Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Elenco: Cate Blancett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Louis C.K
País de Origem: EUA
Estreia Mundial: 26 de julho de 2013
Estreia Nacional: 15 de novembro de 2013
Gênero: Drama, comédia.
Duração: 98 minutos.

Woody Allen volta com tudo as origens americanas, apresentando uma perspectiva de como a crise econômica afetou uma de suas personagens mais vazias e repulsivas de sua carreira.

Depois de uma revigorante temporada européia, Woody Allen volta com tudo as origens americanas, apresentando uma perspectiva de como a crise econômica afetou uma de suas personagens mais vazias e repulsivas de sua carreira, que tenta preencher sua carência com esbanjação e luxo, se mostrando cada vez mais superficial.

Jeanette (Cate Blancett) ou Jasmine French – nome adotado pelo fato de ser mais “glamouroso” – é a essência da dondoca americana, socialite que vive com todos os privilégios possíveis, nunca se preocupa da origem da riqueza que a sustenta e muito menos das traições que seu marido Hall (Alec Baldwin) comete. O mundo de Jasmine começa a despencar quando Hall é preso e seus bens todos confiscados pelo governo, fazendo-o cometer suicídio, fazendo a esposa ter um enorme colapso nervoso e não vê outra alternativa a não ser morar com a irmã Ginger (Sally Hawkins), em São Francisco, tendo que se reinventar e se adaptar a uma vida simples e modesta.

Não demora muito para os dois mundos e suas distintas representantes entrarem em choque, principalmente por Ginger ser uma esforçada, honesta e otimista trabalhadora, que nunca teve nenhum dos privilégios que a irmã se acostumou, enquanto Jasmine já têm uma visão ambiciosa e com valores questionáveis, tentando superar sua nova condição decadente achando um novo marido para sustenta-la. É nessa hora que aparece o potencial político Dwight (Peter Sarsgaard), que se encanta pela megera, que logo inventa as maiores mentiras para conquista-lo.

Um dos trunfos do roteiro é a crítica feita ao Capital e a esse mundo “dos privilégios”, que muitas vezes é idealizado, sem que haja a preocupação em se abrir mão dos valores individuais de cada um. A construção dada a Jasmine é exatamente a essência dessa ideia, como uma mulher se tornou sem escrúpulos e cega nesse universo que ela mesmo construiu, decaindo na mesma proporção que este mundo, chegando a um estado de degradação existencial. O fim do poço nunca foi tão fundo.

A direção competente de Woody Allen faz constantes contrastes ao longo do filme: hora mostra Jasmine e sua dura realidade e hora volta ao passado em flashbacks e mostra seu “mundinho”, evidenciando sua cegueira e falta de senso moral, principalmente por fechar os olhos para as falcatruas e mal feitos cometidos por seu marido. Woody Allen desempenha um trabalho esforçado e marcante.

A atuação de Cate Blancett está soberba e enche a tela, conseguindo variar entre o luxo e a degradação personificados. É importante ressaltar que sem a expressividade dada pela atriz, talvez a personagem não tivesse ficado tão completa e intrigante, uma indicação ao Oscar é pouco pelo excepcional trabalho realizado pela atriz, que está no caminho de sua segunda estatueta. Sally Hawkins desempenha um esforçado e relevante trabalho como coadjuvante, também merece ser lembrada, principalmente por ela ter se desvinculado da imagem de Poppy, do filme “Simplesmente Feliz”, mostrando que apresenta muito a oferecer.

Com Blue Jasmine, Woody Allen se reinventa como diretor, com quase 80 anos de idade, mostra que é possível proporcionar um debate com coisas extremamente simples. Enquanto algumas pessoas fazem de tudo para conquistar – licitamente ou não- a riqueza, outras brigam pela última fatia de pizza. É esse contraste que sintetiza as duas irmãs e o filme em si, o tornando marcante e extramente reflexivo.

 Trailer legendado

http://www.youtube.com/watch?v=Ofn6lhU_DwA

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.