Os tempos estão difíceis. Instabilidade política e econômica; desigualdades sociais aumentando; crise de representatividade; polarização. Em momentos como este, sempre surgem extremismos, soluções “mágicas” que vão resolver todos os problemas com atitudes bastante questionáveis. Sinfonia Para Ana, nesse contexto, se torna assustador, principalmente pelo fato de que os mesmos movimentos que estavam se organizando na época pré ditadura argentina de 1976, estão se repetindo no Brasil e no mundo e, mais uma vez, fica-se na discussão boba entre direita e esquerda, enquanto um grupo nada bem intencionado vai tomando o poder.

O filme é muito efetivo em apresentar o contexto político pré golpe focado no movimento estudantil. A partir do momento em que os reitores “de esquerda” são deliberadamente substituídos por outras pessoas, os estudante percebem que existem algo errado e uma resistência surge para tentar impedir os retrocessos. Concomitantemente, acompanhamos a história de amor de Ana e Lito. Mesmo que estejam em partidos diferentes, eles mantêm uma paixão muito forte e, juntos começam a lutar contra as dificuldades que o período impõe.

A narrativa é construída com uma mistura sensorial de música, fatos históricos e romance, divido em três atos. No primeiro temos o início das tensões políticas e o início da relação Ana e Lito; no segundo, o estreitamento do amor e no terceiro, as consequências do golpe. A despeito do roteiro estar bem estruturado, criando o clímax e resolvendo os pontos que se propõe a discutir, a montagem é um tanto quanto confusa, tendo em vista que não estabelece um padrão, beirando a prolixidade. Ademais, os 120 minutos de projeção poderiam ser reduzidos para 100, no máximo. E isso fica claro quanto o filme parece que vai terminar umas 4 vezes.

Problemas à parte, não tem como negar a importância de Sinfonia Para Ana e a forma como resgata tempos que não devem ser esquecidos. Com efeito, já tivemos diversas produções sobre o tema, porém, nunca será demais. Sempre haverá uma maneira diferente de abordar o assunto. O mais importante, por fim, é que tenhamos em mente que estamos em um momento muito semelhante ao retratado na fita. E o pior é que continuamos achando que não há possibilidade de uma nova ditadura surgir.

About the author

Editor-Chefe do Cine Eterno. Estudante apaixonado pelo universo da sétima arte. Encontra no cinema uma forma de troca de experiências, tanto pelas obras que são apresentadas, quanto pelas discussões que cada uma traz. Como diria Martin Scorsese "Cinema é a importância do que está dentro do quadro e o que está fora".

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