Crítica | Logan Lucky – Roubo em Família

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Logan Lucky – Roubo em Família (Logan Lucky, 2017); Direção: Steven Soderbergh; Roteiro: Rebecca Blunt; Elenco: Channing Tatum, Adam Driver, Riley Keough, Katie Holmes, Farrah Mackenzie, David Denman, Jack Quaid, Brian Gleeson, Katherine Waterston, Seth MacFarlane, Hillary Swank, Daniel Craig; Duração: 118 minutos; Gênero: Comédia, Drama, Thriller; Produção: Reid Carolin, Gregory Jacobs, Mark Johnson, Channing Tatum; Distribuição: Diamond Films; País de Origem: Estados Unidos; Estreia no Brasil: 12 de Outubro de 2017;

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Tendo anunciado que se aposentaria da realização de longas-metragens, a inquietação de Steven Soderbergh se fez superior. Felizmente para nós, espectadores.

Depois do ótimo telefilme “Minha Vida Com Liberace” (“Behind the Candelabra”) e da finada série -mas fadada a viver em nossas memórias como uma das melhores da década- “The Knick”, o cineasta retorna ao meio que o consagrou e com um filme cuja temática certamente trará a memória “Onze Homens e Um Segredo” (“Ocean’s Eleven”) e suas continuações.

Logan Lucky – Roubo em Família (ou simplesmente Logan Lucky) reflete o amadurecimento do cineasta, mesmo tendo ele já atingido seu ápice na década passada. A realidade é que aqui Soderbergh consegue dar uma identidade tão plena a seu filme que se gera a segurança necessária para as tentativas que vemos dar certo, assim como o funcionamento orgânico dos elementos que ajudam a compor o resultado final.

Longe de ser aquilo que os melhores trabalhos do cineasta são capazes, ainda assim é exacerbante a competência do que vemos realizado no filme, que consegue flutuar entre entretenimento da melhor qualidade, ao emocional que gera uma conexão singular a um thriller de assalto inteligente, cuja reviravoltas garantem crescentes surpresas e uma recompensa final admirável.

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Logan Lucky mergulha na realidade de seus personagens, que não fogem de estereótipos. Escolha essa que é fundamental para como vemos se desenrolar o plano do roubo. Mas há um alinhamento entre o leviano e o altamente calculado, justamente criando essa identidade que faz o filme ser aquilo que é.

Isso porque o estilo do humor que encontramos é bastante peculiar, dependente desse estereótipo caipira que encarnam Channing Tatum (Kingsman: O Círculo Dourado), Adam Driver (Paterson), Riley Keough (Ao Cair da Noite), Daniel Craig e companhia. Uma peculiaridade que se vê refletida no ritmo que Soderbergh explora no filme, que é bem mais cadenciado e calmo do que se pode imaginar a princípio.

Como consequência, sequências de ação são, por exemplo, mínimas, se é que há alguma que possa assim ser considerada. A grandiosidade do espetáculo, para Soderbergh, reside mais no resultado final da obra do que em cenas, ou sequências todas, que barulhentas impregnam Hollywood sem qualquer originalidade e, na maioria das vezes, se fazendo completamente desinteressantes.

Mais do que bem-humorado, o filme consegue equilibrar tão plenamente seus extremos que as transições de cenas entre eventos paralelos e a insurgência de alívios-cômicos e gags recorrentes se fazem harmoniosas, providenciando uma experiência que é puro deleite e que tira proveito das inúmeras referências que Soderbergh consome ao longo do ano (ver aqui).

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Ainda que nenhum nome do elenco tenha um destaque extraordinário individualmente, todas as participações são mais que válidas, mesmo que até as poucas cenas de Sebastian Stan ou Hillary Swank. Esta última que, em poucos minutos em cena, nos magnetiza em sua personagem, que rouba a cena, muito pelas circunstâncias.

A química e o carisma que esbanjam o elenco, torna o trabalho conjunto memorável. A irmandade entre Adam Driver e Channing Tatum é hilária, ao mesmo tempo que inusitada e carinhosa. Essa afeição é reproduzida por todo o filme, onde Logan Lucky consegue fazer com que nos importemos com todos seus personagens.

Daniel Craig é um que parece se divertir horrores com seu personagem, e é muito bom vê-lo fora da sua zona de conforto. Um Joe Bang que certamente renderá risadas por diversas razões. Nem mesmo Seth MacFarlane decepciona, e acerta em cheio na construção de seu personagem, que tem uma pequena, mas importante participação.

Falta maior atenção do filme, contudo, com suas personagens femininas. Katie Holmes, por exemplo, vai de encontro ao estereótipo de sua personagem, mas falta algo para que o arco se complete com plena satisfação. Com Riley Keough até entendemos sua personagem, mas falta mais ação para comprovar a ideia que se quer vender; não porque ela precisa provar algo, mas por soar mais artificial e se distanciar do que se quer fazer parecer que é. Por fim, Katherine Waterston (Alien: Covenant) é reduzida a três cenas num arco dispensável que em nada aproveita o talento da atriz, decepcionando.

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Há, porém, uma consistência incontestável em Logan Lucky – Roubo em Família, onde o roteiro afiado da desconhecida novata Rebecca Blunt conversa perfeitamente bem com o cinema de Steven Soderbergh, rendendo uma parceria muito bem orquestrada, revelando um talento enquanto confirma a longevidade de outro. De quebra ainda se pode fazer uma leitura muito mais profunda, que diz respeito a forma como consumimos conteúdo hoje em dia. Há fundamento para tal, e o próprio ritmo do filme parece fazer chacota com essa dependência virtual do espectador. Contudo, há também uma leviandade tão bem trabalhada e inteligente que só nos resta gargalhar.

TRAILER LEGENDADO:

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