O Bosque Selvagem 01

Crítica | O Bosque Selvagem

A essa altura, o trabalho feito pelo estúdio Laika, responsável por filmes como “Link Perdido” e “Kubo e As Cordas Mágicas”, dispensa apresentações. A dedicação em criar algo extraordinário e cada vez mais ambicioso através da técnica de stop-motion é o carro chefe da casa, e o resultado é algo sempre especial, mas não é somente a técnica que sobressaí. Há sempre um tom presente nessas produções que as permitem serem ainda mais efetivas e catárticas, porque não há pudor em correr riscos, então a história se desenvolve até com uma maturidade que dá aos filmes uma riqueza emocional singular. “O Bosque Selvagem” vai ainda mais longe nessa ambição do estúdio, com o novo filme comandado por Travis Knight (“Bumblebee”) sendo a animação em stop-motion de maior duração já feita. Contudo, não é só na questão da duração que se tenta ir além, mas também no escopo do que é possível se realizar, e o resultado é impressionante, ainda mais em tempos onde a Inteligência Artificial se faz uma ameaça para a criatividade, e “O Bosque Selvagem” parece ser um último bastião de luta contra essa farsa, porque arte, de fato, é o que Knight e sua equipe são capazes de criar com suas mãos.

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Baseado no livro homônimo, “O Bosque Selvagem” conta a história de uma família que mora próxima ao bosque “impassável” do título, na cidade de Portland, no Oregon, quando certo dia Prue, a filha mais velha, fica encumbida de cuidar de seu irmão caçula, Mac, enquanto seus pais estão ausentes e, contra as ordens deles, leva seu irmão para passear pela cidade. Em meio ao passeio, um bando de corvos sequestra Mac, fazendo com que Prue e seu colega Curtis se vejam obrigados a entrar no Bosque em busca da criança. Uma vez lá, um mundo mágico se revela para eles, onde animais falam e vivem entre os humanos e, onde uma Rainha Viúva declara guerra com seu exército de coiotes contra todos que se opuserem a ela. Com uma premissa que se torna cada vez mais densa, “O Bosque Selvagem” engrandece com detalhes que vão desde a sensibilidade mais íntima dos personagens à essa grande batalha que se aproxima no horizonte, e a forma como trabalha tudo isso é o que o torna, de fato, grandioso, porque casa seu escopo épico com uma narrativa recheada de figuras que transformam a história em uma jornada onde cada golpe no embate final é arrebatador.

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A potência de “O Bosque Selvagem” está em como cada personagem, seja ele humano ou alguma criatura daquele Bosque, torna-se relevante de alguma forma para a narrativa, o apego é imediato, e quando não funciona é bem claro, como a parte mais desinteressante que envolve o distante governo burocrático do Bosque, ainda que renda algumas risadas. Por outro lado, as demais figuras que encontramos no caminho de Prue e Curtis são extremamente interessantes e envolventes e refletem no desenvolvimento desses dois protagonistas que acompanhamos, assumindo um formato de narrativa coming-of-age que tem um peso ainda maior pela condução maestral de Travis Knight. Assim, “O Bosque Selvagem” funciona em duas frentes, tem uma maturidade que ressona muito forte com adultos, mas ao mesmo tempo se estabelece como algo muito funcional para crianças, pode deslizar aqui ou ali por conta desse meio termo, mas de maneira alguma perde ou diminuí a potência do que as talentosas mãos do estúdio Laika foram capazes de produzir. É de tirar o fôlego o mergulho da batalha final, tanto pelo escopo cinematográfico, como tudo ali é produzido e filmado, tanto como pelo baque emocional da decisão de cada personagem que prazerosamente acompanhamos até ali. Uma ode à arte em sua melhor forma. De fato, cinema!

“O Bosque Selvagem” – Trailer Legendado:

“O Bosque Selvagem” (“Wildwood”, 2026); Direção: Travis Knight; Roteiro: Chris Butler; Elenco: Carey Mulligan, Peyton Elizabeth Lee, Jacob Tremblay, Richard E. Grant, Awkwafina, Amandla Stenberg, Tom Waits, Charlie Day, Blythe Danner, Arthur Knight Angela Bassett Mahershala Ali; Duração: 132 minutos; Gênero: Aventura, Fantasia; Produção: Travis Knight, Sam Wilson; País: Estados Unidos; Distribuição: Imagem Filmes; Estreia no Brasil: 28 de Outubro de 2026;

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