Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home, 2019); Direção: Jon Watts; Roteiro: Chris McKenna & Erik Sommers; Elenco: Tom Holland, Samuel L. Jackson, Jake Gyllenhaal, Zendaya, Cobie Smulders, Jon Favreau, Jacob Batalon, J. B. Smoove, Martin Starr, Marisa Tomei; Duração: 130 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Comédia, Super-herói; Produção: Kevin Feige, Amy Pascal; País: Estados Unidos; Distribuição: Sony Pictures; Estreia no Brasil: 04 de Julho de 2019;

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(Divulgação/Imagem: Sony Pictures/Jay Maidment)

É uma tarefa difícil para qualquer filme do gênero suceder “Vingadores: Ultimato” (“Avengers: Endgame”). Não entra em questão a qualidade do que foi feito pelos irmãos Russo, mas sim o escopo então almejado após 10 anos de uma das maiores franquias cinematográficas na história no cinema. Dar uma continuidade ao que foi visto então, parece demasiadamente complicado, ainda mais quando falamos de algo que está interligado e cuja planejamento futuro ainda é mantido sob máximo segredo possível. De certa maneira, é uma forma de encurralar o próprio filme. Assim, quais decisões se fazem pesar sob “Homem-Aranha: Longe de Casa”?

Primeiramente, o filme de Jon Watts lida com os eventos com a mesma toada bem-humorada de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, mas desde o princípio há o conflito que se alastra por todo o restante do filme, com um prólogo que não serve exatamente para estabelecer algo que vá fazer qualquer diferença durante o que vemos. Assim, quando “finalmente” começa, logo denota-se que ainda há aquele conflito existente no primeiro filme, com a diferença gritante em como se lida com os diferentes núcleos que envolvem este novo Homem-Aranha. A jovialidade com os colegas de classe de Peter Parker segue muito mais interessante.

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(Divulgação/Imagem: Sony Pictures/JoJo Whilden)

É fato, no entanto, que Watts parece muito mais à vontade em relação as cenas de ação em “Longe de Casa”, como consequência, na grande sequência de ação no filme, no embate entre herói e vilão, vemos toda a mise-en-scène colocada em prática fazer jus especificamente ao que se espera deste antagonista, de quebra entregando um dos momentos mais memoráveis dentre as adaptações do personagem no cinema. Na segunda vez que acontece, o que vemos é, novamente, o momento de consolidação do herói. Como a cena do trem em “Homem-Aranha 2”, em um sentido catártico similar, mas sem a mesma potência e de dinâmicas inteiramente diferentes.

Assim como as relações entre os personagens, e é muito gratificante ver interações tão ricas em química e graciosidade como o Peter Parker de Tom Holland com seus colegas de classe. A parceria com o Ned de Jacob Batalon segue bastante afiada, mas o grande destaque nessa sequência é o romance com a MJ de Zendaya (“O Rei do Show“). É um pouco questionável a função da personagem no todo, que podia muito bem ser mais independente, sendo que o texto em si da personagem não faz justiça ao que sua interprete entrega em cena, e é muito por seu carisma e presença em cena que funciona a relação com o protagonista.

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(Imagem cortesia da Sony Pictures)

O roteiro escrito a bem menos mãos que o primeiro filme ainda se encontra abarrotado de tramas, mas apresenta uma narrativa bem amarrada, de maneira simples, e isso se faz o suficiente. De qualquer forma, não encontramos aqui um grande texto, o que se vê refletido no personagem de Jake Gyllenhaal, que é mais cativante também pelo próprio ator e sua presença em cena, do que por suas motivações. Nelas, vemos um descaramento em recorrer a conveniências de roteiro. Podia ser algo mais funcional, se mais caricato, mas, se os fins não justificam os meios, os meios que não levam a nada também pouco oferecem, de fato.

A sensação é a de que falta uma finalidade maior e mais coesa, menos abstrata e simplória, como acaba por ser. Não é uma questão do que representa uma ameaça, mas como ela serve para o personagem e para o próprio filme em si. “Homem-Aranha: Longe de Casa” pode até colocar seu protagonista em risco, e realmente o faz, mas a sensação de perigo não toma uma forma que dá a urgência necessária para que nos preocupemos no todo, com tudo o que o filme deseja. De certa forma, remete ao derradeiro embate do primeiro filme, que se fazia bastante anticlimático.

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(Imagem cortesia da Sony Pictures)

É importante isso porque existe todo um contexto por detrás das motivações do vilão. É tudo estabelecido de maneira muito pobre, inclusive sendo insuficiente para, de fato, desenvolver algum discurso mais eficiente, o que só é mais evidente quando se vê o quanto há de influência na história a partir da ideia esboçada com este tópico. O fraco desenvolvimento é um infortúnio porque é algo que havia potencial de tornar o filme em algo muito maior e mais impactante, contudo, da maneira como é feito, parece mais querer tirar proveito de um crescente mal que visa desinformar e manipular populações mundo afora.

Há, também, toda uma reflexão, ainda que subjugada a um segundo plano, sobre a condição destes atos destrutivos, muito em prol da impossibilidade de se repetir algo do escopo de “Vingadores: Ultimato”. Assim, se fala aqui sobre a artificialidade desses atos e sua teatralidade. Todavia, outra vez o desenvolvimento é aquém da ideia, e até da execução, e paramos em um meio termo. Assim é com o filme todo, pois “Homem-Aranha: Longe de Casa” é competente o suficiente para divertir pela leveza de seus personagens, enquanto entretém minimamente fazendo o ordinário no que se refere ao comum nos filmes do gênero.

“Homem-Aranha: Longe de Casa” – Trailer Legendado:

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