Tivemos inúmeros personagens marcantes, construídos de forma a hipnotizar o público, nos colocando do seu lado, vendo seu ponto e vista e o levando após o término da sessão. Coincidência ou não, foi um dos anos nos quais as personagens femininas dominaram e eclipsaram os homens, mostrando quanto esse século de fato é o século das mulheres. E como a Arte ainda está num saldo negativo com elas. Aqui alguns dos que mais me pegaram, ao longo deste ano.

Ultron (Vingadores 2)


O personagem nos quadrinhos já tem uma ideia interessante, da inteligencia artificial que tenta ser acima do homem que a criou, se comparando à figura de Deus. O Ultron dos cinemas carrega essas raízes, mas é personificado como uma versão macabra de Pinóquio, querendo se livrar de suas amarras e construir um mundo “ideal”. É um personagem digital com altas nuances humanas, graças à James Spander que empresta sua voz e torna Ultron uma sedutora ameaça.

 

Emoções (Divertida Mente)

A Pixar sempre foi boa em construir personagens, dando emoções singelas e naturais. Agora eles resolvem dar emoções as nossas próprias emoções… O resultado é um dos mais plurais possíveis, proporciona inúmeros debates e ratifica como cada emoção é codependente de si, afinal a gente precisa curtir AQUELA bad pra poder valorizar a alegria, não é?

Val e Jéssica (Que Horas Ela Volta?)


Mãe e filha, respectivamente, são antíteses em sua essência. Uma carrega a ideia daquele Brasil retrógrado, com poucas oportunidades e excludente, já outra cresce na geração das oportunidades, da justiça social e de um país mais justo. São ideias sociais personificadas sem beirar ao panfleto político ou a superficialidade, ambas são encantadoras e nos fazem pensar naquelas Val’s e Jessicas da nossa vida real.

Kate (45 Anos)


Que relacionamentos são difíceis ninguém precisa falar, ainda mais um casamento de 45 anos. Agora imagina se você percebe que, após quase cinco décadas casada, sua relação não é aquilo que você imaginava e nem seu marido é com quem você achou realmente que se casou. É um baque, uma bomba literal que vai explodindo e dissolvendo o casamento de Kate e a ela mesma. É uma personagem difícil, talvez por tentar racionalizar demais o sentimento, algo que pode parecer ideal, mas soa frigido e sádico, sobretudo com a conclusão final. Kate é uma mulher comum, mas seu diferencial é que ela se vê diante de uma ruptura na qual o recomeço é o ideal. Porém é um caminho no qual ela deve percorrer só.

Imperatriz Furiosa (Mad Max: Estrada da Fúria)


O filme se chama Mad Max, mas quem rouba a cena mesmo é a Imperatriz Furiosa, facilmente a personificação do feminismo diante da opressão de uma sociedade – e indústria – machista. Ela é tão sensacional que realmente esquecemos da figura do homem, torcemos incansavelmente por ela, sobretudo para que tenha um desfecho triunfante. É uma das personagens memoráveis que nos deixam na torcida para que possamos reencontra-la em outra oportunidade.

Sandra (Dois Dias, Uma Noite)


Ver sua atriz favorita tendo uma personagem tão grandiosa é pra morrer de felicidade, né? Sandra é uma personagem social grandiosa, você sente seu desespero, se coloca em seu lugar, porém em seu desfecho fica em uma encruzilhada difícil de escolher. Para além dos debates sociais e morais, Sandra é uma personagem humana singular, pratica empatia e se esforça para fazer o possível para solucionar sua crise. Diante do seu desfecho, segue em frente e vai em busca de novas oportunidades. Uma lição de vida nem um pouco moralista ou piegas, mas sim linda.

Fletcher (Whiplash)


A figura do professor sempre foi exaltada, seja onde for, é muito difícil desconstruir esta que é considera a profissão mais nobre existente. Eis que Fletcher é a rigorosidade para além do aceitável, é o sadismo que tenta por torturar seus alunos em busca da perfeição, uma meta de sua vida. Dá para compreende-lo ao mesmo tempo que repudia-lo.

Havana Segrand (Mapa para as Estrelas)


Chega a ser grotesca essa personagem, no entanto ela é simplesmente encantadora. Bizarro, não? Havana Segrand é o vale tudo em Hollywood, a inveja, o desrespeito, as puxadas de tapetes, não há limites pro sucesso. Julianne Moore dá um show na construção de uma personagem que tinha tudo para ser caricata, mas a torna um grande alfinete para a indústria. Incrível.

Riggan (Birdman)

Falando em ataques ao cinema, Riggan é mais um personagem controverso, pois ao mesmo tempo que tenta exaltar à indústria, também ataca. Principalmente pela superficialidade dos roteiros e dos personagens hoje em dia, como os atores precisam se “encapar” em um filme de super-herói para conquistar futuros papéis notórios, caso do próprio Michael Keaton que ficou no ostracismo por décadas após interpretar o Batman. O filme é uma sátira da vida dele, porém não duvido que sirva futuramente para outros astros, como Robert Downey Jr e Chris Evans. A Conferir.

 

Rey (Star Wars – O Despertar da Força)

Para aqueles que achavam Katniss referencia maior de protagonista feminina em filme comercial, saibam que ela caiu por terra e foi muito bem substituída por Rey, personagem da empática Daisy Ridley. A personagem tem fortes veias femininas, não se curva perante os homens que tentam dizer o que ela deve fazer, tão é cabeça dura e se proíbe de senti. Ela é uma personagem que parece ter muito ainda a oferecer, se sua apresentação já mostrou o GIRL POWER, ficamos na expectativa de vê-la ainda mais. “Por quê você está pegando minha mão?” uma metáfora dos abusos sexuais casuais que ocorrem no dia-à-dia, como por exemplo o caso dos “encoxadores” nos ônibus e metros. Enfim, Rey é o reflexo da indústria aderindo ao espaço maior das mulheres, realmente as coisas começam a mudar. Ainda que a passos lentos, mas começam.

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