Título Original: Dawn of The Planet of The Apes
Direção: Matt Reeves
Roteiro: Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver
Elenco: Andy Serkis, Gary Oldman, Keri Russell, Jason Clarke
Produção: Peter Chernin, Dylan Clark, Rick Jaffa e Amanda Silver
Estreia Mundial: 11 de Julho de 2014
Estreia no Brasil: 24 de Julho de 2014
Gênero: Ação/Drama/Ficção Científica
Duracão: 130 minutos
Classificação Indicativa: 12 Anos

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Em 2011, totalmente desacreditado devido ao histórico da franquia, Planeta dos Macacos: A Origem surpreende a todos com a sua qualidade em trazer um produto destinado às massas sem a tratar – como a maioria dos outros insiste – de forma estúpida, trazendo tudo mastigado. 3 anos depois, chega aos cinemas o segundo filme dessa provável trilogia, aprofundando ainda mais o enredo que provavelmente fará a ligação da película original com os novos.

Por causa da gripe símia, quase toda população humana é dizimada, sobrando apenas aqueles que, por questões genéticas, conseguem ser imunes à doença. Enquanto isso, uma nova civilização de macacos liderados por Cesar (Andy Serkis de O Hobbit) vem surgindo e se estabelecendo. Até então, há uma clara separação entre os povos, nenhum interfere no outro. No entanto, a aldeia na qual vive a pequena população de sobreviventes está ficando sem energia. A única alternativa para resolver essa situação é ativar uma hidrelétrica que está em território símio. Em um primeiro momento, apesar das desconfianças mútuas, há um início de diálogo entre as duas civilizações o qual gerara um ambiente tranquilo de ajuda entre os povos, inclusive. No entanto, por erros de ambos os lados, a guerra acaba por ser inevitável.

Um dos aspectos corajosos da produção reside no fato de não se apoiar em um antagonismo declarado. Não há um vilão e um mocinho, não existe um lado certo e um errado. Ocorre um retrato de que há, tanto da parte dos macacos, quanto dos humanos, dissonâncias de pensamento. Uns buscam a paz, outros querem o confronto. Infelizmente, o diálogo em ambas civilizações acaba por não funcionar – algo que enfrentamos há anos em nossa geopolítica com a impressão de que a paz é cada vez mais uma utopia.

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Essa ideia de não colocar nenhuma antítese clara na narrativa funciona até o momento em que o roteiro a esquece. Há uma tentativa de colocar Koba como o grande vilão. Não que isso seja o problema, mas a forma como foi feita, prejudica bastante o terceiro ato, uma vez que suas atitudes são extremamente forçadas ao ponto de ele chegar em cima de um cavalo metralhando todo mundo ao estilo Rambo, enquanto nos outros atos, mesmo com seu temperamento mais exaltado, seu personagem segue uma maior lógica.

No primeiro longa, grande parte da evolução dos macacos se deu por estímulos humanos, os quais também foram responsáveis pela contaminação que os dizimou. No segundo, devido ao isolamento entre homem e macaco, percebemos a rápida adaptação que os símios tiveram: já conseguem, além de se comunicar através de gestos, desenvolver a habilidade de escrita e fala – até então, só Cesar podia; já domam cavalos; controlam o fogo. Enfim, atividades que demoramos milênios até conseguir dominar completamente.

Em Planeta dos Macacos: A Origem, a despeito da ótima qualidade dos efeitos de captura, em alguns momentos soava um pouco falso, uma textura que outra não combinava muito. Dessa vez, não há discussão, os níveis de detalhamento beiram a perfeição, e o diretor não tem medo de mostrar. Nos momentos de diálogo entre os símios, ele fecha o plano e as nuances são cada vez mais perceptíveis e críveis. Para que o CGI funcione e tenha o impacto pretendido, é necessário uma boa fotografia, e, sem dúvida, as escolhas de Michael Seresin (que já foi responsável por Expresso da Meia Noite) são muito inteligentes. O aspecto sombrio permeia toda a projeção, porém há momentos em que as cores pendem para o mais quente e outros que pendem para o mais frios, fazendo uma evidente referência à ambiguidade dos personagens e, claro, às desconfianças de ambas as partes.

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Ademais, a forma como como o diretor nos apresenta os dois mundos é deveras interessante. Logo no início da projeção, somos apresentados a aldeia onde os símios estão vivendo e, por estarmos na perspectiva desse novo povo, sentimos um ambiente acolhedor. Em um outro momento, voltamos a esse lugar sob os olhos dos humanos e a impressão passada é que estamos em um lugar perigoso e sombrio. Mais uma prova do acerto da parceria entre o diretor e o diretor de fotografia.

Planeta dos Macacos: O Confronto é uma continuação que faz jus ao seu antecessor, ainda que não consiga superá-lo. Temos aqui uma junção da quase perfeição da captura de movimento, aliada a um bom roteiro e a uma boa direção que, mesmo com alguns deslizes, nos entregam um dos candidatos a melhor blockbuster desse ano – e, quem sabe, da realização do meu sonho de ver Andy Serkis indicado ao Oscar de melhor ator por Cesar. Tá na hora, por favor.

TRAILER LEGENDADO

2 Comments

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