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Crítica | Bugonia

Desde que a parceria entre Yorgos Lanthimos e Emma Stone começou lá em 2018, com “A Favorita”, a dupla nunca mais se separou, e a atriz estrelou os três longas do diretor desde então, numa parceria frutífera para a atriz, que venceu o Oscar por “Pobres Criaturas”. A diferença entre o lançamento desse filme, “Tipos de Gentileza” e este último filme do cineasta até o momento, “Bugonia”, se dá num curtíssimo período de tempo, com um filme por ano, onde a dupla -além de Jesse Plemons (que estrela essas duas últimas produções)-, com certeza trabalharam a exaustão, não é à toa que Lanthimos talvez faça uma pausa na carreira. Mas será que tanto o diretor como suas estrelas ainda têm tanto a dizer com tantos trabalhos amontoados lançados tão próximos um do outro? A realidade é que Lanthimos, no fundo, é um pouco repetitivo com suas temáticas, com sua misantropia que resulta numa violência que sempre visa chocar o espectador de alguma forma. É uma receita batida que acompanha o cineasta desde seus primórdios. Às vezes funciona, às vezes é cansativo, às vezes não se justifica, mas a certeza é que em algum momento esse choque virá, e acredito que em “Bugonia” o diretor faça o melhor uso disso em sua carreira.

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Bugonia” está longe de ser convencional, mas é simultaneamente também o filme mais humano de Yorgos Lanthimos, acredito que porque o contraste entre os personagens é muito bom, em específico o trio formado por Emma Stone, Jesse Plemons e o estreante Aidan Delbis, com personagens de personalidades que se complementam e, o mais importante, funcionam dentro do molde esquemático e quase robótico e de engrenagens dos quais os personagens de Lanthimos se sustentam. Porque Emma Stone é uma executiva que segue uma rotina à risca e é acusada de ser um alienígena por Plemons, este que, com a ajuda de seu primo (Delbis), a sequestra para tentar revelar a verdade. Os personagens de Stone e Plemons são aquelas figuras às quais já estamos acostumados na filmografia do grego, mas o personagem de Delbis dá uma ternura que empresta um verniz a mais à obra, humaniza o todo e concede a “Bugonia” uma melancolia que soa sincera, mais do que em outras obras do cineasta. Ainda assim, boa parte do que sobra é muito esquemático e até a tentativa de subverter expectativas parece calculada demais para surpreender o espectador. Esse esforço todo em busca de supostas reviravoltas ofuscam a parte bem-humorada do filme.

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No fim, “Bugonia” é uma experiência de fato divertida, ainda que bata nas mesmas teclas que Lanthimos já cansou de explorar, mas a sátira aqui funciona um pouco melhor porque ele realmente acredita nela, e eu acredito que ele é mais esperto sobre ela do que faz parecer, apesar da crítica simplória à forma como a humanidade se autodestrói destruindo o único lugar que pode chamar de lar. Aqui falta alguma profundidade, porque não há novidade no que se quer criticar ou na forma como o faz, toda sua misantropia se apresenta de forma cínica, porém, enquanto isso está em falta para outros filmes lançados este ano, aqui isso soa meio vazio, se fazendo ouvir numa câmara de eco. Dentro de toda sua estética de aspecto “luxuoso”, que realmente apresenta uma direção de fotografia superior ao que Hollywood comumente nos acostumou, Yorgos Lanthimos se empenha tanto pela forma que esquece, ou não percebe, que no trio protagonista está o seu melhor conteúdo e o contraste entre eles poderia ser muito melhor explorado, sem frieza ou resoluções que em boa parte, ao contrário das expectativas de seu realizador, não surpreendem. Talvez seja hora mesmo de uma pausa para saber melhor o que dizer…

Bugonia” – Trailer Legendado:

Bugonia” (2025); Direção: Yorgos Lanthimos; Roteiro: Will Tracy; Elenco: Emma Stone, Jesse Plemons, Aidan Delbis, Stavros Halkias, Alicia Silverstone; Duração: 118 minutos; Gênero: Comédia, Ficção Científica, Thriller; Produção: Ed Guiney, Andrew Lowe, Yorgos Lanthimos, Emma Stone, Ari Aster, Lars Knudsen, Miky Lee, Jerry Kyoungboum Ko; País: Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos, Irlanda, Reino Unido; Distribuição: Universal Pictures; Estreia no Brasil: 27 de Novembro de 2025;

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