Por se tratar de um filme do Cameron Crowe, “Sob o Mesmo Céu” tinha potencial para ser uma comédia-romântica de qualidade inegável, com personagens marcantes e ideia singular. Entretanto, Crowe desde “Compramos um Zoológico” vem mostrando um desgaste criativo,  evidenciando uma fórmula batida, seus personagens sempre curiosos tornaram-se insossos, os diálogos decaíram a pieguice, difícil acreditar que o mesmo diretor e roteirista de “Quase Famosos” fez um filme tão inverossímil, artificial e vazio, mais ainda perturbador notar como um elenco promissor foi desperdiçado de forma lastimável. Um retrocesso tremendo no qual o principal perdedor é o cinema e seus amantes.

A estória gira em torno de Brian (Bradley Cooper), um ex militar reduzido a lobista de um excêntrico multi-milionário (Bill Murray) que visa lançar um satélite privado, aquém do controle da NASA/governo americano. Seria uma trama simples se não fosse o fato de tudo se passar o Havaí, local com raízes e superstições nativas fortes, de alguma forma tudo isso está conectado aos personagens, seja a ex-namorada que cansou de esperar e se frustou no casamento (Rachel McAdams) ou a militar que segue à risca as normas e claramente detém respeito as superfícies (Emma Stone). No meio disso tudo há muito romance, conspirações e homenagens a terra oriental americana, estas que seriam mais coerentes se algum dos protagonistas tivesse mesmo descendência nativa, não sendo meros coadjuvantes irrelevantes.

O mais constrangedor é como o roteiro beira a superficialidade, os diálogos são péssimos, por mais original que seja a premissa, a construção dos personagens e suas interações são dadas de formas artificiais, não convincente e nem empático, beirando tudo no lugar comum. A direção de Crowe aproveita o máximo de seu roteiro irregular, causando constrangimento aos seu bom elenco, Bradley Cooper canastra, Rachel McAdams e Emma Stone são carismáticas porém não mostram a que veio, Bill Murray até está a vontade em seu papel, mas é sabotado por seu diretor, caindo no esquecimento no final das contas.

Realmente é difícil se fazer comédia romântica sem cair na mesmice, contudo Cameron Crowe era um dos poucos que já mostrou como fugir dessa fórmula. Infelizmente, parece que ele perdeu a mão, nos entregando mais um filme desnecessário, esquecível e bobo. Deixando a polêmica étnica pra lá, analisando apenas como cinema plenamente, é algo de baixa qualidade e, sobretudo, vazio. Uma lastima.

TRAILER LEGENDADO

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