Título Original: Freeheld

Direção: Peter Sollett

Roteiro: Ron Nyswaner

Elenco: Julianne Moore, Ellen Paige, Michael Shannon, Steve Carell

Produção: Kelly Bush Novak, Julie Goldstein, Phil Hunt, Ellen Page

Estreia Mundial: 02 de Outubro de 2015

Estreia no Brasil: 21 de Abril de 2016

Gênero: Biografia/Drama

Duração: 103 minutos

Classificação Indicativa: 12 anos

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Baseado em eventos reais, a fita aborda a história da detetive Laurel Helster (Julianne Moore). Por ser lésbica, sempre temeu sofrer algum tipo de preconceito, então, ela escondeu essa condição de seus colegas de trabalho, inclusive de um de seus melhores amigos. Contudo, ela conhece uma garota mais nova, Stacie (Ellen Paige) e ambas se apaixonam, vivendo um lindo romance. Tudo vai bem, até que a policial é diagnosticada com câncer terminal e, preocupada com as condições financeiras da companheira, ela solicita ao estado que, quando ela morrer, a pensão seja direcionada para a namorada, porém esse direito lhe é negado, visto que elas não são casadas e uma simples união estável não garantiria que a pensão fosse repassada. Assim, começa uma luta dupla da protagonista não só contra o câncer, mas também contra o conservadorismo e a hipocrisia da sociedade.

Uma policial que prestou serviços ao estado, que ajudou a prender uma série de traficantes por mais de 20 anos, pelo simples fato de ser lésbica (que aliás não interessa a ninguém a não ser ela) tem o direito de repassar sua pensão para a esposa negada. É impossível não se sensibilizar com a situação, visto que é um desrespeito com o ser humano, principalmente levando em conta que ela pagava impostos e tinha uma vida “normal”, como qualquer outra pessoa. Eis que 5 freeholders (juízes de pequenas causas), homens e héteros com base em argumentos religiosos e legais deturpados, decidem que seria uma despesa extra para o Estado o qual teria de deixar de dar pensão para outras famílias para dar para “elas”. E é aí que o preconceito e a intolerância tomam forma de uma maneira quase que inacreditável.

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Contudo, o interessante do longa é a forma como aborda a questão. Em nenhum momento há algum tipo de imposição do pensamento ou do lado ao qual se defende. O roteiro e a direção enfatizam no fato de que ambas se amam e vivem como um casal, e o fato de serem duas mulheres é irrelevante. Isso é essencial para que, no momento em os freeholders profiram seu veredito, a hipocrisia fique escancarada, principalmente considerando que Laurel poderia se casar com um amigo homem e este poderia receber o benefício e depois repassar para Stacie. Assim, toda aquela argumentação falsa de que o Estado não poderia pagar, cai por terra.

Com efeito, todas essas reflexões e toda essa emoção que o filme passa só são possíveis graças às brilhantes atuações de Julianne Moore e de Ellen Paige. Elas funcionam muito bem juntas e não torcer pela felicidade das duas é algo impensável e, claro, quando surge o câncer e a luta pelos direitos, não tem como ficar indiferente, não tem como não ter raiva. E principalmente, não tem como não ter vergonha quando lembramos que isso, de fato, aconteceu há menos de 10 anos. Também preciso fazer menção a Steve Carell que no papel de Steve Goldstein, um Gay e judeu, apresenta de forma brilhante e interessante o início de um movimento que foi culminar com a decisão do ano passado em que a Suprema Corte Americana reconheceu o casamento Gay.

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No final, fica difícil de segurar as lágrimas e, não, não se preocupe porque não fica melodramático e, muito menos, forçado. A emoção é genuína e vêm da empatia que temos com a história dessas mulheres que, como muitas, lutaram por igualdade. Não queriam mais nem menos que ninguém, almejavam, apenas ter os mesmos direitos que todas as pessoas héteros. E é com muito pesar que, infelizmente, constato que, conquanto muitos avanços tenham sido conquistados, ainda estamos muito longe da “famigerada” igualdade. E o pior é que ainda existem pessoas que acham que lutar pelas garantias que qualquer casal hétero tem é querer benefícios. Isso sem falar em Bolsonaros e Marcos Felicianos da vida, os quais dispensam qualquer comentários. Parafraseando Mário Quintana, Eles passarão, as pessoas LGBTS passarinho.

TRAILER LEGENDADO

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