que quer trilhar. Soa tão deslocado que reflete o mesmo descaso que a personagem sofreu na primeira temporada, algo que aqui não se consegue contornar.

Esse deslocamento se faz muito mais grave quando o centro da narrativa nessa segunda temporada é o próprio irmão de Jonathan, Will Byers e sua sina. O que dá a Noah Schnapp uma oportunidade de demonstrar seu talento, diferentemente da primeira temporada, e o ator aproveita isso de maneira louvável. Enquanto ele brilha, no entanto, falta mais consistência a personagem de Winona Ryder, que infelizmente outra vez decai ao caricato mais do que devia. Outra adição que participa centralmente, mas é muito inferior aos demais, é Paul Reiser, que por fim não diz a que veio em um personagem que se faz um excesso na narrativa, apesar de se querer fazer parecer o contrário.

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Quem aproveita com voracidade a oportunidade que tem é David Harbour, indicado ao Emmy este ano pela primeira temporada da série e locutor do acalorado discurso quando a mesma ganhou o prêmio de melhor elenco no SAG ano passado. Os jovens no elenco chamam muita atenção justamente por sua idade e os papéis que têm de desempenhar, onde por vezes é requerido algo que muitas crianças não conseguem, o que não é nenhum demérito, e sim falta de experiência. Mas se há alguém que serve como termômetro da situação é o próprio ator, talvez o melhor que Stranger Things tenha a oferecer, vide a cena no último episódio, quando há um tocante diálogo de Jim Hopper com Eleven, a caminho do embate final.

Ademais, a segunda temporada de Stranger Things dá continuidade ao que foi feito em seu ano de estreia, se faz o simples de forma competente e nada além disso. Se há algo de extraordinário é justamente o clima de família que surge entre o elenco, aparentemente, e a química que exibem juntos em cena. Nomes como o de Andrew Stanton na direção de episódios aspiram a grandiosidade, mas falta a série da Netflix de fato arriscar um salto em busca daquilo que acredita ser.

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Crítica | Stranger Things | 2ª Temporada

Stranger Things – 2ª Temporada (Netflix, 2016-); Criada por: Matt Duffer, Ross Duffer; Direção: Matt Duffer, Ross Duffer, Shawn Levy, Andrew Stanton, Rebecca Thomas; Roteiro:

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