Em meados da década de 90, se popularizou a pratica de escaladas nas principais montanhas do mundo, sendo o Monte Everest, no Nepal, o maior desafio para qualquer um dos aventureiros. Se aproveitando nessa onda, vários montanhistas renomados resolveram criar agencias especializadas em escaladas, comercializando simplesmente a montanha, muitas vezes de forma irresponsável, levando pessoas sem a capacidade necessária para tamanho feito. Alguns desses exemplos são as companhias Mountain Madness, de Scott Fischer e a Adventure Consultants, de Rob Hall, além de outras ao longo do mundo. Era questão de tempo para que algum evento desastroso acontecesse, eis que em 1996 acontece uma grande tragédia decorrente do fato de super-lotação do Monte, colocando a vida de vários aventureiros em risco, é retratando esse episódio que “Evereste” chega aos cinemas, mostrando o alpinista Rob Hall (Jason Clarke) liderando um grupo de aventureiros, dentre eles o jornalista Jon Krakauer (Michael Kelly), que acompanha a expedição, publicando o best-seller No Rarefeito, servindo de base para o filme.

Na expedição de Hall, há todos os tipos de figurões, o carteiro que anseia mostrar sua capacidade (John Hawkes), o montanhista com problemas familiares (Josh Brolin), em certo ponto junta-se a eles os aventureiros do grupo de Scott Fischer (Jake Gylenhall), montanhista de outra companhia, porém que é obrigado a se juntar aos concorrentes devido a “fila” que o Everest enfrenta. Enfim, é uma premissa muito simples que tenta retratar aquele momento particular nos anos 90, quase que um surto, ocasionando uma das maiores tragédias da história. Desde o início do longa já dá pra perceber que algo de muito grave está prestes a acontecer, ou seja, o espectador já fica na apreensão dos eventos que serão desenrolados, o problema não é nem a previsibilidade disso, mas é a falta de construção nos personagens, por exemplo, o Rob Hall é um aventureiro tão carismático e empático que esquecemos o oportunismo dele em explorar o montanhismo, levando pessoas incapacidades para cima. Já Josh Brolin e Robin Wright formam um casal em crise, mas nada explícito, apenas sugerindo, o que confunde um pouco o público. Jake Gylenhall tem o melhor personagem, um tipão que se acha auto-suficiente e não liga de ser o que ele realmente é.

Me parece que o roteiro adaptado é bem fiel e consistente ao livro de origem, não exalta nenhum dos figurões, tão pouco tem pena em retratar suas mortes, algumas acontecem de forma até banais, mas com uma câmera leve, sem vícios. A argumentação é bem incisiva, referente aos limites do homem, ao poder da natureza e o respeito que devemos ter por ela, o capitalismo selvagem explorador que não tem o menor senso em colocar a vida de terceiros por lucro… Tudo um pouco manjado, porém bem feito, divertido, consegue transportar o público para a montanha, nos colocando no lugar dos aventureiros. É um filme que consegue ter qualidades técnicas impecáveis que são complementares a narrativa, seja pelo som fantástico, a fotografia deslumbrante e a direção precisa em captar o sentimento humano em detrimento da selvageria da natureza. É um longa-metragem lindo em vários aspectos, peca talvez por sua simplicidade, mas não deixa de ser uma grande experiência, que deve ser aproveitada ao máximo numa sala de cinema, com o melhor sistema de Som e Imagem (IMAX, por favor), para nos levar ao limite da montanha. Só não vale ter medo de altura!

TRAILER LEGENDADO

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