Crítica | Um Homem Entre Gigantes

Crítica | Um Homem Entre Gigantes

Título Original: Concussion

Direção: Peter Landesman

Roteiro: Peter Landesman

Elenco: Will SmithAlec Baldwin, Albert Brooks, Gugu Mbatha-Raw, David Morse 

Produção: Elizabeth Cantillon, Giannina Facio, Ridley Scott, Larry Shuman, David Wolthoff

Estreia Mundial: 25 de Dezembro de 2015 (Festival de Sundance)

Estreia no Brasil: 03 de Março de 2016

Gênero: Drama

Duração: 123 minutos

Classificação Indicativa: 10 anos

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Depois de ver toda a polêmica do Will Smith e da questão racial no Oscar de 2016, finalmente chega ao cinemas um dos filmes responsáveis pelo início deste pertinente questionamento. Com efeito, todos esses problemas estão trazendo resultados, tanto positivos (como uma já anunciada mudança na votação), quanto negativos (a própria apresentação do Chris Rock), mas voltando à fita, Um Homem Entre Gigantes não foi ignorado porque Will Smith é negro, foi ignorado porque não funciona mesmo. Ele até pode estar atuando bem, mas o roteiro e a direção falham miseravelmente, principalmente ao achar que vão convencer a academia com um discurso barato de como ser um bom americano.

Baseado em eventos reais, a película nos apresenta o Dr. Bennet Omalu (Will Smith), um médico legista de extrema competência que sempre tenta, de todas as maneiras, entender o que causou a morte das pessoas. Quando um jogador de futebol americano aposentado de pouco mais de 40 anos chega em suas mãos, após se suicidar, ele começa a questionar como um pessoa tão jovem e com uma vida tão estável cometeria tal ato. Em suas pesquisas, ele descobre que o homem estava sofrendo de enxaquecas profundas, ataques de raiva e sintomas de Alzheimer em estágio avançado. Ademais ele, logo depois, atende a um caso semelhante de outro jogador aposentado com os mesmos sintomas. Então, ele teoriza que o atrito intenso entre a cabeça e o capacete que ocorre durante provavelmente estaria geraria lesões, a longo prazo. Contudo, a Liga de Futebol Americano se nega a aceitar que o jogo possa ter consequências severas futuras aos atletas e inicia, então, a perseguição ao médico.

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Sim, a sinopse é muito interessante, ainda mais quando isso, de fato, aconteceu (claro que o filme tem suas licenças poéticas), entretanto falta muito para que o longa se torne palatável. O primeiro problema está no roteiro e nos seus excessos. O personagem do Will Smith é nigeriano, mas já está há um bom tempo nos Estados Unidos e já trabalha, mas ainda não tem a cidadania, ou seja, ou seu visto pode ser revisto caso ele seja demitido, por exemplo. A questão é que esse fato toma tempo demais de tela, principalmente quando o protagonista fica o tempo todo dizendo que se identifica com a América, que é um bom americano, que acredita em Deus, que faz o bem e todo aquele mimimi, o qual, simplesmente, não cola em outras nacionalidades, aliás, duvido até que os próprios norte-americanos ainda engulam esse discurso. Outro erro está na construção do “vilão” da narrativa, a NFL, que é uma instituição, logo não tem corpo, mas tem os executivos e até alguns candidatos a políticos e percebam como eles são mal introduzidos de forma totalmente unidimensional, são maus e ponto. Querem ganhar dinheiro e estão pouco se lixando para os atletas. Esse antagonismo não funciona, aliás, cria barrigas no meio da projeção, diminuindo o ritmo, por óbvio. Atém disso, a direção é bastante pedestre, não tem nenhum estilo e pouco acrescenta à história.

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Por outro lado, temos Will Smith, voltando a atuar bem depois de lançar umas bombas por ai. A despeito da construção do personagem ser péssima, ele consegue se salvar e nos convencer da situação tensa pela qual passa. O outro destaque vai para Gugu Mbatha-Raw que interpreta um nigeriana que acaba tendo um relacionamento com o protagonista, mesmo com pouco tempo de tela, ela consegue captar atenção do público. Já Alec Baldwin e o resto do elenco, pouco fazem para manter a produção “assistível”. Em suma, Um Homem Entre Gigantes fica apenas no potencial de uma boa sinopse, mas sem sair muito de uma zona de conforto. Tem capacidade de agradar apenas aqueles norte-americanos mais patriotas, o resto dos espectadores de outros países dificilmente vão engolir essa falsa moral passada. Afinal, é um filme sobre futebol americano, exaltando os EUA que bem na verdade poderia se chamar, Um Homem Entre Americanos ou até poderia virar um livro de auto-ajuda intitulado Como Ser um Bom Americano.

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