Crítica | LEGO Batman: O Filme

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LEGO Batman: O Filme (The LEGO Batman Movie, 2017); Direção: Chris McKay; Roteiro: Seth Grahame-Smith, Chris McKenna, Erik Sommers, Jared Stern, John Whittington; Duração: 104 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Comédia; Produção: Dan Lin, Roy Lee, Phil Lord, Christopher Miller; Distribuição: Warner Bros. Pictures; País de Origem: Estados Unidos, Austrália, Dinamarca; Estreia no Brasil: 09 de Fevereiro de 2017;

Confira, também, a crítica em vídeo de Márcio Picoli, clicando no player acima! Aproveite e clique aqui para conhecer o nosso canal do YouTube!

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Das injustiças mais recentes no Oscar, uma das maiores sem dúvidas foi a falta de reconhecimento, dois anos atrás, ao menos com uma mera indicação, a Uma Aventura LEGO (The LEGO Movie) que, lançado 3 anos trás, abriu as portas para o que agora é uma franquia que pretende ser multimilionária, mas, ao que parece, sem deixar a criatividade se esvair. Não que seu primeiro derivado seja uma história recheada de novidades, longe disso, mas LEGO Batman: O Filme mantém aquilo introduzido no filme de Phil Lord e Christopher Miller e raramente se contenta com a simplicidade de se contar uma história convencional. Como uma sátira do que agora parece ser um gênero, o de filmes de super-heróis, a animação de Chris McKay se sai melhor, por exemplo, até do que o tão adorado pelo público Deadpool. Contudo, ainda carecia de uma reviravolta que assumisse riscos tais quais Uma Aventura LEGO fez, praticamente quebrando a estrutura de uma forma positiva e inteligente.

LEGO Batman mantém a estética até inusitada do primeiro filme e a aproveita de maneira igualmente divertida. O que abre as portas para a mesma insanidade do outro filme. A brincadeira com o gênero do filme funciona ainda melhor que no exemplo dado porque, ao se tratar de uma animação, existe uma certa confiança maior no público, ao menos no fato em que se aceitará algo diferente. Por isso a estética dos blocos é tão importante. Num universo que se pode construir o que quiser, e com os direitos que a Warner então obtém sob outros produtos, tornam esta uma aventura que surge com uma identidade própria, mas que sabe se aproveitar de outrem com certa sagacidade.

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Talvez seja pisar na ferida, ou negligenciar respeito ao próprio público -o que é ainda mais grave-, a própria animação fazer piadas com Esquadrão Suicida, por exemplo. Porém, esse autoconhecimento da situação permite uma metalinguagem que providencia sequências memoráveis, como a reconstrução em LEGO de cenas marcantes da trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, ou até mesmo outras reencarnações pelas mãos de Tim Burton, ou mesmo a que origina o título tão famoso do herói, nas mãos de Frank Miller. Esse próprio escárnio que a animação tem pelo seu protagonista demonstra o quanto se domina a tênue linha entre a seriedade e o cômico.

Por tais motivos, quando perde essa pegada têm seus momentos menos brilhantes. Há duas grandes catarses emocionais no clímax da animação, mas LEGO Batman, ainda que mantenha o bom-humor durante elas, as estende por mais tempo que o necessário. O que ocorre porque o filme no todo toma gosta por demais com a gag que está utilizando, assim não se dando conta de que acaba por desgastá-la. Seria aqui, nesse momento, que viria a calhar uma reviravolta tal qual o mundo real quando introduzido em Uma Aventura LEGO, porque por mais que se possa contestar, dizendo que ainda lá recaía num melodrama, é verdade que dava uma nova nuance ao do mundo animado, completamente fictício.

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Não que isso condene a animação cruelmente, pelo contrário. Somente fica claro o quão pouco faltava para que LEGO Batman: O Filme se tornasse tão ou mais memorável que seu antecessor. Porque, uma vez mais, conversa com públicos em geral sem perder o fio da meada. Não precisa apelar a ingenuidades de maneira boba para fazer apenas as crianças rirem, e se investe em uma gag ela tem a pretensão de fazer a família toda rir, do mais jovem ao mais velho. Nem todas sempre funcionam, assim como algumas apenas um público mais adulto, é verdade, captará plenamente a comicidade. São detalhes sutis inseridos que muitas vezes parecem um ornamento sem outro propósito que não o de completarem um cenário, e que podem guardar mais do que um olhar inocente aprecia.

LEGO Batman: O Filme abraça uma ideia por completo e não tem medo de assumi-la, se brinca com o universo Marvel o faz de forma saudável, se esquivando do peso que o próprio Universo da DC nos cinemas se impõem, meio a desculpas esfarrapas, inclusive seus próprios filmes sofrem com a mesma brincadeira nesta animação. Para o que se espera de um filme do Batman, este não é nada convencional e, ainda assim, funciona muito melhor do que se podia esperar. Bem-humorado e compreensivo com seu público, uma animação parece entender o protagonista em sua plenitude, e brincar com isso. Quem ganha, no fim das contas, somos nós.

Trailer Dublado:

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