Para a alegria de alguns durante a quarentena, Batman V Superman entrou no catálogo da Netflix. O filme de 2016, último do Universo DC inteiramente dirigido por Zack Snyder fez muito barulho quando foi lançado – nem sempre pelos motivos certos. Esse talvez seja um dos filmes mais polarizados de super-herói, há quem o ame e a muito mais quem o odeie.

Talvez o maior polêmica seja aquela que vem a cabeça de todos aqueles que viram o filme: Martha. Nunca houve algo tão massacrado e discutido em filmes do gênero como a infame (?) cena no último ato do longa. No momento, Batman desiste de prosseguir com a surra no Superman depois de descobrir Martha – uma consciência que muitos não sabiam: as mães dos heróis dividiam o mesmo nome.

A reação foi imediata, a maioria falando mal ou ridicularizando. Meu sentimento, contudo, foi diferente. Ao sair da sessão do filme – muito animada, por sinal – minha visão era uma. Ao entrar em contato com a internet, me surpreendi com a repercussão negativa. Para mim, era claro os motivos da existência da cena e estava completamente satisfeito com seu resultado.

Muitos analisam, corretamente, o filme pelo aspecto dos quadrinhos. O problema se dá ao se prender somente a isso. Principalmente se tratando de uma obra como Batman V Superman, com tantos elementos cinematográficos válidos advindos do auge do diretor trabalhando naquele universo. A cena da Martha é o resultado de uma construção com duas horas de desenvolvimento e eu posso garantir, ela faz sentido sim!

Ao começar o filme no ponto de vista de Bruce Wayne nos destroços da cidade completamente abalada pelo embate Superman/Zod no filme anterior, Homem de Aço (2013), a trama deixa claro suas intenções: nos mostrar como o Batman via o Superman. Para o morcego, assim como para grande parte da população, o filho de Krypton era um monstro.

Não gozando da mesma vantagem do público, que teve acesso a toda história prévia à luta, os moradores de Metrópolis não faziam ideia do que aquele alienígena defendia ou pensava. Para eles, era só mais um louco determinado a acabar com sua paz – e isso é inaceitável. Com muita esperteza, o filme vai construindo uma distância da imagem do Superman. Para alguns, ele é tido como um deus. Assim como todos os deuses, também deve ser temido.

O que hoje é claro, o Batman toma o protagonismo na edição final do filme justamente por representar o olhar do povo. Somado isso ao fato do Batman ser um herói e carregar a responsabilidade de tantos anos salvando as pessoas, é fácil entender o que se passava na cabeça de Bruce: o Superman era uma ameaça vinda de fora. Além disso, não era humano, era um monstro por tudo aquilo que podia fazer e havia feito com seus poderes.

Os dois se tornam antagonistas durante todo o filme. Quem sabe da humanidade do alien, como sua namorada Lois, sofrem ao ver como ele é retratado. A cada encontro, Batman se firmava na ideia de que seu oponente era só mais um com muita força e pouco caráter. Mais um ponto explorado pelo filme: as pessoas podem estar do mesmo lado defendendo coisas diferentes. Cada vez mais atual, não é?

E então, os finalmentes. O momento mais esperado pela trama, os heróis saem na porrada. Até que… Martha! O nome em si é só uma formalidade. No momento em que descobre que seu inimigo tem uma mãe, Batman consegue humanizar seu inimigo – algo que parece tão difícil hoje em dia. Ali, o Superman deixaria de ser somente uma ameaça, ele era uma pessoa que tinha mãe, alguém que o ama e se preocupa com ele. Independente de onde ele viera.

Bruce Wayne não desistiu de possivelmente matar Clark Kent porque sua mãe tem o mesmo nome da mãe dele. Desistiu porque viu humanidade na figura a qual só via hostilidade. Conseguiu humanizar seu inimigo e perceber que não seria o exterminando que poderia resolver aquele problema. Por isso e por muito mais que eu acredito que Batman V Superman é um baita filme e uma super pedida para a quarentena. Obrigado, Netflix!

 

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Estudante de jornalismo (UFPB) apaixonado por cinema. Nascido e criado em Pernambuco, divido meu tempo e coração com a Paraíba.

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