O Convite 01

Crítica | O Convite (2026)

Quando lançou seu primeiro longa-metragem, Olivia Wilde surgia já como uma voz singular com “Fora de Série” (“Booksmart”), um filme original e um contraponto à visão masculina predominante nas comédias ao estilo “Superbad”. Seu trabalho subsequente, no entanto, já foi uma decepção, com bastidores conturbados e uma história que lembrava bastante “Mulheres Perfeitas” (“The Stepford Wives”), que por si só já tem algumas versões diferentes. O que não é uma simples coincidência em “O Convite”, novo filme da cineasta e que é a sexta versão do filme espanhol “Sentimental”, lançado originalmente em 2020 e com versões italiana, suíça, francesa e sul coreana. Ainda assim, este é um filme que precisou ser escrito a duas mãos, com Will McCormack e Rashida Jones assinando o roteiro sobre a história de um casal em crise que convida seus vizinhos do andar de cima para um jantar. O casal em crise, interpretado por Seth Rogen e pela própria Olivia Wilde, têm ideias diferentes sobre o jantar para o qual chega o casal interpretado por Edward Norton (“Um Completo Desconhecido”) e Penélope Cruz (“A Noiva!”). Enquanto se conhecem, a ansiedade e a tensão (também sexual) vão crescendo conforme os segredos de ambos os casais vão sendo trazidos à tona.

Com exceção de uma breve sequência de introdução, “O Convite” se passa todo dentro do apartamento, que é também um personagem pela forma como Olivia Wilde o filma e o torna intrínseco àqueles personagens. Todo o design e as escolhas técnicas são uma clara tentativa de dar a esse cenário um aspecto artístico, que balanceie o humor da interação dos personagens com algo que soe mais profundo, até porque é necessário quando esses personagens são figuras completamente mecânicas que parecem nunca poder fugir daquele exato quadrado milimétrico imaginário que lhes foi planejado. Quem mais destoa disso é Seth Rogen, mas sua exceção não é nem uma regra, pois ele não está interpretando ninguém além de si próprio. Justaposto a isso temos a atuação completamente exagerada de Olivia Wilde e acredito que nem seja sobre a personagem, mas um equívoco em relação às escolhas que ela faz em sua interpretação, porque vai justamente na contramão dessa naturalidade que ela quer exercer com seu mise-en-scène e com a atitude dos outros personagens. É óbvio que há uma intenção narrativa ali, mas acredito que a escolha da interpretação destoa negativamente do restante por ser tão hiperbólica. Algo que se torna mais constante no decorrer do filme em todos os sentidos.

Isso porque os personagens de Penélope Cruz e Edward Norton precisam de medidas que os tornem mais interessantes, porque apesar do segredo que revelam para seus vizinhos, ainda falta algo mais. Em relação a Penélope Cruz, se opta por uma sensualidade, algo muito fácil de se fazer, mas quanto a Norton o filme parece ter mais dificuldade de encontrar um escape, e ele se torna praticamente um alívio cômico para o próprio personagem de Seth Rogen. Assim, “O Convite” pode até arrancar risadas aqui e ali, e fazer o possível para parecer arrojado, mas tanto o fato de ser um remake como esse engessamento no qual Olivia Wilde coloca seus personagens, trazem a realização de que isso só mascara um enlatado que não consegue ter a profundidade ou sensibilidade necessárias para ser efetivo quando troca a comédia pela melancolia.

O Convite” – Trailer Legendado:

O Convite” (“The Invite”, 2026); Direção: Olivia Wilde; Roteiro: Will McCormack & Rashida Jones; Elenco: Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz, Edward Norton; Duração: 107 minutos; Gênero: Comédia; Produção: Ben Browning, Megan Ellison, David Permut; País: Estados Unidos; Distribuição: 02 Play; Estreia no Brasil: 09 de Julho de 2026;

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.