Crítica | S.O.S Mulheres ao Mar 2

Crítica | S.O.S Mulheres ao Mar 2

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Direção: Cris D’Amato

Roteiro: Sylvio Gonçalves, Bruno Garotti, Rodrigo Nogueira & Flávia Guimarães

Gênero: Comédia/Romance

País de Origem: Brasil

Duração: 90 minutos

 

Lançado no ano passado, “S.O.S Mulheres ao Mar” levou mais de 2 milhões de espectadores as salas de cinema. Como acontece com praticamente todas as comédias da Globo Filmes que ultrapassam a faixa de 1 milhão, a sequência era certa – mesmo que não parecesse necessária. Para quem não assistiu, o último filme trazia Adriana, uma recém divorciada que decide embarcar em um cruzeiro junto com a irmã Luíza e sua empregada Dialinda, para vigiar o ex-marido com sua nova namorada, uma estrela de TV. Cris D’Amato, que trabalhou com Daniel Filho em “Confissões de Adolescente” e no recente “Linda de Morrer”, volta a direção.

O novo filme mostra a protagonista, mais uma vez em alto mar com suas companheiras, agora para vigiar o seu atual namorado e uma modelo, após uma crise de ciúmes. Como é perceptível, a sensação de “déjà-vu” já aparece ao ler as sinopses, pois, além de ambos se passarem em um cruzeiro, a situação que desencadeia os eventos é praticamente a mesma. Buscando diferenciar um pouco as produções, é adicionado algumas subtramas envolvendo FBI e drogas, que soam até deslocadas do clima da comédia.

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Tempos atrás li uma entrevista em que as atrizes comentaram a vontade de fazer algo mais grandioso dessa vez e isso é perceptível nas telas. Diferente do primeiro, são gravadas inúmeras cenas externas, algumas delas em Orlando e Miami, nos Estados Unidos. É até bacana acompanhar o tur pelas locações, mas, por vezes, acaba sendo um incômodo a falta de cuidado da limitada direção quando se trata de cenas mais “complicadas” e fora da antiga área de conforto. No final das contas, a ideia acaba servindo só para a diversão do elenco e fazer merchan de diversas marcas e companhias de viagens.

Falando nos atores, é estranho notar que um dos grandes problemas da fita é a falta de química do casal central. Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini já foram colegas de novela, mas parece que nada ajuda a tornar a relação dos dois verossímil. Sobra mais uma vez para as talentosas Fabiula Nascimento e Thalita Carauta. A primeira é uma atriz impecável, que parece transformar qualquer lixo de texto em algo agradável de se ver. Já o ótimo timing cômico da segunda desperta risadas até quando não existe uma boa piada em cena. Novos personagens são adicionados a trama, mas nenhum que realmente se faça marcante e alcance o nível da dupla.

Globo Filmes parece ter encontrado essa zona de conforto na reunião de atores famosos e comediantes de sucesso, em meio a seus roteiro simplórios. Já estou cansado de fazer o mesmo texto sobre como o bom cinema nacional carece do apoio que produções como essa recebem aos montes. Até parece inofensivo e divertido se você desligar o cérebro, mas na verdade é mais uma produção canastrona que mesmo com o sucesso garantido tem a proeza de copiar até cenas do primeiro filme. É aguardar o terceiro!

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21 anos. Apaixonado pelas múltiplas histórias de Robert Altman, as cores de Almodóvar, a melancolia de Bergman e todo o perfeccionismo de Kubrick.

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