Crítica | Alien: Covenant

Alien: Covenant (2017); Direção: Ridley Scott; Roteiro: John Logan e Dante Harper; Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Carmen Ejogo, Callie Hernandez, Amy Seimetz; Duração: 122 minutos; Gênero: Aventura, Ficção Científica, Terror; Produção: Ridley Scott, Mark Huffam, Michael Schaefer, David Giler, Walter Hill; Distribuição: Fox Film do Brasil; País de Origem: Estados Unidos, Reino Unido; Estreia no Brasil: 11 de Maio de 2017;

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Alien, O 8º Passageiro (Alien) é praticamente um marco para o gênero de ficção científica no cinema que, combinado com o terror e uma exímia execução, de 1979 até hoje respira com graciosidade e, para os que não o conhecem, se faz sempre uma bem-vinda descoberta. Quase uma década após o lançamento do original, no entanto, James Cameron praticamente reinventou a produção em sua continuação e ali se estabeleceu o início de uma franquia que, em anos posteriores, viria a sofrer com crises de identidade e um caminho recheado de percalços e grandes decepções. Motivo este pelo qual, provavelmente, Ridley Scott teve certo receio ao retornar a franquia em 2012, quando lançou Prometheus, um filme que temia em se relacionar diretamente ao nome de seus antecessores, mas que ansiava por todos os louvores que o diretor havia recebido décadas atrás. Algo pelo qual ainda se busca em Alien: Convenant, porém, agora abraçando de maneira mais calorosa as ideias da mitologia esboçada, mais especificamente, nos dois primeiros filmes. O problema é que Ridley Scott já não é mais o diretor que um dia foi, e sequer possuí o cacoete de James Cameron, cuja estilo é bastante divergente, para criar sequências de ação quando necessário.

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Recheado de ambições, o filme quer restabelecer a aura do original, enquanto mantém as atualizações pelas quais o próprio cinema do diretor passou ao longo dos anos. Há uma sofisticação embasbacante, algo bastante semelhante ao que se viu em Prometheus e Perdido em Marte (The Martian). Aliás, há pouca novidade nesta sequência em relação ao filme de 2012 e ambos funcionam com extrema similaridade, inclusive nos deslizes que os dois cometem ao longo do caminho. Até mesmo personagens em determinadas posições de comando encontram problemas com suas crenças. Há muitos detalhes na tentativa de uma construção de um panorama diversificado de personagens, contudo, nenhum apresenta carisma suficiente algum para que nos importemos, nem mesmo Danny McBride, conhecido pelas comédias que estrela -geralmente ruins-, tem possibilidade de fazer algo mais leviano e que balanceie as características dos personagens. Aqui, a funcionalidade é muito parecida com a de Perdido em Marte, mas, numa situação completamente adversa, os personagens têm peso diferente daquele no filme protagonizado por Matt Damon. Este filme antecessor na carreira do diretor, aliás, parece sintetizar em sua trama sobre a NASA muito do funcionamento do cinema de Ridley Scott. Aí reside grande parte da inflexibilidade de seu cinema e a superficialidade do funcionamento de Alien: Covenant.

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O filme recebe uma forma, técnica ou estética, o que preferir, concretizada e amplamente difundida, portanto, competente. Ao menos em parte. O conteúdo que a preenche, porém, levanta questionamentos sobre os próprios questionamentos do filme. A sedenta busca pela origem parece refletir exatamente a tentativa de Ridley Scott em encontrar aquilo que um dia foi. Falta, contudo, muito para que o diretor se reencontre com sua própria voz. A racionalidade apresentada em Alien: Covenant, que apela mais ao conhecimento lógico, vê sua filosofia esbarrar em um funcionamento que é plenamente mecânico, mas que parece sem vida. Mesmo os possíveis sustos e momentos de tensão são advindos de questões circunstanciais. Falta certo sentimentalismo, por assim dizer. O que se vê representado nos próprios personagens ao longo do filme. A maneira como eles são, de fato, construídos e elaborados para o filme, e não pelo filme, os torna tão artificiais que a racionalidade que se quer aparentar possuir é uma armadilha imposta pelo filme para si próprio. Não há qualquer esboço de emoção em acontecimentos que são meras alegorias que parecem estar sempre a nossa espera, pois há, também, uma narrativa que em pontos se mostra de uma obviedade redundante e até ingênua.

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Em dado momento parece haver a percepção dessa situação, o que culmina numa tentativa final de inovar o que até então era mais do mesmo. Narrativas são, obrigatoriamente, questões de pontos de vista, tanto que, durante o clímax, somos apresentados a outro ponto de vista, apelando a literalidade e atestando a inutilidade, ou desperdício, de um elenco recheado com nomes de talento e personagens vazios, que são apenas aparências. O que determina por completo a esterilidade de Alien: Covenant é o quão erroneamente contemplativa a produção acredita ser. Há apenas a reprodução de conceitos, cuja exploração dos mesmos não parece ser uma busca de respostas, mas uma afirmação do que a pretensão já acredita ser a verdade. A busca por uma afirmação do incerto se vê refletida, também, na busca de um sintético em meio a suas limitações. Talvez o filme de 1979 tenha se sobressaído e conquistado vitalidade maior, bem como terá uma sobrevida também, que seu próprio criador. Resta a frustração, ao menos ao público, de se contentar com uma réplica incapaz de reproduzir novas possibilidades. Se apenas Ridley Scott se atentasse que a resposta que tanto busca está logo a sua frente…

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