Dando continuidade ao especial em que nós redatores contamos para vocês quais são os filmes que marcaram nossas vidas, decidi traçar uma linha do tempo buscando encontrar o título que definisse cada fato marcante da minha trajetória cinéfila. Começando pela descoberta dessa paixão na infância, até um retrato do cenário atual brasileiro, construir isso só reforça porque a sétima arte é tão marcante em nossas vidas.

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INFÂNCIA          

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Toy Story ( 1995, John Lasseter )

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Ainda recordo claramente das minhas visitas a locadora nos finais de semana, em uma época que ainda se rebobinava fitas VHS. A sexta-feira era o momento que eu mais ansiava e parecia encontrar minha felicidade ali no meio daquela infinidade de títulos. Entre todos esses, “Toy Story” é o que tem um valor sentimental maior para mim. Na infância, eu era o Andy e sonhava que meus brinquedos também ganhassem vida quando eu não estava por perto. Em meados de 2009, quando a Pixar lançava o anunciado último filme da trilogia, tudo o que ele já significava na minha vida só se ampliou. Agora ambos estávamos saindo do colegial, prontos para dizer adeus a qualquer resquício da infância e começar uma nova etapa.

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NOSTÁLGICA SESSÃO DA TARDE

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Edward, Mãos de Tesoura ( Edward Scissorhands, Tim Burton, 1990)

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Ainda que pareça ter perdido um pouco sua magia atualmente, a “Sessão da Tarde” é marcante na vida de qualquer pessoa que aprecia um bom entretenimento. Inúmeros filmes ao longo dos anos ganharam a classificação de “Clássico” do programa, entre eles “Edward, Mãos de Tesoura“. Nessa época, Tim Burton aliava diversas qualidades que me chamavam a atenção – histórias emocionalmente marcantes, personagens excêntricos e o visual sombrio. Para completar, Johnny Depp e Winona Ryder formavam o casal dos sonhos, tornando suas reprises a mais esperada das tardes depois da escola.

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SONHOS DE ADOLESCENTE

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Quase Famosos (Almost Famous, 2000 – Cameron Crowe)

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Quando eu comecei a virar um adolescente, já sonhava em me tornar um jornalista e conhecer algumas das bandas de rock que escutava. “Almost Famous” era como a biografia do que eu desejava ser naquela época. No filme, um jovem vira uma espécie de jornalista amador de uma revista ao embarcar em um viagem para acompanhar a rotina de uma banda de Rock da época. A frase “”Um dia você vai ser cool. Olhe debaixo da cama, vai te libertar”, em que a personagem de Zooey Deschanel se refere a coleção de discos que deixou para o irmão, foi definitivamente um fato marcante para mim.

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AS CORES DE ALMODÓVAR

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Má Educação (La Mala Educacion, 2004 – Pedro Almodóvar )

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Depois da paixão por Tim Burton quando pequeno, Pedro Almodóvar surgia na minha vida tornado-se o diretor número um de uma fase um pouco mais madura. Conheci “Má Educação” nas matérias de jornal sobre cinema que saia todas as quintas aqui na cidade, mas tive de esperar um tempo até conseguir ter acesso a um filme que abordava temas considerados tabu para a minha idade, como homossexualidade e abuso sexual.  Todo aquele universo, suas cores, as mulheres presentes em outros filmes, personagens tão errados, mas tão apaixonantes me conquistaram como um amor a primeira vista. Em “Má Educação”, o diretor adicionou um certo erotismo que soava interessante em uma fase de descobertas sexuais.

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O PRIMEIRO CLÁSSICO

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Ladrões de Bicicleta (Ladri di Biciclette – 1948, Vittorio De Sica)

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Perto de completar 15 anos, eu comecei a juntar dinheiro e formar a coleção de DVDs que hoje já consigo mostrar com um certo orgulho. Sem muito acesso a downloads na época, comprar alguns filmes mais antigos era a única forma de conseguir assisti-los. Os elogios frequentes a “Ladrões de Bicicletas”, me despertaram curiosidade e esse é provável o primeiro clássico que vi. Contrariando o que eu esperava, o filme é uma obra extremamente simples, mas que reúne todas as qualidades e o impacto que esperava presenciar para comprovar porque ela é de fato marcante na história do cinema.

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O FRANCO FAVORITO

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Pulp Fiction: Tempo de Violência (Pulp Fiction, Quentin Tarantino – 1994)

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Até hoje quando sou questionado sobre qual é o meu filme favorito, a resposta é ágil: Pulp Fiction. Ao contrário do que costuma parecer, não sou um Tarantino fã, mas esse é um longa que me deixou em êxtase desde a primeira vez que assisti. Somente um diretor que já foi dono de uma locadora e assistiu filmes a exaustão poderia criar uma obra tão cheia de referências e capaz de inspirar tantos projetos futuros. É algo tão marcante em termos de personagens, cenas e diálogos, que a sua popularidade não poderia ser diferente. Imbatível!

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A DEUSA DO CINEMA

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Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959 – Billy Wilder)

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Marilyn Monroe é a figura mais fascinante da história do cinema. Lembrar a forma como ela me provocava já na infância, me faz perceber porque é uma das figuras mais importantes da sétima arte. Se “O Pecado Mora ao Lado” reúne a icônica cena do vestido, “Quanto Mais Quente Melhor” é indiscutivelmente seu melhor filme. Foi meu primeiro contato com a diva, bastante influenciado pela paixão que já mantinha pelas comédias de Billy Wilder na época. Depois disso foram inúmeras biografias, uma tatuagem e uma paixão que nunca terá fim. Se ela está distante de ser a melhor atriz do cinema, sem dúvidas é a figura mais hipnotizante já vista nas telas.

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AH, OS MUSICAIS!

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Cantando na Chuva (Singin in the Rain, Gene Kelly & Stanley Donen, 1952)

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Parece tão clichê ter “Singin in the Rain” como musical favorito e principal referência, mas é inevitável! É prazeroso descobrir um filme que vai totalmente além da famosa cena de Gene Kelly cantando na chuva e encontrar uma obra que fala sobre a própria sétima arte, mais precisamente a passagem do cinema mudo para o falado. Até hoje me pergunto como podem existir pessoas que não conseguem se contagiar e entrar no clima dos musicais, o que não é raro de encontrar.

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A OBRA-PRIMA MODERNA

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Sangue Negro (There Will Be Blood, Paul Thomas Anderson, 2007)

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Paul Thomas Anderson é um dos diretores mais geniais da história do cinema americano. Poucas vezes me vi tão impressionado com o conjunto da obra como nesse filme. Pela primeira vez, tive a sensação de ter acompanhado, desde estreia, recepção, premiações, um filme que com toda a certeza entraria para a história do cinema mundial. É grandioso, desde a complexidade do roteiro, fotografia e a atuação monstruosa de Daniel Day-Lewis como o petroleiro Plainview. Eu estava diante de um fato que poderia me orgulhar em contar no futuro.

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MINHA CULTURA

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O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (Brasil, Glauber Rocha – 1969)

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Quando eu assisti “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”, eu já tinha um bom conhecimento sobre cinema brasileiro. Ainda assim, sentia carência de uma obra que sintetizasse de forma completa toda a cultura de nosso povo. Glauber Rocha sempre foi um nome que me despertou curiosidade, mas mesmo depois de assistir “Terra em Transe” e “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, ainda não havia encontrado nenhuma obra que me conecta-se totalmente com seu cinema. Em “O Dragão da Maldade…”, cordel, ópera, ritos folclóricos, se misturam em um filme elogiado até por Martin Scorsese, que gravou um vídeo descrevendo seu amor pelo colega brasileiro e essa obra em especial. Me identifico muito com um dos trechos, onde o cineasta cita que mesmo sem conhecer a situação social e econômica do país na época, conseguiu absorver todo o impacto e as críticas que Rocha buscava provocar.

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ALTMAN PARA SEMPRE!

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Short Cuts – Cenas da Vida (Short Cuts, Robert Altman – EUA/1993)

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Existem ainda muitos filmes que quero assistir e sempre existirá, mas acho que somos capazes de definir quando chegamos em um nível de amadurecimento em que podemos anunciar o nosso diretor definitivo. A paixão por Almodóvar não esfriou, foi apenas Altman que chegou tardiamente na minha vida conquistando-a por completo. Ainda que fascinado por obras como “Três Mulheres” e “O Jogador”, é impossível não marcar o diretor com um filme que reúne uma de suas principais marcas registradas – as múltiplas histórias. Em “Short Cuts” personagem surgem, vão embora e se encontram das maneiras mais inusitadas! É maravilhoso descobrir a referência de obras tão amadas como “Magnólia” e ainda perceber que temos em comum a paixão pela atriz que viria a ser sua musa – Shelley Duvall.

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NO MEU PAÍS

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Que Horas Ela Volta? ( Brasil, 2015, Anna Muylaert)

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Fazem poucas semanas que o filme “Que Horas Ela Volta?” estreou,  mas não me soa exagerado coloca-lo em uma lista de tamanha importância pessoal. No longa, Val saiu do Nordeste anos atrás para se tornar doméstica em São Paulo e agora sua filha Jéssica faz o mesmo, desta vez para prestar vestibular de arquitetura em uma grande universidade, competindo a vaga com o filho dos patrões da mãe. O drama de Anna Muylaert é o reflexo de um novo Brasil para os jovens como eu, que apesar das dificuldades abre um leque de possibilidades de avanço social. É esperar as premiações americanas do próximo ano para ver ainda que sua relevância não termina aqui.

 

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