Título Original: Into the Woods

Direção: Rob Marshall

Roteiro: James Lapine

Elenco: Meryl Streep, Anna Kendrick, James Corden, Daniel Huttlestone, Emily Blunt, Lilla Crawford, Johnny Depp, Mackenzie Mauzy, Chris Pine

Produção: Rob Marshall, John DeLuca, Callum McDougall, Marc Platt

Estreia Mundial: 25 de Dezembro de 2014

Estreia no Brasil: 29 de Janeiro de 2015

Gênero: Comédia

Duração: 125 minutos

INTO THE WOODS

Sempre fui apaixonado por musicais, acredito que as canções têm um poder de impacto muito maior do que qualquer diálogo ou ação. Por isso, já crio uma expectativa diferente quando fico sabendo que teremos mais música do que falas durante a uma produção. Foi exatamente o que me ocorreu com Caminhos da Floresta que, além de ser uma adaptação de um sucesso da Broadway, também trazia a combinação Disney + irmãos Grimm, ou seja, uniu-se o útil ao agradável (pelo menos pra mim). Entretanto, a frase “a expectativa é a mãe da decepção” se aplica perfeitamente a esse caso, visto que a produção não só se arrasta durante as suas mais de duas horas de duração, como também não empolga no principal que são suas músicas.

Um vaca branca como leite; cabelos tão amarelos quanto milho; um capuz vermelho como sangue e um sapatinho dourado como ouro. Esses são os quatro elementos que podem quebrar o feitiço interposto pela bruxa (meryl Streep) que impede o padeiro e sua esposa (James Corden e Emily Blunt) de terem um filho. Para conseguir o 4 elementos, eles terão de se encontrar com Cinderela (Ana Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford), Rapunzel (Mackenzie Mauzy) e João (do pé de feijão e interpretado por Daniel Huttlestone). E todos eles se encontram na floresta ou, pelo menos, esse era para ser o objetivo.

INTO THE WOODS

Depois do fracasso em Nine e da sua abominável direção em Piratas do Caribe 4, estava na hora de Rob Marshall tentar se redimir, o que não acontece. Como eu disse antes a produção se arrasta, as musicas não são memoráveis e a conexão entre as histórias não funciona. E isso é algo que venho percebendo na filmografia de Marshall. Depois de Chicago, que também não é lá grandes coisas, ele não consegue emplacar um filme que agrade. Quando assumiu o quarto Piratas do Caribe, ele tinha nas mãos a chance de revitalizar a franquia, e ele fez a mesma coisa, só que pior. Nine, eu nem vou falar. Em Caminhos da Floresta, Rob e sua equipe de roteiristas não conseguem juntar os quatro contos de fadas de forma coesa, tanto que personagens somem durante boa parte do longa, reaparecendo no final, como se nada tivesse acontecido, por exemplo. Essa falta de conexão, ademais, deixa a narrativa episódica, a qual vai intercalando de um núcleo ao outro, sem realmente integrá-los.

No que tange às atuações, aqui temos uma montanha russa de altos como Meryl Streep, Ana Kendrick e Daniel Huttlestone; e de baixos como Chris Pine, no papel de príncipe mais ridículo e sem graça de todos junto com Billy Magnussen, namorado da Rapunzel, e Emily Blunt que era pra ser a protagonista, mas sempre acaba ofuscada por todos que estão em cena (até pelo Chris Pine). A culpa entretanto, não está somente nas atuações. O maior problema está no fato de existirem muitos personagens e não haver tempo de tela suficiente para todo mundo. Isso é reflexo da má adaptação feita a partir do material original que é uma peça da Broadway, a qual geralmente tem mais de 3h de duração. No momento em que se reduz tudo para 2 horas, algumas alterações devem ocorrer. Contudo, o que aparenta é que eles não sabiam o que fazer. No início temos várias músicas, diálogos cantados, digno de um musical. Já na segundo ato, eles esquecem e aparecem um monte de falas, ou seja, faltou coragem para fazer um musical de 3 horas ou faltou coragem para não fazer um.

INTO THE WOODS

Caminhos da Floresta segue a linha dessa maldição que há com musicais no cinema. Por mais prepotente e nostálgico que isso possa parecer, sinto em ter de dizer que não se fazem mais musicais como antigamente. Não temos um Mary Poppins, uma Noviça Rebelde ou um Ama-me Esta Noite, nos últimos anos. Isso é facilmente constatável quando fazemos um pente fino nas produções lançadas nos últimos 10, 20 anos. É quase impossível lembrar de uma grande produção neste estilo. Mesmo que tenha alguns pontos positivos como as atuações e até as piadas e ironias com os próprios contos de fada, Caminhos da Floresta, mais incomoda do que agrada, a ponto de eu ter ficado o tempo inteiro me perguntando a necessidade de ser um filme cantado. Se isso acontece, o fracasso é evidente.

TRAILER LEGENDADO

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