Depois de três semanas e meia intensas, as filmagens de Maior que o Mundo chegam ao final nesta quinta-feira (05/07), em São Paulo.

A produção da Popcon foi inteiramente rodada na cidade para dar vida à história escrita por Reinaldo Moraes, autor conhecido por romances que marcaram a literatura marginal dos anos 1980 e se tornaram cults, como “Tanto faz” (1981) e “Abacaxi” (1985).

Grande admirador de seu trabalho, o diretor Roberto Marquez fez questão de que seu primeiro longa tivesse a marca e este cenário que o escritor descreve tão bem.

“Entrei em contato com ele e fiquei horas conversando pelo Skype”, recorda o cineasta sobre a primeira conversa com Moraes, que depois viria a ter a ideia do filme.

Na trama, Eriberto Leão (Assalto ao Banco Central, De Pernas pro Ar 2) vive o protagonista Kbeto, um escritor em crise criativa e moral.

“Foi sensacional voltar às minhas origens através de um roteiro do Reinaldo Moraes e da Ana Reber, que retrata a minha cidade natal de uma forma tão singular. Mergulhamos na boemia do Baixo Augusta e adentramos nesse universo da contracultura com muita vontade”, declara o ator que encarna este “autor de um sucesso só”, que há 20 anos sofre um bloqueio criativo e abastece sua vida com sexo, drogas e rock and roll nesta região da capital paulista.

Se a intérprete da nova musa de seu personagem, a atriz Gabi Lopes (O Último Virgem, Internet – O Filme, Malhação), diz igualmente que “foi um sonho” filmar em terras paulistanas, “no quintal de casa”.

Este também era um desejo antigo de Tatiana Quintella (A Mulher Invisível, O Homem do Futuro, Serra Pelada), que produz o longa.

“Além de ser fã do Reinaldo Moraes, sempre quis produzir um filme mostrando e referenciando a nossa cidade de São Paulo e uma homenagem à Boca do Lixo. Ele percorre por um universo lúdico e ao mesmo tempo real; isso foi o que atraiu nosso grande elenco”, revela a produtora.

As três semanas e meia de filmagem em mais de vinte locações, contando com as externas nas ruas, encerradas com a participação especial da escritora e roteirista Fernanda Young (Os Normais, Vade Retro, Edifício Paraíso) foram outro desafio inédito para ela.

“Foi o longa-metragem mais curto que já produzi, mas foi intenso e prazeroso. Essa equipe é muito competente e unida. Trabalhar pela primeira vez com Eriberto Leão foi maravilhoso, além da querida Maria Flor, Giovanni Venturini, Carolina Dias, Gabi Lopes, Lucas Miagusuku, Gabriel Godoy, entre outros; do Otto e Fernanda Young, que fazem uma linda participação; e da Luana Piovani que é uma parceira de longa data”, destaca Tatiana, lembrando também da presença do cantor Otto no elenco como Zulu.

Eriberto, que também elogia a conexão e paixão do elenco, da direção de Marquez, da fotografia de Pedro Farkas (Os Homens São de Marte… E é pra Lá que Eu Vou!) e de toda a equipe, afirma que Kbeto o desafiou a encarnar “o peso de um artista contracultural com a leveza do humor de um bon vivant, que se contenta com a vida boêmia, apesar de sofrer um bloqueio criativo do qual anseia se livrar”.

Giovanni Venturini (Cúmplices de um Resgate, Família Imperial), que interpreta o anão que é dono do diário encontrado pelo escritor, ressalta que este “é um projeto que está acreditando em cada ator que está participando; cada personagem ali, tem seu desafio”.

O de viver a Mina foi o que trouxe Luana Piovani (A Noite da Virada) para o longa: “Eu li o roteiro e fiquei completamente apaixonada pela história” relembra a atriz, que viu na amiga baladeira do protagonista uma chance de fazer uma personagem diferente em sua carreira, não só pela transformação física a que se submeteu para o papel.

Isso também levou a colega Gabi a mergulhar no processo de criação de Audra: “me joguei em um universo novo, fui investigar, fazer laboratório… Nunca tinha feito antes uma personagem baladeira. E me sinto honrada em poder contar a história dessa menina jovem e compartilhar isso com o público mais novo que me acompanha desde a Malhação”.

Para Maria Flor (Pequeno Segredo), que interpreta a filha do autor em crise, a mistura de tons da história a torna especial.

“É um trabalho ao mesmo tempo dramático e cômico, sério e uma fábula contemporânea. Nunca tinha feito algo assim. Foi muito legal também fazer uma personagem cheia de nuances, que tem uma questão com o pai séria, de inveja, de admiração e repulsa” pontua a intérprete de Maria João.

Giovanni destaca outro diferencial da produção, no cuidado do retrato de Altair, papel que encara como uma oportunidade única de ousar e se desafiar.

“Está sendo interessantíssimo poder mostrar que as pessoas com nanismo são pessoas como outra qualquer: podem ir para o caminho do bem, podem ir para o caminho do mal. E poder desmistificar, sair desse lugar de enxergar o ator com nanismo somente na comédia… Apesar de Maior que o Mundo ter humor, é uma comédia mais fora desse lugar físico, de estereotipar o anão”, declara o ator que também frisa a ajuda do preparador de elenco Sergio Penna (Bicho de Sete Cabeças, Carandirue Faroeste Caboclo) neste processo de construção do personagem.

Produzido pela Popcon e com distribuição da Imagem Filmes, Maior que o Mundo tem a direção de Roberto Marquez.

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