Título Original: Magic In The Moonlight

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Colin Firth, Emma Stone, Jackie Weaver, Marcia Gay Harden, Eileen Atkins

Estreia no Brasil: 28 de agosto de 2014

Gênero: Drama/Comédia

Duração: 97 minutos

Não é segredo meu grande apresso ao diretor, roteirista e também ator Woody Allen, um realizador plural, no qual estimo algumas de suas obras como grandes filmes de patamar elevado. Beirando aos 80 anos, Woody continua mantendo o ritmo realizando um projeto a cada ano, entretanto, nos últimos tempos, ficou consolidado a lógica de “um excepcional, outro fraco”. Após o ótimo “Blue Jasmine”, era de se esperar que seu novo projeto, “Magia ao Luar”, fosse decepcionante, mas na verdade é surpreendente, quebrando a lógica já definida e ainda sendo um grande feito do diretor.

Na trama, Stanley (Colin Firth) é um renomado mágico no qual se fantasia de chinês nos palcos, entretanto na vida real é um inglês cético e metódico que tem como prazer principal desmascarar truques de mediuns e similares enganadores dos incrédulos. Quando seu amigo de infância e profissão Howard (Simon McBurney) pede sua ajuda a fim de desmascarar a medium Sophie (Emma Stone), uma jovem que conquistou uma família estimada e rica da Riviera Francesa, tendo a matriarca (Jackie Weaver) intenções de casa-la com seu filho (Hamish Linklater), além de investir em uma fundação sobre o ensino esotérico.

É interessante reparar o quão averso este filme é ao anterior do diretor, entretanto a argumentação pode servir de complemento. Se em “Blue Jasmine” Allen apresentou o pior da humanidade, numa sociedade cruel, composta por indivíduos fúteis, individualistas e egocêntricos, aqui ele nos ensina que é possível viver -ou sobreviver- em tal quadro, basta aceitarmos uma pitada de mágica na qual a vida nos pode proporcionar.

Considero muito injusto a recepção mal humorada por parte da crítica norte-americana, mostrando extremamente pessoal e polêmica, tudo devido ao discurso cético por parte do protagonista, o que mostrou irritação por parte dos jornalistas estrangeiros, principalmente pela maioria ser, assumidamente, cristã ou similar. O que não deixa de ser uma bobagem, pois a argumentação expõe os conflitos do próprio diretor referente a existência ou não de Deus, mostrando de forma cômica tão fragilidade. É uma visão particular de Woody Allen, mas em nenhum momento é imposta ao expectador, apenas os mais fundamentalistas tendem a ficar incomodados ou até irritados com o longa.

O roteiro original é inspiradíssimo, contendo diálogos bem orquestrados, situações criativas e consegue ainda construir um universo particular de personagens empáticos, cada um representando uma filosofia, se embatendo a fim de ver qual se sobressai. A direção de Allen aproveita ao máximo a essência de sua argumentação, sendo eficaz a todo momento, principalmente por permitir o contraste entre duas visões antagônicas, referente a questão de crer ou não em um Ser maior, apresentando-as e as confrontando, reiterando o posicionamento próprio, porém deixando para o espectador tirar sua conclusão final.

No que se refere ao elenco, merece destaque Emma Stone, uma jovem atriz carismática, desempenha uma performance expressiva e encantadora, com um “quê” de Diane Keaton, mostrando inocência ao mesmo tempo que sordidez,  justificando o encanto de Allen, já tendo a escalado para seu próximo projeto. Colin Firth encarna o alter ego do diretor de forma soberba, não o imita, porém transparece a sua essência, com muita ironia. Destaque também para a veterana Eileen Atkins, como fiel tia de Stanley, uma atriz maravilhosa que tem os momentos mais agradáveis do longa, sendo muito bem aproveitada.

Para Allen, viver com racionalidade é ideal e preferível independente de qual for o século, entretanto para a vida ser mais bela e plena, precisamos de um toque de ilusão, paixão e, acima de tudo, humor, tornando a existência muito mais agradável do que esperado. Um conselho muito bem vindo dado por alguém com quase oitenta anos, mas que mesmo se decepcionando com a humanidade, não cansa de viver e ter esperança. Não deixa de ser um bom exemplo.

TRAILER LEGENDADO

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