Crítica | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Crítica | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

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Título Original: Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)

Direção: Alejandro G. Iñárritu

Roteiro: Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo

Elenco: Michael Keaton, Naomi Watts, Emma Stone, Zach Galifianakis, Edward Norton,

Produção: John Lesher, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole e Alejandro G. Iñárritu

Estreia Mundial: 27 de Agosto de 2014 (Festival de Veneza)

Estreia no Brasil: 29 de Janeiro de 2015

Gênero: Drama/Comédia

Duração: 119 minutos

Classificação Indicativa: a definir

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Uma das análises mais óbvias do ser humano é a de que ele precisa e gosta de ter atenção. Não importa aonde vamos ou em que meio social estamos inseridos, sempre buscamos ter reconhecimento pelo que fazemos. Bem, isso pode ser tanto pelo bem, quanto pelo mal. A verdade é que recorrentemente somos julgados pelos nossos atos; pelo que gostamos; pelo que vestimos. Como eu afirmei antes, é inerente ao ser. Agora pensa comigo: em que lugar toda essa vontade por créditos chega ao seu limite máximo? Sim, acertou se você pensou no mundo da fama. E Birdman, com um foco total em Hollywood, não só aborda essa questão como vai além, trazendo-nos algumas reflexões e questionamentos sobre o que é fazer (ou não) arte.

Iñárritu dirige o filme todo em plano sequência, ou seja, sem cortes (aparentes). No início a linguagem utilizada pode até parecer estranha ou até cansar um pouco, mas, aos poucos, a narrativa vai ficando tão orgânica que chega a ser praticamente impossível imaginar a fita feita de outra maneira. E próprio fato de usar um take único dá um ritmo mais teatral a película que, pasmem, tem como cenário principal os bastidores do teatro, funcionando, portanto, não só como estilo, mas também como metalinguagem.

Os roteiristas, por sua vez, acertam, também, em cheio nas piadas (que atiram para todos os lados de Hollywood e do mundo do entretenimento sem dó nem piedade) e, principalmente, nos personagens. É incrível como não conseguimos ficar indiferentes a nenhum deles, pois todos têm vidas interessantes, complexidades e problemas. Nas atuações, Edward Norton dá um show, em uma de suas melhores participações de todos os tempos; Naomi Watts linda como sempre e muito bem inserida no papel de uma atriz estreante na Broadway; Emma Stone que, apenas. tem a melhor cena de todo o filme, então nem preciso mais dizer nada; até o Zack Galifianakis está bem. E, por fim, preciso falar da grande estrela da película, Michael Keaton, permitam-me dar um parágrafo só para ele.

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Pois bem, o personagem de Keaton aborda o que eu sempre me questionei sobre Hollywood. Como é lidar com a questão que envolve o Blockbuster e “indie”? Quem faz arte? Será que fazer apenas filmes de super-herói também não é uma forma de expressão? Dentre outras infinitas referências que o filme traz, vou me ater – por questão de espaço – à dicotomia entre o comercial e o artístico. Dentre os debates mais acalourados envolvendo cinéfilos, críticos e afins, sempre houve uma divisão clara entre aqueles que preferem filmes “fáceis” e aqueles que preferem filmes “difíceis ou de arte”. O fato é que, Iñárritu vai além, levando essa discussão para o âmbito dos realizadores dessas produções. Saímos do âmbito passivo, para o ativo, e vemos isso claramente nas atitudes de Riggan. Ele quer retirar essa etiqueta que colocaram nele, porém é complicado pretender tal alteração quando nem ele mesmo sabe diferenciar entre a sua personalidade e do seu alter-ego (birdman). Essa luta permeia toda a projeção e realmente só acaba quando ele assume que pode ser os dois, afinal, o importante é conseguir se reinventar. Se vai funcionar ou não, aí é outra discussão.

Outra grande alfinetada que a produção aplica é nos críticos em geral. Na figura de uma avaliadora do The New York Times, os roteiristas personificam tudo que há de ruim nessa área e que me incomoda muito, inclusivo. O papel do crítico está muito desgastado, porque hoje se fala menos de cinema e mais de aparências, lobbys, ou seja, essa figura essencial para todo e qualquer tipo de arte vêm sendo escanteada e sucateada em detrimento da popularidade, do que dá mais pageviews ou dá mais curtidas. O desfecho desse arco, entretanto, é fantasioso, distante da nossa realidade atual. E devo parar por aqui, pois não posso dar spoilers.

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Birdman é um daqueles filmes que me fazem lembrar o porquê eu amo tanto cinema e o porquê resolvi (tentar) fazer disso uma profissão. É a perfeita conjugação entre todos os elementos técnicos e narrativos para criar uma produção magnifica (assim como Birdman ou Riggan queria que sua peça fosse). O mais importante, todavia, é que ele não tenta ser cult ou ser uma obra prima, mas, sim, um retrato cômico de como esse mundo tão íntimo e tão estranho consegue nos tocar de diversas maneiras, seja para apenas diversão, seja para uma maior reflexão. Por isso eu amo cinema. Obrigado, mais uma vez, Birdman por me relembrar disso.

TRAILER LEGENDADO

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Editor-Chefe do Cine Eterno. Estudante apaixonado pelo universo da sétima arte. Encontra no cinema uma forma de troca de experiências, tanto pelas obras que são apresentadas, quanto pelas discussões que cada uma traz. Como diria Martin Scorsese "Cinema é a importância do que está dentro do quadro e o que está fora".

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