A Pé Ele Não Vai Longe (Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot, 2018); Direção: Gus Van Sant; Roteiro: Gus Van Sant; Elenco: Joaquin Phoenix, Jonah Hill, Rooney Mara, Jack Black, Mark Webber, Carrie Brownstein; Duração: 113 minutos; Gênero: Biografia, Comédia, Drama; Produção: Charles-Marie Anthonioz, Mourad Belkeddar, Steve Golin, Nicholas Lhermitte; País: Estados Unidos; Distribuição: Diamond Films; Estreia no Brasil: 27 de Dezembro de 2018;

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Gus Van Sant é um diretor que cresceu no nicho independente, ganhando maior notoriedade com filmes como “Elefante (2003)” e “Paranoid Park (2007)“, aonde analisava os espectros da juventude contemporânea. Comum cineastas pouco ortodoxos como ele acabarem se rendendo ao cinema mainstream, seja filmando blockbusters ou projetos quadrados, mais paleáveis aos grandes públicos -consequentemente, com maior orçamento. O diretor começou com “Milk – A voz da Igualdade (2008)“, onde inclusive chegou a ser indicado ao Oscar de melhor direção, e agora continua com “A Pé Ele Não Vai Longe“. Diferente de “Milk“, Van Sant faz deste novo filme um projeto quase pessoal, misturando elementos autorais com os moldes mais tradicionais, claramente sendo influenciado pelo estúdio. O resultado acaba ficando pela metade.

A estória foca no cartunista John Callahan (Joaquin Phoenix), que ficou tetraplégico após um acidente de carro decorrente de uma noite de bebedeira. Callahan era assumidamente alcoólatra e começou a frequentar um grupo de Alcoólatras Anônimos para tentar preencher o vazio, o qual a bebida não conseguia. Em paralelo, nos deparamos com a aceitação de sua nova condição, tentando lidar ainda com problemas aos quais o conflitava, como o fato de ser órfão. A partir daí, vemos essa história quase de redenção. É uma premissa pouco original, num filme que tenta encontrar um tom autoral, graças ao trabalho de direção de Gus Van Sant, que tenta mesclar as diferentes passagens na vida do protagonista. Contudo, o estilo hollywoodiano impregnado na película torna a obra bastante estéril da ousadia ao qual o diretor tanto propõe.

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Joaquin Phoenix (Maria Madalena) encarna bem o desafio de gerar empatia num personagem tão conflitante, porém o maior mérito principal é não se resumir aos trejeitos físicos, sobretudo ao fato de ficar grande parte do filme numa cadeira de rodas, deixando fluir esse fato. É uma performance baseada no físico, contudo, não usa isso como muleta para deixar a construção de personagem no fio da autopiedade, um fato muito comum nesse tipo de personagem, onde se valoriza mais a condição e o esforço do ator do que o personagem em si -alô Eddie Redmayne. O elenco de apoio faz boa função, sobretudo Jonah Hill, talvez em uma de suas melhores atuações, entretanto, o roteiro não consegue construir seu personagem de forma mais instigante, ficando no limiar do superficial, assim como os demais coadjuvantes do longa, que acrescentam mais na trajetória de Callahan do que como personagens individuais.

Gus van Sant claramente não fica confortável fazendo filmes tão quadrados, ele realmente não encontra voz nesse meio. Entretanto, não dá para dizer que seja um projeto tão pessoal, o próprio é amigo do cartunista e se esforçou para contar sua história da forma mais grandiosa possível. Apesar de ser pouco inventivo, quase previsível, não deixa de ter um caráter de um bom entretenimento, com alguma reflexão. Nada mais que isso.

E para um cineasta de obras como a Palma de Ouro de Cannes, o já citado “Elefante“, isso deixa um pouco a desejar.

“A Pé Ele Não Vai Longe” – Trailer Legendado:

Esse texto faz parte da cobertura do 20º Festival do Rio.

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