Crítica | Velozes e Furiosos 7

Crítica | Velozes e Furiosos 7

 

 

Título Original: Furious 7

Direção: James Wan

Roteiro: Chris Morgan

Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jason Statham, Tyrese Gibson, Dwayne Johnson, Ludacris, Jordana Brewster

Produção: Vin Diesel, Michael Fottrell e Neal H. Moritz

Estreia Mundial: 3 de Abril de 2014

Estreia no Brasil: 2 de Abril de 2014

Gênero: Ação

Duração: 137 minutos

Classificação Indicativa: 14 anos

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Quando tomei conhecimento que James Wan, meu diretor de terror favorito da atualidade, ia conduzir Velozes e Furiosos 7 fiquei dividido: uma metade de mim ficou feliz por ver ele saindo da zona de conforto, indo para um gênero totalmente diferente; e outra metade ficou bastante receosa, uma vez que as chances dessa mudança brusca falhar eram realmente grandes. Eis que em meio as filmagens, ocorre a fatal tragédia culminado no falecimento de Paul Walker que, claro, abalou todo mundo, inclusive os rumos da produção. Após alguns ajustes ali e aqui, decide-se terminar o filme utilizando-se de dubles e irmãos do ator. Após o fim da projeção, com algumas lágrimas no rosto em função da linda homenagem feita (já, já comento sobre isso), chego a conclusão que a franquia, mesmo em seu sétimo filme, está turbinada (desculpa, não consigo evitar os trocadilhos) como nunca e muito longe do seu fim.

Seguindo o gancho deixado no final do filme anterior, Velozes 7, já inicia usando e abusando dos clichês apresentando o vilão Deckard Shaw (Jason Statham) que busca vingança pela morte do irmão. Como não poderia ser diferente, esse espirito vingativo vai cair sobre Dom (Vin Diesel) e sua turma do barulho composta por Brian (Paul Walker), Letty (Michele Rodrigues), Tej (Ludacris), Roman (Tyrese Gibson) e Hobbs (Dwayne Johnson). A trama vai se desenvolvendo toda nesse jogo de gato e rato: um ataca de um lado para, depois, o outro atacar. Entretanto, engana-se quem acha que essa estrutura narrativa fica chata em algum momento. A forma como o roteiro é construído, mesmo que seja bastante óbvio, funciona: as piadas vêm na hora certa, as cenas de ação vão sendo ponderadas até chegarmos no clímax e o drama, mesmo sendo raso, convence.

Um dos grandes responsáveis por, pela primeira vez, fazer com que todos esses elementos da fita funcionem em conjunto é, sem dúvida, James Wan. Assim como falei na minha critica de Invocação do Mal (que você pode ler aqui), Wan sabe lidar com clichês. Ele consegue, de certa forma, revitalizá-los pelo simples fato utiliza-los da maneira correta ou até por adicionar um que outro elemento – é o que acontece nas cenas de luta, por exemplo. Ele ainda utiliza os ângulos e as câmeras muito parecidas com o que já vimos antes na franquia, porém adiciona em um momento uma inversão de eixo ou um giro 360º. Além disso, o diretor consegue manter um ritmo frenético por mais de duas horas sem nunca cansar ou cair na mesmice.

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Outro grande trunfo da película consiste no fato dela não se levar a sério. Se tem uma coisa insuportável no cinema, é aquele tipo de filme que tenta criar um peso dramático e, não conseguindo sustentá-lo, acaba caindo na chatice de querer ser o que não é. É o caso, por exemplo, de Os Mercenários que começou bem no primeiro e foi decaindo miseravelmente por não saber dar o tom correto. Em Velozes isso não acontece. Eles sabem que carro não voa; eles sabem que a física não existe e nem precisa existir no mundo deles; aliás, até piada com isso eles fazem. Enfim, conseguem criar um universo que sustenta todos esses absurdos, deixando-os incrivelmente legais e divertidos.

Antes de terminar, vou falar sobre Paul Walker. Então, se você ainda não assistiu ao filme, pule para o próximo parágrafo, pois, a partir de agora, vou fazer breves comentários sobre o final da fita. Assim como Vin Diesel, acho ele um péssimo ator, entretanto, reconheço que isso nunca foi relevante para a franquia, uma vez que a afeição criada era pelos personagens e pela “familia” que eles criavam. Eu tinha muito medo que os produtores pegassem o caminho mais fácil e viessem a matar o personagem e olha eu aqui, mais uma vez, subestimando a capacidade da franquia por puro preconceito. A homenagem feita é de uma extrema sensibilidade e que mostra o motivo do sucesso dos longas. Há muito mais que apenas carros turbinados e várias cenas de ação; há companheirismo, confiança e amizade. Isso fica claro na cena da praia na qual vemos Brian brincando com seu filho aparecendo, logo depois, ao lado de Dom em um carro branco seguindo um caminho diverso. O personagem está ali, só que agora tem uma família para cuidar e não pode mais continuar com a turma. Simples, direto e verosímil.

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Se antes eu estava dividido, agora tenho 100% de certeza de que Velozes e Furiosos 7 é uma grata surpresa. Tem todos os requisitos de um blockbuster de sucesso, mas não no sentido Transformers da vida. É bem feito, bem dirigido e não se leva a serio. É um filme honesto e que não tem pretensão de ser nada a além. É divertido e ponto.

TRAILER LEGENDADO

About the author

Editor-Chefe do Cine Eterno. Estudante apaixonado pelo universo da sétima arte. Encontra no cinema uma forma de troca de experiências, tanto pelas obras que são apresentadas, quanto pelas discussões que cada uma traz. Como diria Martin Scorsese "Cinema é a importância do que está dentro do quadro e o que está fora".

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