Festivalizando | Artista do Desastre

Artista do Desastre (The Disaster Artist, 2017); Direção: James Franco; Roteiro: Scott Neustadter & Michael H. Weber; Elenco: James Franco, Dave Franco, Seth Rogen, Alison Brie, Zac Efron, Josh Hutcherson, Jacki Weaver, Ari Graynor, Jason Mantzoukas; Duração: 98 minutos; Gênero: Biografia, Comédia, Drama; Produção: James Franco, Vince Jolivette, Seth Rogen, James Weaver, Evan Goldberg; País: Estados Unidos; Distribuição: Warner Bros. Pictures; Estreia no Brasil: 25 de Janeiro de 2018;

É interessante enxergar o envelhecimento de um filme, transitando demasiadamente de status. Muitas vezes uma obra é aclamada momentaneamente devido a vários fatores externos, porém, após um tempo de maturação acaba por perder o fôlego e relevância, esse é o caminho mais comum das obras cinematográficas. Contudo, o mais instigante de se ver mesmo é quando determinado projeto é triturado por crítica e público, taxado como um fracasso e, anos depois, reascende com título de cult. É o que aconteceu com The Room (2003), um filme independente nascido na amizade de dois atores com poucas perspectivas no ramo artístico. Diante disso, ambos decidem fazer o próprio projeto, dando a si mesmos as próprias oportunidades, no entanto ninguém disse que precisava ser uma oportunidade realmente boa. O roteiro é extremamente bizarro, talvez um dos piores já feitos na história, sem exageros. As atuações conseguem ser mais artificiais que comerciais de margarina. Nada se salva em si, mas ainda assim a obra conseguiu ganhar muita notoriedade e aclamação recentemente. Assim, James Franco, um fã confesso do bizarro, decide contar a história da jornada de criação da obra em Artista do Desastre.

Tommy Wiseau (James Franco) é uma figura totalmente exótica, seja pelo seu sotaque estrangeiro, sua vestimenta, sua fonte de riqueza desconhecida, seu estilo espalhafatoso emulando uma espécie de fusão de Drácula com Frankenstein… ele sonha em ser ator e pratica vários cursos no ramo, num deles conhece Greg (Dave Franco), um ator esforçado porém bastante engessado, que acaba enxergando em Tommy uma espontaneidade realmente genuína. Os dois então vão se aproximando, começam a morar junto em Los Angeles e tentam uma carreira na grande Hollywood. Entretanto, dada a tamanha falta de oportunidades, os dois decidem fazer um filme para se promover. Daí nasce o tal do The Room, um filme que se propõe a ser uma história de amor e amizade e também traição. Todavia, no decorrer das filmagens a relação dos grandes amigos é posta à prova, sobretudo por Tommy se mostrar excessivamente controlador e manipulativo.

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O roteiro escrito por Scott Neustadter e Michael H. Weber, responsáveis pela pérola indie “500 Dias com Ela (2009)” e as adaptações dos romances “A Culpa é das Estrelas” e “Cidades de Papel“, conseguem construir um script com ótimas tiradas, não se resumindo ao nível de sátira propriamente. Aproveitando os personagens reais para usar de temáticas universais, por mais bizarros que sejam, os anseios e sonhos de figuras que desejam ser compreendidas, terem o mínimo raio de luz possível para serem vistas e não jogadas tão à margem, frente a uma cidade excludente ao padrão hollywoodiano de beleza, talento ou perfeição. O roteiro consegue ser engenhoso, ter boas sacadas e fugir do banal, onde tinha tudo para permear. Contudo, a direção de James Franco é tão pouco inspirada, é engessada, onde seu maior mérito é repetir os mesmos planos e takes do The Room, emulando o gozo cômico mesmo, nada muito inspirador. Não deixa de ser uma pena, pois um diretor mais autoral e com maior visão cinematográfica conseguiria ter feito de Artista do Desastre um filme realmente redentor.

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Ainda assim, o filme é extremamente engraçado, divertidíssimo até dizer chega. Tanto James Franco quanto Dave Franco estão ótimos interpretando seus personagens, principalmente por terem aquela compreensão da áurea de quem realmente são, portanto não fazem uma caricatura de figuras bizarras, dando uma construção de personagem interessante. É um filme ao qual o público deve gostar, sobretudo pelas tiradas engenhosas dadas, é bem capaz inclusive que muitos vão desejar assistir o material original após a sessão, eu conferi e realmente não foi algo muito agradável. Artista do Desastre é um filme que literalmente não se deve ser levado a sério e, talvez, esse seja seu maior mérito.

Artista do Desastre – Trailer Legendado: