Título Original: The Imitation Game

Direção: Morten Tyldum

Roteiro: Andrew Hodges e Graham Moore

Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Rory Kinnear, Matthew Goode, Allen Leech, Matthew Beard

Produção: Ido Ostrowsky, Teddy Schwarzman e Nora Grossman

Estreia Mundial: 25 de Dezembro de 2014

Estreia no Brasil: 05 de Fevereiro de 2015

Gênero: Biografia/Drama/Suspense

Duração: 114 minutos

Classificação Indicativa: 12 Anos

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Quando fecho os olhos para pensar em “filmes de guerra”, logo me vêm a cabeça as grandes produções que abordam o assunto como se tudo fosse um grande espetáculo de ação com tiros, explosões e mortes. Porém, há algumas exceções a essas regras como Além da Linha Vermelha, Nascidos Para Matar e, o mais icônico, Apocalipse Now. Estes trazem o lado nada glamuroso do certame, ou seja, o lado pesado, triste e manipulativo que todos esses anos de batalhas (e tempo perdido) marcaram na humanidade. O Jogo da Imitação, diferenciando-se dessas duas linhas, aborda a mais efetiva e, talvez mais importante guerra: a limpa; Aqui temos heróis que não precisam pegar em armas, melhor, o objetivo deles era somente um: por fim em tudo aquilo.

Estamos no início da Segunda Grande Guerra e os ingleses estão começando a buscar novas alternativas para tentar vencer. Uma das grandes salvações seria conseguir decifrar um dos mais complexos aparelhos de criptografia: O Enigma. Ao ouvir esse nome, Alan Turin (Cumberbatch), um dos maiores matemáticos da época, decide por se juntar ao governo para tentar quebrar o maior segredo de todos os tempos. Para isso, ele acaba recrutando alguns outros estudiosos da área para auxiliá-lo na missão. Esse é o momento em que ele conhece Joan Clarke (Keira Knightley), uma jovem bela e brilhante. Turin era uma pessoa complicada de lidar, ele não considerava muito o trabalho dos outros e, tampouco, fazia questão de interagir com os colegas. Isso levava a uma sensação de desconforto generalizada. Joan, contudo, consegue se aproximar do matemático e, de certa forma, cria um intermédio entre o gênio e a sociedade.

Enquanto os outros tentavam decifrar O Enigma da maneira tradicional, Turin era mais visionário e tinha em mente a construção de uma máquina na qual fosse possível quebrar os códigos alemães de forma instantânea. Porém essa brincadeira não ia ser nada barata, e o governo inglês, primeiramente, nega o pedido do protagonista que não se dá por vencido e, com o seu poder de persuasão, acaba por conseguir o dinheiro para iniciar o projeto “Christopher” que não só é a máquina que conseguiu decifrar O Enigma, mas também foi o primeiro computador projetado e efetivamente construído.

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Alan Turin era homossexual e, claro, esse assunto encontra-se bastante inexplorado no filme que vai tentando de várias maneiras suavizar tanto a condição do protagonista, quanto as formas severas de punição que os gays eram submetidos. Mesmo assim, a película funciona ao tentar trazer uma reflexão sobre a relevância que a orientação sexual têm sobre a vida de uma pessoa. Aliás, o protagonista foi o responsável por uma das maiores (se não a maior) invenções de todos os tempos e não foi poupado da intolerância humana. Só por trazer, ainda que de maneira superficial, a discussão, a produção merece méritos.

Benedict Cumberbatch é o grande responsável pelo peso que Turin tem em tela. Ele consegue nos apresentar um personagem multifacetado, passando desde as questões amorosas não resolvidas, até a sua condição de gênio e, de certa forma, arrogante. O ator nos entrega uma atuação firme e coesa, mas que se assemelha bastante, quando analisamos os trejeitos, a Sherlock, seja na forma como ele trabalha o olhar, seja até pela certa semelhança entre os heróis, haja vista que ambos são “especiais” e, de certa forma, incompreendidos. Na mesma banda, temos Keira Knightley em uma atuação diferenciada dos excessos constantes em sua carreira. Aqui ela assume o papel de coadjuvante, funcionando de maneira deveras interessante e verossímil.

A direção fica a cargo do não muito conhecido, mas nem por isso irrelevante, Morden Tyldum. Seu trabalho, a despeito de ser bastante oscar like, consegue criar uma atmosfera de tensão sem que seja necessário apelar para grandes batalhas ou explosões. De fato, temos um filme de guerra, mas que não a aborda e muito menos precisa mostrá-la para ser efetiva, afinal o grande objetivo é decifrar O Enigma para, consequentemente finalizar e ganhar e guerra. Ao adentrarmos o campo do roteiro, todavia, alguns problemas começam a aparecer.

A história de Turin, por si só, já chama bastante atenção do espectador que, sem dúvida, vai se interessar pelo personagem e pelos acontecimentos narrados. Entretanto, a forma como alguns elementos são abordados pelos roteiristas beiram o descaso e as vezes mostram um certo medo dos roteiristas em tocar em algumas feridas ou até fazer uma maior denúncia dos absurdos e excessos da guerra. O maior exemplo disso é a questão da homossexualidade do protagonista (a qual já abordei).

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Por fim, o Jogo da Imitação se prova mais um filme com selinho Weinstein de produção: histórias interessantes, bem produzidas, mas que faltam originalidade e inventividade. Todavia, isso não quer dizer que a fita seja ruim, muito pelo contrário. O grande problema é que ela é quadrada demais, a ponto de tentar suavizar certos assuntos com medo de uma menor identificação com um personagem que, pela sua difícil personalidade, já não tem lá muita popularidade. Logo não custava ser um pouco mais profundo em algumas áreas. A despeito disso, a película sim funciona e sim já desponta como um dos grandes filmes do ano.

TRAILER LEGENDADO

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