Coyote vs Acme 01

Crítica | Coyote vs. Acme

Parece inevitável falar de “Coyote vs. Acme” sem lembrar de que o filme teve seu cancelamento anunciado pela Warner Bros. Pictures em 2023, que preferia utilizar a produção já completa como uma nota de rodapé para abater impostos, ao invés de o lançar nos cinemas. Depois de muita comoção, o estúdio voltou atrás e decidiu vender a produção para que outra empresa pudesse distribuir nos cinemas. O filme de Dave Green é quase intrínseco a essa história, porque trata justamente de uma “pessoa” contra uma grande corporação, no caso a “pessoa” é Wile E. Coyote, enquanto a corporação é a Acme, empresa da qual o personagem animado recebe toda espécie de produto em sua incessante caçada ao Papa-Léguas, mas como qualquer bugiganga se mostra defeituosa, nosso protagonista encontra no advogado Kevin Avery (Will Forte) uma saída que pode mudar sua vida para sempre; isso se a Acme permitir. Ou seja, é até irônico que de tantos filmes possíveis para se desfazer, a Warner tenha escolhido justamente este, quase num ato de negação como se “Coyote vs Acme” fosse um reflexo do que o estúdio se tornou após sucessivas vendas que levaram a decisões questionáveis e desumanas como essa, descartando o trabalho de inúmeras pessoas como se fosse nada.

Coyote vs Acme 02

É tudo muito relacionável com “Coyote vs. Acme”, que encontra uma forma de humanizar e sensibilizar a história de Wile E. Coyote sem ser piegas e sem deixar o bom-humor de lado, afinal, o roteiro de Samy Burch -indicada ao Oscar pelo excelente “Segredos de Um Escândalo”- é bastante sagaz ao entender o anti-heroísmo de seu protagonista, até porque o contrapõe a vilania caricatural da corporação Acme junto a conivência governamental dos Estados Unidos, enquanto também satiriza o estilo de vida estadunidense de “liberdade” acima de tudo, dando um sentido através de um humor bastante ácido a essa caçada incessante. E também é um ótimo retorno dos Looney Tunes, ainda que alguns dos principais nomes façam apenas pequenas pontas aqui e ali, mas que são sempre memoráveis, e ressaltam, principalmente, a integração entre realidade e animação do filme de Dave Green, que é bastante funcional e divertida de acompanhar. Essa mescla de humanos e desenho é bem trabalhada não apenas pelo roteiro, mas imageticamente, sabendo integrar os dois mundos e criando gags inventivas. A grande questão é que o lado dos desenhos é sempre mais interessante que o dos humanos, e boa parte do elenco humano é subaproveitada e desperdiçada em personagens genéricos ou propagandas de carros.

A grande força do filme reside mesmo em seu protagonista, e Wile E. Coyote está numa “atuação” de gala. É fenomenal todo o trabalho envolvendo o personagem, tanto visual como narrativamente, e toda sua jornada se faz valer a pena. É uma experiência catártica de acompanhar, onde se arranca de risadas até emoções mais complexas, tudo fruto de uma trama bem trabalhada e desenvolvida que transformam um filme comum em algo memorável, porque “Coyote vs. Acme” se faz um dos melhores live actions dos Looney Tunes justamente pela  maneira como retrata tão bem seu protagonista e sua jornada “Sisifiana”.

Coyote vs. Acme” – Trailer Legendado:

Coyote vs. Acme” (2026); Direção: Dave Green; Roteiro: Samy Burch; Elenco: Will Forte, Lana Condor, John Cena, P.J. Byrne, Eric Bauza ; Duração: 103 minutos; Gênero: Comédia; Produção: Chris DeFaria, James Gunn; País: Estados Unidos; Distribuição: Paris Filmes; Estreia no Brasil: 27 de Agosto de 2026;

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