Título Original: La Corrispondenza

Direção: Giuseppe Tornatore

Roteiro: Giuseppe Tornatore

Elenco: Jeremy Irons, Olga Kurylenko, Simon Johns, James Warren

Produção: Isabella Cocuzza, Arturo Paglia

Estreia no Brasil: 22 de Setembro de 2016

Gênero: Drama

Duração: 116 minutos

Classificação Indicativa: não recomendado para menores de doze anos

O amor é inexplicável, assim como tudo que em nome deles fazemos. Deixamos de lado as prioridades da nossa vida para compartilhá-las com uma outra pessoa. Desafiamos natureza, preconceitos e dificuldades. Tudo para que vivamos este sentimento. Por outro lado, nada dói como o amor, nada machuca, nos entristece e nos destrói como ele. E se existia alguém com gabarito para conseguir (tentar) explicar o que é esse afeto, esse é Giuseppe Tornatore. Aqui em Lembranças de Um Amor Eterno, ele nós dá um soco no estômago de esperança enquanto nos tortura de felicidade; nós traz para uma realidade de fantasias as quais tentam encontrar existência na extinção para, no fim, encontrar no desgosto a saída para continuar.

Amy Ryan (Olga Kurylenko) é uma atriz de filmes de ação e estudante de astrofísica. Há mais de cinco anos, ela mantém um relacionamento à distância com seu ex-professor Ed Phoerum (Jeremy Irons). Em um certo dia, ela vai a uma palestra na faculdade e descobre que Ed faleceu de uma doença a qual nunca mencionara. Incrédula, Amy viaja até a cidade do seu amor, em busca de mais informações, e descobre que ele deixou uma série de vídeos, cartas e presentes para acompanhar a protagonista até depois de três meses de sua morte. Assim, vamos descobrindo que a relação dos dois contém um sentimento que pode talvez atravessar a barreira do tempo e da morte.

Já aviso que, a despeito da história ser semelhante, este filme pouco guarda relação com o irregular P.S. Eu Te Amo. Aqui o foco não estar em fazer com que a pessoa que perdeu seu amante consiga forças para seguir em frente, mas objetivo é que Amy tente entender o que aconteceu, o que foi esse sentimento que ambos viveram. Lembranças de Um Amor Eterno é muito mais ambicioso nesse aspecto. Muitos diriam: morreu, já foi, tem que seguir em frente. Mas e se ela não quiser seguir em frente? É possível viver um amor com alguém que se foi? Não vou dar essas respostas e creio que o filme também não as dará, mas a genialidade está na sensibilidade de questionar verdades e fatos científicos por meio do amor, algo que, por exemplo, Interestelar do Christopher Nolan tenta fazer, todavia soa artificial e que, aqui, Tornatore faz maestralmente.

O diretor entende que é mais importante desenvolver personagens de maneira explícita e, consequentemente, projetar os sentimentos desses para o público, do que tentar embasar cientificamente o que se passa no filme (não vou dar spoilers sobre o que, mas você saberá quando assistir). Além disso, é claro que as atuações de Olga Kurylenko e Jeremy Irons (ainda que este apareça basicamente falando sozinho para câmeras ou narrando em off) são essenciais para a identificação do público. Olga mostra versatilidade em um papel difícil de uma mulher que é durona na sua profissão de atriz de ação com diversas cenas perigosas, ao mesmo tempo que vive uma perda amorosa. Ela apresenta essas antíteses de uma forma natural, sem parecer forçada e, ainda, segura o filme inteiro nas costas.

Lembranças de Um Amor Eterno, por fim, se prova um longa difícil de assistir: é triste, pesado, questionador e, principalmente, assustador, visto que lida com uma realidade que qualquer um de nos vai passar: a perda de alguém querido. Tornatore poderia transformar essas história em um dramalhão óbvio para forçar lágrimas, entretanto, ele nos traz uma fita sensível e cruelmente real, a qual consegue mostrar como o amor é inexplicável, ao mesmo tempo em que é tão óbvio e gratificante.

TRAILER LEGENDADO

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