“Wicked: Parte II” atingiu o status de quase um filme evento depois do sucesso de sua primeira parte, quando a tão aguardada adaptação do musical da Broadway encantou fãs e a indústria, recebendo expressivas 10 indicações ao Oscar (vencendo em apenas 2 categorias), aliado aos muitos milhões que conquistou nas bilheterias mundiais. Sucesso absoluto, agora o desafio se torna ainda maior para justificar a divisão em duas partes, além de apresentar uma conclusão satisfatória e à altura das expectativas que foram criadas para o espectador. Contudo, como ambos os filmes foram filmados juntos, é difícil esperar algo diferente ao que foi apresentado na primeira parte, mas temos claras mudanças, a principal delas no tom, porque se antes havia uma jovialidade e um humor mais presentes, aqui paira uma tom mais sombrio e melancólico, dado o rumo que as coisas tomam em Oz. Alguns anos se passaram, então cada personagem seguiu seu próprio caminho, ainda que o destino de alguns tenha sido selado juntos, a única certeza, entretanto, é que as aparências enganam e os conflitos que permeiam a tudo e a todos não é apenas do medo fabricado com supostos ataques de uma exilada Elphaba de Cynthia Erivo, as consequências disso podem mudar as coisas para sempre.

A primeira parte estabeleceu timidamente muitas ideias que podiam ser melhor exploradas em “Wicked: Parte II” e a expectativa era que, de fato, o filme fosse se aprofundar nelas. Contudo, segue sendo tudo muito superficial e dedica-se mais tempo para desenvolver a história da Glinda de Ariana Grande, enquanto ela assume um ligeiro protagonismo nessa segunda parte e, não surpreendentemente, se mostra à altura do desafio, num trabalho superior ao que havia apresentado anteriormente, porque se antes ela conquistava com carisma e bom-humor, aqui ela brilha em momentos mais dramáticos e tem uma ternura acolhedora em seus bons momentos. O problema maior é a volatilidade, tanto da personagem como do filme, porque parece que o roteiro de Winnie Holzman e Dana Fox não consegue encontrar o equilíbrio de verdade entre bem e mal, onde tudo pode mudar de um segundo para outro, algo que, de fato, acontece. Mas isso não é restrito apenas a Glinda, essa mudança de humores e lados é uma constante no filme, onde ao parecer não querer criar personagens maniqueístas -menos em relação a Michelle Yeoh-, “Wicked: Parte II” mergulha em ambiguidades morais que, no fim das contas, não têm peso ou sustentação nenhuma.

E quanto mais a linha do tempo de “Wicked: Parte II” flerta com a narrativa de “O Mágico de Oz”, piores soam as decisões que Jon M. Chu e companhia fazem para o filme. Muito disso é também pelas motivações completamente falhas dada aos personagens, e isso é chocante porque estamos falando de uma história que já tinha sua estrutura e só precisava amarrar as pontas soltas. Mesmo com a divisão em dois filmes, não é o suficiente para que a narrativa não precise ser acelerada ao final, e a sensação que fica é de que tudo acontece de repente, não de uma forma orgânica ou natural, e com isso o peso de qualquer acontecimento padece com igual rapidez. Além disso, tecnicamente “Wicked: Parte II” é bastante inferior ao seu antecessor, com sequências musicais menos inspiradas e uma fotografia que tira ainda menos proveito dos cenários construídos para o filme, tanto que aquele que é o principal embate entre Elphaba e Glinda acontece de uma maneira que tende mais para o cômico e, visualmente, é extremamente precário de imaginação. Essa quebra de tom é o que define muito bem todo o filme, que sempre está no limiar das duas coisas e nunca assume uma postura firme em qualquer situação, no fim das contas serve como um bom veículo para suas protagonistas, mas todo o resto se perde numa história que parece confusa em sua própria concepção e sem ter exatamente um rumo definido.
“Wicked: Parte II” – Trailer Legendado:
“Wicked: Parte II” (“Wicked for Good”, 2025); Direção: Jon M. Chu; Roteiro: Winnie Holzman e Dana Fox; Elenco: Ariana Grande, Cynthia Erivo, Jonathan Bailey, Ethan Slater, Marissa Bode, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum; Duração: 137 minutos; Gênero: Drama, Fantasia, Musical; Produção: Marc Platt, David Stone; País: Estados Unidos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia no Brasil: 20 de Novembro de 2025;