Título Original: Foxcatcher

Direção: Bennett Miller

Roteiro: E. Max Frye e Dan Futterman

Elenco: Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Vanessa Redgrave, Sienna Miller

Produção: Anthony Bregman, Bennett Miller, Megan Ellison e Jon Kilik

Estreia Mundial: 19 de Maio de 2014 (Festival de Cannes)

Estreia no Brasil: 22 de Janeiro de 2015

Gênero: Drama

Duração: 129 minutos

Classificação Indicativa: 16 Anos

Steve Carell is John E. Dupont in Foxcatcher

Bennet Miller, em todos os seus filmes, sempre soube de forma espetacular desenvolver seus personagens. Vimos isso em Capote, quando ele nos apresenta uma das melhores performances de Philip Saymour Hoffmann – a qual inclusive rendeu um Oscar de Melhor Ator -, e presenciamos isso, inclusive, em O Homem que Mudou o Jogo, no qual ele nos introduz uma dinâmica perfeita entre Brad Pitt e Jonah Hill, igualmente rendendo indicações para ambos ao grande prêmio da Academia. Foxcatcher, como já podíamos esperar, também se fulcra em suas atuações, entretanto, ao contrário do que havíamos visto nos outros longas do diretor, não se mostra competente em outros quesitos como roteiro e até, em alguns momentos, na própria direção, resultando em uma produção que beira a chatice.

Temos aqui retratada a história baseada na vida real de Mark Schultz (Channing Tatum de Magic Mike) que, na tentativa de sair da sombra de seu idolatrado irmão, Dave (Mark Ruffalo de The Normal Heart), aceita o convite de John Du Pont (Steve Carell de The Office) para se mudar para a mansão “Foxcatcher”, ajudando a formar uma equipe preparatória de Luta Greco-romana para os Jogos Olímpicos de 1988. Com o passar do tempo, Mark acaba criando um vínculo patriarcal com Du Pont, passando a segui-lo, inclusive, em atitudes que acabam por desviar o protagonista da sua caminhada esportiva.

FOXCATCHER

Desde a primeira cena do filme, já percebemos que a vida de Mark se resume em ser lutador: ele não tem amigos, não tem namorada(o), vive sozinho. Sua grande companhia é seu irmão que é basicamente o seu oposto, pois tem uma família, tem circulo social. Enfim, este acaba ofuscando aquele. A partir do momento em que o protagonista conhece Du Pont, ele não hesita em sair da guarda do irmão para ir tentar a nova vida. Entretanto, o personagem é deveras influenciável e paranóico, não conseguindo ter opinião própria; sempre necessitando de alguém para chancelar suas escolhas. Channing Tatum consegue trazer toda essa complexidade e insegurança do personagem de maneira brilhante, desde seu olhar quase sempre para baixo – como se estivesse seguindo ordens – até quando, em determinada cena, ele tenta se mostrar superior, mas sempre mantendo a sua inferioridade quase que inerente.

De outro lado, Du Pont sempre tenta manter um ar de superioridade, seja pelo seu dinheiro, seja pela forma como ele se dirige a todos os atletas da Foxcatcher. Porém, por trás de toda essa aparente força, há, no fundo, uma criança frustrada que ainda tenta de todas as maneiras provar para sua mãe (Vanessa Redgrave de Blow-up: Depois Daquele Beijo) que merece respeito pela vida que escolheu. Steve Carell em um desempenho bastante interessante vai aos poucos tirando a máscara do seu personagem que vai se transformando do grande herói para o grande vilão. O excesso de maquiagem, porém, acaba retirando um pouco da expressão facial do ator que, mesmo trabalhando muito bem com seu olhar, acaba sendo sabotado.

Que as atuações iam ser no mínimo excelentes eu não tinha dúvida alguma, porém, a maior decepção, foi ver o diretor Bennet Miller e os roteristas E. Max Frye e Dan Futterman fazerem escolhas um tanto quanto erradas. Os diálogos são extremamente truncados, haja vista que eles não vão dando impulso para a narrativa que acaba por ficar entediante – principalmente no segundo ato. O mesmo pode ser dito na direção, Miller, por exemplo, aposta em planos abertos nos momentos de luta, tirando totalmente o clima de expectativa de quem será o vencedor (além de usar uma trilha sonora quase que fúnebre, em momentos que não são necessários). Outro grande problema está na fotografia que claramente tem por objetivo ser mais real, assemelhando-se a um “ringue” de luta. Porém acaba ficando muito artificial em cenas internas. Nos momentos de batalha, então, fica mais evidente ainda.

FOXCATCHER

Foxcatcher se mostra, por fim, um filme de personagem e para por ai. Entretanto é preciso mais do que isso para sustentar um longa. É necessária uma direção segura, junto com roteiro bem construído que auxilie o espectador a embarcar na história sem que caia na monotonia. Os atores conseguem segurar boa parte do primeiro e terceiro ato, mas durante o segundo, é preciso se mexer um pouco na cadeira para não acabar dormindo.

TRAILER LEGENDADO

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