Crítica | Mulher-Maravilha

Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017); Direção: Patty Jenkins; Roteiro: Allan Heinberg; Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Connie Nielsen, Elena Anaya, Lucy Davis; Duração: 141 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Drama; Produção: Charles Roven, Deborah Snyder, Zack Snyder, Richard Suckle; Distribuição: Warner Bros. Pictures; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 01 de Junho de 2017;

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A euforia que antecede o lançamento de Mulher-Maravilha (Wonder Woman) diz questão não somente sobre os percalços que a Warner vem enfrentando com a adaptação do Universo da DC para os cinemas, com três filmes recebendo cotações negativas, um inclusive sendo eleito o pior do ano no nosso site, e uma recepção moderada do público, com números de bilheteria não completamente satisfatórios. O filme de Patty Jenkins, porém, traz algo a mais consigo, há um significado para além de uma insatisfação com o que se viu até então. Uma boa recepção transcende os limites que dizem respeito ao acerto neste Universo Estendido, porque é algo raro um filme protagonizado por super-heroína chegar às telas, dirigido por uma mulher chegamos aqui a uma primeira vez. Com Jenkins no posto de direção há outro marco histórico no cinema: é a primeira vez que uma mulher dirige um filme live-action com orçamento superior a U$ 100 milhões. Tudo isso é importante por questões de equidade e representatividade, mas também é fundamental porque vemos essas conquistas refletidas num filme que entende o que representa. Patty Jenkins e Gal Gadot captam isso plenamente e transmitem com graciosidade em um filme que é necessário e indispensável, ainda que tenha alguns deslizes.

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Mulher-Maravilha não deixa de ser, afinal, um produto que precisa ser vendido. Aí retornamos a uma história de origem e todo o percurso de uma história usual de filmes de herói. Inclusos aí estão os alívios cômicos, em formas de piadas ou como personagens coadjuvantes, assim como um lado emocional carismático que dá ao público de um blockbuster uma sensação superficial de aconchego. Como funcionam, pesa menos a falta de desenvolvimento desses personagens mais marginais à trama, como a própria Etta Candy de Lucy Davis (Better Things), entre outros. Há também um excesso em algumas piadas, que na grande maioria das vezes são funcionais, o problema é quando se estendem simplesmente por parecer uma sequência agradável ao público. São leves, mas sobrecarregam o filme e se fazem sentir assim em certos momentos, quando não servem ao propósito de levar a narrativa adiante. Até mesmo os vilões, interpretados por Danny Huston e Elena Anaya, sofrem um pouco com isso, quando seus personagens soam mais caricatos, como uma resolução a um desenvolvimento aquém de antagonistas a altura da Diana de Gal Gadot. As motivações da personagem de Elena Anaya, ainda que escassas, rendem ao menos uma das cenas mais intensas do filme ao lado de Chris Pine (A Qualquer Custo), onde ambos fazem um ótimo trabalho.

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Com exceção de Danny Huston e David Thewlis, por se banharem em exageros, todo o elenco faz um ótimo trabalho. Gal Gadot e Chris Pine são os principais responsáveis por prenderem a atenção. Este segundo, assim como seu personagem, é capaz de sair de um estereótipo comum e do reles interesse romântico, rendendo inclusive a melhor catarse do filme, mas sempre colocando o papel da protagonista em voga. Gal Gadot, portanto, brilha. O que é visto em Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice) chega a ser emulado aqui, mas Mulher-Maravilha tem sua própria faceta. Num conjunto de um bom desenvolvimento da personagem, com uma boa e carismática atuação de Gadot, através da visão de Patty Jenkins, a Diana da atriz passa a representar aquilo que se espera da Mulher-Maravilha, daquilo que se espera de um filme da personagem. O ápice disso, porém, vem no momento equivocado ao que se deseja, muito porque a sequência durante o front na Terra de Ninguém é mais bem resolvida do que o clímax do filme. Ali, quando vemos Gal Gadot pôr a uso pela primeira vez sua armadura, numa revelação da indumentária da personagem, é de tirar o fôlego. Vive radiante uma figura central ao Universo Estendido da DC.

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Contudo, vivemos dois extremos ao longo de Mulher-Maravilha. O início do filme, desde a juventude de Diana até sua partida de Themyscira, são um sopro de ar fresco, onde a história de origem da personagem se faz singular, com Patty Jenkins acertando inclusive no uso da câmera lenta, onde as Amazonas encontram junto ao filme uma identidade própria. Do outro lado há o clímax e o embate com o grande vilão que, dada as circunstâncias, se revela também uma aposta superficial. Falta aqui, porém, o que sobra ao início. Clareza e segurança parecem dar lugar à ingenuidade da personagem principal frente ao mundo humano, e o excesso visual de efeitos, muito aquém em qualidade também, torna a batalha numa bagunça só. Pior, é resolvida através de algo tão piegas que chega a ser constrangedor, e por isso mesmo o deslumbramento almejado deixa a desejar em relação ao que se vê, pois há algo em melhor forma no ato anterior. Entretanto, até lá Mulher-Maravilha cumpre seu propósito, se mostrando um filme que empolga por seus anseios como blockbuster, mas também sustenta a promessa desse grande filme protagonizado e dirigido por mulheres, numa narrativa que age com inspiração para com o seu público.

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