Havia muito furdúncio em torno da adaptação do livro A Culpa das Estrelas (no original, The Fault in Our Stars) de John Green, devido ao tremendo fenômeno que a obra se transformou, conquistando legiões de fãs e seguidores. As expectativas em torno do projeto pareciam inevitáveis, tanto para os leitores do material original quanto para os meros apreciadores do cinema, visto a mudança na concepção dos filmes “teen’s” após o delicado “As Vantagens de Ser Invisível”. A esperança central seria justamente a ânsia desta adaptação seguir esta tendencia, aprimorando-a.

O longa consegue atender esta expectativa central, mesmo não escapando de alguns equívocos um tanto desnecessários. Contudo, apesar dos erros, o somatório de acertos ultrapassa a mediocridade e oferece ao expectador uma obra recheada de melancolia, sensibilidade e emoção.

Acompanhamos logo de início a odisseia da jovem Hazel Grace (Shailene Woodley), precocemente diagnosticada com câncer, necessitando carregar perpetuamente um tubo de oxigênio a fim de sobreviver. Após insistência de sua mãe (Laura Dern), ela começa a frequentar um grupo de auto-ajuda para jovens na mesma situação, repudiando a ideia no início, até ela conhecer  Augustus (Ansel Elgort), com quem inicia uma amizade que aos poucos se constrói em uma relação fecunda. O problema é que ambos têm uma enfrentam inúmeras adversidades, forçando-os a amadurecer e enfrentar os respectivos conflitos, mas sem perder a esperança, apesar de tudo.

O trunfo principal seria o longa conseguir ser digerível para todos os públicos, não se limitando apenas aos fãs do livro. Ele não se propõe apenas a se comunicar com quem já trás consigo a essência do material original, o filme tenta na verdade proporcionar este sentimento a fim de conquistar o público e ainda torna-lo mais acessível ao livro.  Infelizmente, os problemas do roteiro caem justamente na obra original, devido a um tanto exagero no melodrama, além de, em determinados momentos, ser manipulativo e até forçado. Porém, a naturalidade no qual a estória se desenrola hipnotiza o expectador, fazendo-o participar do longa.

Vale a pena falar que, após o término da sessão, eu havia ficado descontente com o excesso do melodrama, porém um colega do ramo me apresentou outro olhar ao filme, me fazendo perceber a sensibilidade e delicadeza num assunto difícil em retratar- a ânsia de viver em contramão de sobreviver de forma vegetativa. Tal perspectiva faz toda diferença, pois torna o expectador mais aberto as propostas centrais do longa-metragem.

Shailene Woodley, que já havia mostrado ser promissora em “Os Descendentes”, reafirma seu talento, personificando de forma empática e encantadora uma personagem com tendências ao exagero. Apesar de Woodley ser a alma do longa, Ansel Elgort consegue ter bons momentos, além de ter uma química nata com a protagonista. Quem surpreende positivamente é a veterana Laura Dern, bem contida e ótima nas oportunidades que seu papel apresenta, retornando aos bons caminhos que já a consolidaram.

“A Culpa É das Estrelas” consegue se afirmar como promissor filme “teen”, retratando de forma melancólica e sensível o desejo vigoroso por viver em meio a incerteza da sobrevivência. Um longa bastante humano, onde o principal alvo é mostrar o quão forte o ser humano consegue ser, mesmo convivente diariamente com suas fraquezas e medos. Uma lição um tanto que dura, mas dada de forma construtiva e genuína.

 

~TRAILER LEGENDADO~

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