Título original: Her

Direção: Spike Jonze

Roteiro: Spike Jonze

Elenco: Joaquin Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams e Rooney Mara

Produção: Megan Ellison, Spike Jonze e Vincent Landay

Estreia mundial: 12 de Outubro de 2013

Gênero: Drama, Romance, Sci-Fi

Duração: 126 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

O que é o amor em tempos de correria e status? Melhor nós perguntarmos, aonde ele está guardado ou esquecido?

Quando se anda nas ruas as pessoas estão com os olhos focados para a tela do celular  conferindo quem curtiu a foto no instagram, o status no facebook ou se o tweet rendeu comentários. Ou enviando mensagem para alguém dizendo que está saudades e se podemos comer um hambúrguer ou simplesmente tomar um sorvete.

Nas revisões dos outros filmes que realizei a análise com a Psicologia, sempre mantive o cuidado de trazer as referências de autores que auxiliaram na formação de pensamentos e ideias. Mas como explicar e formar o amor, sendo que ele é a base para a criatividade? O AMOR nos inspira a escrever às 4 hora da manhã, a escolher a playlist Chico para Mulheres no Spotify para ajudar as palavras a criarem vida,  a escolher uma carreira ou um filme para ver ou até mesmo nos mostra que amar não precisa ser obsoleto e dizer eu te amo não é fora de moda. Por isso, especialmente sobre o amor, minhas referências serão poemas/músicas/sonetos ou trecho delas. Afinal, poemas, músicas, filmes, pinturas são formas concretas da exemplificação do que é a poesia do AMOR.

No filme Ela/Her, pode-se também discutir sobre o uso constante da tecnologia e até qual ponto isto pode ser avassalador ou não. Não acho válido apontar a abordagem para esse rumo, uma vez que já estamos vivendo com a tecnologia em nossos pratos. Então, podemos refletir sobre delicadeza das relações em tempos de práticas tecnológicas, e como AMOR sobrevive.

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“Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante”

Soneto do amor total – Vinícius de Moraes

Theodore, interpretado por Joaquin Phoenix, vivenciou pelo seu relacionamento com Catherine (Rooney Mara) a troca de confiabilidade e de entrega ao outro, mas sem zelo e paciência aquele amor se perdeu. Um reflexo de muitos relacionamentos do mundo real, as pessoas estão preocupadas com substâncias secundárias que se esquecem que o importante é ter alguém para passear no parque, planejar viagens, a decoração da futura casa, os amigos para relembrarem histórias de uma infância/adolescência vivenciada por sorrisos, lágrimas, superações e pelo abraço confortante que somente podemos ter quando compartilhamos o mesmo espaço com outras pessoas. Samantha (Scarlett Johansson) mesmo que personificada em uma voz confortou Theodore no seu momento de solidão, e representa como o ser humano se perde nas substâncias secundárias para se sentir amado.

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Citando o psicanalista Humberto Oliveira  acerca da poética frase de Lacan: “Amar é dar o que não se tem”, Humberto nos traz o seguinte pensamento, que contempla a rotina de Theodore e a sua busca pelo encontro de ser amado: ” Amar é oferecer a alguém esse pedaço que nos falta. A quem daremos isso que não temos? Essa é a questão principal do amor. Por isso também o amor não é sempre um lago tranquilo, mas um mar com procelas e calmarias que se alternam e se misturam. Amar é dar o que falta a si mesmo.”

E completando, amar é saber que se ama alguém a ponto de respeitar a sua liberdade, e entender que nem sempre a pessoa tem a obrigação de responder as mensagens ou conversar para não parecer diferente. AMOR não é obrigação. E saber morar em um casa com as janelas abertas e aprender a viver sem o medo ou a necessidade de trancá-la.

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Que possamos cuidar do amor que temos, e saber que ele é a solução para a angústia que abraça a contemporaneidade, e muitas vezes, as pessoas não sabem o porque se sentem tão incompletas. O amor é a completitude, a substância primária que torna as pessoas em pares, e dessa relação se constitui casais e amizades ímpares.

Em tempos de substâncias secundárias, espero que as pessoas antes de conferirem seus números nas redes sociais, mande um bom dia e não tenha vergonha de dizer que sente saudades ou sente muito pela aquela briga insignificante. Que o AMOR não viva em uma caixa no fundo do guarda- roupa, e sim dentro de nós. E que não tenhamos medo de andar de mãos dadas ou de ser feliz.

Vamos dançar com nossos pares. Vamos nos permitir a AMAR!

Toda vez que eu errava cê dizia

Pra eu me soltar porque você me conduzia

Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada

E no final achei tranquilo

Só sei dançar com você – Tiê

HER

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