Crítica | Aliados

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Aliados (Allied, 2016); Direção: Robert Zemeckis; Roteiro: Steven Knight; Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Lizzy Caplan, Matthew Goode, Simon McBurney; Duração: 124 minutos; Gênero: Ação, Aventura, Drama, Guerra, Romance; Produção: Graham King, Steve Starkey, Robert Zemeckis; Distribuição: Paramount Pictures; País de Origem: Estados Unidos, Reino Unido; Estreia no Brasil: 16 de Fevereiro de 2017;

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Depois de uma década envolvido com animações em captura de movimento, o diretor Robert Zemeckis agora completa metade desse tempo envolvido com filmes em live-action, porém já igualando o número de filmes feitos nos dois períodos distintos. Ainda que sua carreira tenha declinado após tal imersão em terrenos que se queriam ser inovadores, deixando a desejar com alguns percalços ao longo do caminho, essa sua retomada -como gosto de classificar- vai aos poucos uma vez mais solidificando seu nome. Após um sóbrio filme e uma carta de amor um tanto que piegas, em Aliados atinge-se um ápice entre suas últimas produções, reunindo o que elas melhor tinham de oferecer e culminando naquele que é o melhor filme da carreira do diretor em quase duas décadas.

Há certos momentos caricatos em Aliados, pois haja suspensão de descrença forte o suficiente para superar um parto em meio a um campo de guerra. Ali, aliás, destaca-se justamente o recorte da cena, que incrivelmente funciona mais pela emoção, com Zemeckis querendo abusar outra vez do piegas, do que pela ainda mais inacreditável cena que se constrói atrás dos personagens, deixando uma impressão de artificialidade que de tão extrema torna-se questionável. Ainda mais por ser um pouco diferente do que, até então, o filme havia estabelecido tanto a si como para o público.

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Tudo porque é um exagero da parte de Robert Zemeckis, que talvez tenha se encontrando em meio a um excesso de confiança. Porque se há algo que Aliados providencia é uma beleza visual que falta a grande maioria dos filmes atualmente. A decupagem realizada pelo diretor faz seu filme destoar do que tão costumeiramente vemos, construindo cenas que, por mais simples que sejam, caracterizam um espetáculo belo de se contemplar. Porque os planos parecem em maioria calculados, cronometrados, calmos e informativos numa quantia que não se faz desnecessária. Bem editados vão construindo uma narrativa visual que não desgasta o público com recorrências a banais planos e contraplanos em diálogos enfadonhos.

Até por conta dos acertos no roteiro de Steven Knight, que tem seus problemas quando se trata da construção de personagens coadjuvantes, mais ambição do que suas tramas são capazes de corresponder e outros deslizes convenientes, que raramente fazem afronta frente ao restante daquilo que funciona. Inclusive as cenas que podiam decair no desgaste que Zemeckis evita. As relações e interações entre personagens são muito bem executadas, não só pelas mãos do roteirista ou pela visão do diretor, mas pelo elenco e, acima de tudo, pelos protagonistas vividos por Brad Pitt e Marion Cotillard.

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Ainda que não façam aqui os melhores trabalhos de suas carreiras, longe disso na verdade, ambos exibem uma química que desde o primeiro momento se faz cativante. Falta uma certa sobriedade, no todo, para que o trabalho dos dois fosse elevado e, assim, teríamos aqui uma obra ainda mais memorável. Porque Aliados é, sim, um grande filme. Seus protagonistas, personagens assim como atores, são capazes de nos convencer dessa relação recheada de nuances. Mas é aí que o próprio Robert Zemeckis amarga a própria grandeza do que constrói, porque uma vez estabelecido um grande espetáculo, Aliados falha em não conseguir funcionar num espectro ainda mais intimista, necessário para coroar plenamente o filme.

O que não impede, em momento algum, que seja uma aventura mais do que válida e honesta como poucas reproduções de época, esbanjando riqueza em detalhes e delineando uma história que guarda surpresas e emoções que são muito bem trabalhadas. O que Zemeckis contempla em Aliados é uma junção daquilo que experimentou ao longo dos anos com uma visão que tenta ser a mais sóbria possível. Enquanto desempenhada com maestria, Aliados é aquilo que pode ser. Seus deslizes, porém, fazem com que a torcida seja para que o diretor consiga alinhar tudo com mais sucesso em sua próxima empreitada, que depois daqui faz-se muito bem-vinda.

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