A Noite dos Mortos Vivos (The Night of the Living Dead) obra de George Romero, recentemente falecido, completa 50 anos com uma restauração em 4K exibida pela sétima edição do Olhar de Cinema.

É uma homenagem extremamente apropriado, sobretudo pela atualidade do filme, ironicamente. Numa sessão que adentrou noite adentro, o longa de Romero soa uma experiência singular para qualquer um.

Com uma estória banal, o filme narra a visita de dois irmãos ao túmulo de seu pai. A partir daí eles encontram um homem que tenta devora-los.

Logo, eles começam a ser sitiados numa casa no meio do nada, onde outros sobreviventes a esse ataque iminente também se abrigam.

Resta a pessoas tão diferentes, traumatizadas, resistirem e encontrarem um meio de sobreviver, enquanto os mortos vivos marcham sedentos por carne humana.

O uso da trilha sonora como condutor narrativo é um dos grandes méritos de A Noite dos Mortos Vivos, pois é um dos pilares auxiliadores do público, na criação de uma conexão com aqueles personagens.

Não há sutilezas no filme, é tudo escancarado, o que torna tudo ainda mais instigante ao público, que também fica sedento para saber o destino daqueles indivíduos em meio ao apocalipse.

O som tem um papel tão primordial que o próprio designer de som, antes da exibição dessa cópia, conta um pouco sobre como foi o processo de gravação.

Sem esse recurso, seria uma obra bastante bucólica, graças a isso ganha proporções experimentais.

A obra é extremamente cínica e atual, na forma da sátira da “zumbificação” da sociedade americana, mais pertinente do que nunca.

Além disso, tenta desconstruir os arquétipos de masculinidade e fragilidade feminina, o tornando ainda mais irônico.

A Noite dos Mortos Vivos é uma crítica direta aos Estados Unidos, que passavam por uma plena ebulição por direitos sociais, um levante de “zumbis” que acordavam para vida.

Hoje, a guerra está sendo vencida pelos homens amantes das armas, também expostos no filme.

É irônico como um filme desses ainda tem muito a nos dizer.

Romero, mais do que nunca, vive.

Confira nossa cobertura do 7º Olhar de Cinema.

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